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Quinta-feira, Julho 29, 2004
Jogo de Sedução(Dot the I, Inglaterra, 2003)
Há pouco mais de um ano o Gael mal era conhecido aqui no Brasil, mas aí ele estrelou Diários de Motocicleta do Walter Salles, muito bom filme por sinal, e se tornou o ídolo de uma legião de "Patys" que viram Diários e adoraram pois acharam o Gael muito "gato" no filme, e eis que surge um filme perfeito para estas pessoas "Jogo de Sedução" onde com certeza irão gostar muito mais do que Diários.
Nem perco mais tempo pra falar das péssimas traduções de títulos, não vale a pena mesmo, o que interessa é o filme, que neste caso é um horror.
A história começa quando a personagem de Natalia Verbeke, que até está se tornando conhecida aqui no Brasil, vários filmes com ela já foram lançados como Apaixonados, é pedida em casamento pelo namorado, acontece então que na sua despedida de solteiros, o garçom do restaurante diz que ela precisa escolher um rapaz para beijar antes do casamento já que é uma tradição francesa(o restaurante é francês), ela então escolhe Kit, o personagem de Gael. Depois disso eles começam a se ver com bastante frequencia o que a pôe em dúvida sobre se casar ou não.
Todo mundo sabe que o Gael é muito talentoso, isso já foi mostrado em diversos de seus filmes, mas este filme não requer o mínimo de seu talento, o curioso é que ele interpreta um brasileiro, carioca, quem tá melhorada no filme é a Natalia Verbeke, ela aparece de cabelos escuros aqui o que a deixa muito mais bonita e menos vulgar do que estava em Do outro lado da cama.
A meia hora final do filme é patética, o desfecho é horrível, tudo para parecer original mas acaba tornando o filme ainda pior, se alguém aqui não estiver interessado em ver um filme onde o Gael fala inglês, nem perca o tempo com esse Jogo de Sedução.
Comentários:
Muitos sabem que o Gael é um dos atores que mais gosto atualmente, embora tanta publicidade em cima dele já tenham me feito enjoar um pouco, tenho fé que ele não se venda para Hollywood, mesmo assim, aproveito que vi Jogo de Sedução para colocar aqui as cotações dos filmes com ele que já assisti.
2004 - Diários de motocicleta - 10
2003 - Jogo de sedução - 0
2002 - O crime do padre Amaro - 7
2001 - Sin Noticias de Dios - 7.5
2001 - E sua mãe também - 8
2000 - Amores brutos - 10
Sendo assim o resultado é bem satisfatório, gostei de todos os filmes dele exceto este último que assisti, quem conhece o Gael ou quer saber mais sobre ele clique no link GAEL GARCÍA BERNAL
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Quarta-feira, Julho 28, 2004
Movies and More no Blog of Notes
Pra falar a verdade eu nem sabia o quera blog of notes, mas aí comentaram aqui que o blog tava lá, fui ver a página do blogger e descobri que é uma listinha de 10 bloggers que chamaram a atenção deles essa semana, q bacana, fikei feliz com a notícia, tanto que vim correndo comentar aqui, pois bem que eu vi que tinha muita gente diferente visitando e que também tinha bastante gente on line ao mesmo tempo, espero que voltem sempre.
Pra não fazer o tópico totalmente inútil vou por uma foto de OLGA que estou muito ansioso pra ver, vi o trailer nestes dias e me pareceu bem interessante, espero que não seja decepção.

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Terça-feira, Julho 27, 2004
Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças(EUA, 2004)
Quando protagonizou O Show de Truman, Jim Carrey mostrou que havia bastante talento por trás das caretas, depois seguiu muito bem com O Mundo de Andy, e agora chegou a sua superação interpretando o Joel de Brilho Eterno de uma mente sem lembranças. O filme também é a superação de Charlie Kaufman, que já tinha se mostrado um gênio quando escreveu Quero ser John Malkovitch, alguns o chamam de reinventor do cinema grango, tão ou mais original do que Quentin Tarantino.
Em Brilho Eterno de uma mente sem lembranças, Kaufman recria o mundo através da mente de Jim Carrey, e isso dá muito certo, o visual é quase sempre onírico, e tudo tem uma perfeita relação o tempo todo, sem erros, o que é bastante comum quando se tenta explorar algo imaginário.
O filme começa quando Joel e Clementine se conhecem, Kate Winslet está muito bem aqui, quase nem nos faz lembrar que ela já fez o Titanic afundar, quando o casal se conhece ou se reconhece tudo parece bem normal, até que começam a aparecer os créditos do filme, Joel chora apoiado na direção de seu carro, descobre que Clementine procurou uma firma para apagá-lo de sua mente, ele então resolve fazer o mesmo, apagá-la.
Vai ser comum encontrar semelhanãs com os outros filmes de Kaufman, até mesmo com o mais simples Confissões de uma mente perigosa, mas achei este o mais original, e talvez o mais humano de todos.
O elenco ainda se completa por Tom Wilkinson, Mark Ruffalo, Kirsten Dunst e Elijah Wood, que forma a equipe de apagar memórias, a Kirsten Dunst que se tornou bem insosa nos últimos anos acaba desempenhando um papel bem importante no filme.
Outro aspecto criativo do diretor foi as cores nos cabelos de Kate Winslet, a partir daí dá pra perceber a época em que as coisas acontecem.
O diretor do filme é Michael Gondry, que dirigiu A Natureza quase humana, também roteirizado por Kaufman, entre vários video-clipes da Bjork. Ele desempenhou muito bem o seu papel, e não deixou nada a desejar, as vezes o roteiro tem muito potencia e um diretor ruim, consegue estragar aqui, mas o caso é bem diferente aqui.
É difícil explicar o filme, mas as cenas mais interessantes são as que quando Joel dentro da mente tenta fugir do mapeamento que a Lacuna Inc. fez dentro de seu cérebro, porque ele desiste de esquecer e quer ir há algum lugar desconhecido.
Pra concluir, o título do filme é citação de um poema de Alexander Pope chamado Eloisa to Abelard, que a personagem de Kirsten Dunst cita durante o filme, este mesmo poema já havia sido citado em Quero ser John Malkovich.
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Valentin(Argentina, 2002)
A melhor coisa de Valentin, é o próprio Valentin, Rodrigo Noya o ator que interpreta o personagem título do filme tem um carisma incrível que faz com que qualquer um fique fascinado com sua história.
Valentin é um menino de 8 anos que foi abandonado pela mãe, e o pai não lhe dá muita atenção, ele vive então com sua avó interpretada pela excelente Carmen Maura, aqui a atriz está parecendo vários anos mais velhos, e sua personagem é uma senhora birrenta, mau humorada, já que perdeu o marido, mas no fundo guarda uma doçura muito grande.
A história todo o tempo é narrada pela voz de Valentin, um menino maduro demais para sua idade, mas incompreendido pela maioria dos adultos, acaba ficando amigo do vizinho Rufo, que lhe trata normalmente, não como se fosse uma criança e que não entende de nada.
O filme foi dirigido por Alejandro Agresti, o mesmo de Uma Noite com Sabrina Love, inclusive eu gostei mais desse, é um filme bastante emotivo, sensível e humano, a atuação de Carmen Maura é excelente, e a direção também muito boa, o diretor também mostra sua faceta de ator no filme e interpreta o pai de Valentin.
Outro detalhe importante é que o filme se passa no final dos anos 60, então é até mencionada a morte de Che Guevara e a chegada do homem a lua, e o menino fica bem amigo de uma namorada de seu pai, Leticia, que também acaba se tornando uma pessoa bem importante pra ele.
Valentin até nos lembra um pouco a Amelie Poulain, claro em escalas e proporções muito diferentes, mas por querer sempre ajudar as pessoas a sua maneira, a cena em que ele vai até um hospital tentar convencer um médico que examine sua avó na feira é muito linda.
Eu só não gostei muito de adivinhar o final logo nos primeiros 5 minutos do filme, mas de resto o filme é bem bacana, quem não se apaixonar pelo Vale e porque é insensível ou não gosta de crianças.
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Segunda-feira, Julho 26, 2004
Voltei
Visitem o site que estou fazendo em parceria com minha amiga Dani, do blog que todo mundo deve conhecer Cinema Latino, não sei postar link aqui, mas o endereço é www.pipocalatina.blogger.com.br , vou passar a tarde no cinema, mais tarde volto pra comentar o que eu vi.
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Quarta-feira, Julho 21, 2004
Filmes da Semana parte 2
Não estou em Porto Alegre, to na casa da minha família e por isso não estou atualizando o blog, minha intenção não era ficar tanto tempo aqui, mas tive que acabar ficando, como não quero deixar o blog largado as traças resolvi vir a um cyber atualizar, afinal de contas a única coisa que me resta fazer aqui é ver filmes, já sinto falta do meu computador, minhas músicas e de ver bons filmes no cinema, não vejo a hora de voltar.
Encontros e Desencontros
O filme é bem bacana, a Sofia Copolla é uma ótima diretora e criou um argumento bom, não achei isso tudo, o filme não me tocou muito, talvez eu tenha perdido por não ver no cinema e estar vendo só agora, acho que esperava um pouco mais do que vi, mas ainda assim gostei, o Bill Murray e a Scarlet Johansen tem uma química boa, e foi impressão minha ou o filme meio que gonga com os japoneses?
Garfield, o filme
Mas que bosta, eu já sabia que era ruim, mas não tanto!
Sylvia, Paixão além das Palavras
Não há nada pra falar desse, a Gwinet Paltrow insosa como sempre e o filme chatíssimo.
Desaparecidas
A idéia de mistura um filme de bang bang com um sequestro e sei lá mais o que não deu muito certo, a Cate Blanchet pode ser muito talentosa e tal, mas nem isso conseguiu segurar esse filme que talvez por ser tão ruim foi direto pras locadoras.
Aos Treze
Esse foi outro que me escapou no cinema mas eu queria bastante ver, achei que a Holly Hunter tá boa, só que o filme é aquela visão america de adolescentes, e já tá me cansando um pouco isso, ainda assim tem seus méritos, principalmente pela Holly Hunter.
A Cartomante
A Globo Filmes virou uma máquina de produzir novelas em forma de filmes, e só fazem merda, a Deborah Secco consegue ser a maior patricinha da mídia brasileira e ainda acha que tá agradando, o filme não tem uma atuação que preste tem um elenco de embrulhar o estômago de qualquer um e é uma tremenda bomba!
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Filmes da Semana parte 2
Noites de Cabíria
O filme do Fellini é sensacional, me lembrou bastante o Mama Romma do Pasolini, o filme que é de 1957 marca o fim do neo-realismo de Fellini, e chega até a ser bastante diferente do resto de sua obra, mas o que tem mais destaque mesmo é a atuação da Giulietta Masina que é impressionante.
Velvet Goldmine
Já vi este filme várias vezes, mas não me canso, só pela trilha sonoroa já valeria a pena, ainda tem o Placebo que participa lá pelo final, e aquele visual glam fantástico, precisei ver pra mostrar pra uns amigos que gostam de glam rock e ainda não conheciam o filme, e esse é obrigatório.
Lua de Fel
Mais um excelente do Polanski, não é sua grande obra prima, mas ainda assim é muito bom, lembro de tê-lo visto há anos atrás e lembrava apenas de alguns poucos detalhes, é muito bom, e bastante sensual.
O Beijo da Mulher Aranha
O filme é bom, mas o melhor são as atuações do Willian Hurt e do Raul Julia, que interpretam dos prisioneiros que acabam aprendendo a se respeitar e ficar amigos, apesar de um deles ser gay, a Sonia Braga acabou vendendo a imagem do filme como mulher aranha, mas ela acaba não se destacando tanto assim.
Esse Obscuro Objeto de Desejo
Mais Buñuel! eu já falei aqui que minha fase preferida dele é a latina, e esse é da francesa, mas gostei bastante, nessa fase da carreira de Buñuel se tornou comum falar do amor de uma mulher mais jovem por um homem mais velho, o homem sempre interpretado por Fernando Rey, foi se não me engano um dos últimos filmes de Buñuel e já tinha mudado várias características das quais estávamos acostumados.
Crash: Estranhos Prazeres
Sem dúvida a obra prima de David Cronemberg é Videodrome, eu não havia visto Crash ainda, achei o filme interessante, porém acho que muito superstimado, gostei de algumas coisas, principalmente do clima noir que o filme cria.
As Idades de Lulu
Meu filme preferido do Bigas Luna é A Teta e a Lua, esse também é legal, bastante sensual, tem umas cenas muito bacanas, e tem ainda uma travesti igual a Cher, mas acaba se perdendo mais pro fim, quando a mulher pira e resolve transar com gays, um deles é interpretado por Javier Bardem, aí o filme se perde um pouco.
Gigolô por Acidente
Lixo, só vi porque passou na TV.
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Segunda-feira, Julho 12, 2004
Lugares Comuns(Argentina, 2002)
Assisti Histórias Mínimas este ano e já tinha sido o bastante para eu constatar que o cinema argentino superou o brasileiro faz tempo, mas quando eu já estava satisfeito com um filme tão bom do país hermano surgiu um ainda melhor, Lugares Comuns de Adolfo Aristarain.
O filme mostra a Argentina no ápice de sua crise, o que de início me fez lembrar bastante de O Filho da Noiva, outra semelhança é que Lugares Comuns tem um casal mais velho que rouba a cena assim como no Filho da Noiva, acontece que surpreendentemente acabei achando este bem melhor.
Federico Luppi é Fer, um professor de universidade que é obrigado a se aposentar, sendo assim seu salário cai para apenas o mínimo e as dificuldades crescem muito, diante da crise ele começa a fumar, beber, tudo por conta do nervosismo, a princípio ele esconde de sua mulher Lily, interpretada por Mercedes Sampietro que ganhou o prêmio de melhor atriz em 2003 no Festival de Gramado, mas sua mulher é também seu porto seguro e os dois apóiam se um no outro, o casal que têm um filho que vive em Madri acabam não querendo pedir ajuda, então precisam se virar como podem.
Lugares Comuns é genial, destes filmes inteligentes, com um humor refinado e cheio de bons momentos, sem falar da direção simples e das atuações do casal protagonista que é muito sensível, e as vezes só pelo olhar podemos adivinhar os pensamentos dos personagens.
Os diálogos são todos muito elaborados, Federico Luppi ainda funciona como uma espécie de narrador para o filme, já que ele possui um caderno em que escreve seus pensamentos para que se mantenha sempre o mais lúcido possível. Um dos momentos que mais gostei entre muitos é a cena em que o casal vai a Madri visitar o filho e o pai fala sobre manter suas raízes fixas na Argentina e se nega a viver em um país que não é o seu já que isso não irá satisfazê-lo.
Um filme altamento recomendável, mais um bom fruto dessa atual safra de cinema argentino que só nos rende boas surpresas, e últimamente o Brasil está bem mais acessível com o cinema da Argentina, basta agora esperar novas e boas estréias.
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Terça-feira, Julho 06, 2004
Estou indo viajar essa semana e por isso vou ficar alguns dias sem atualizar então to fazendo um post duplo e colocando a lista dos melhores filmes deste ano até agora, fazendo a lista me dei conta de que não vi tantos filmes bons quanto gostaria.
TOP 10 MELHORES FILMES DO PRIMEIRO SEMESTRE
Pois é amigos o primeiro semestre já chegou o fim e logo será o ano, mas enquanto isso deixo aqui uma lista dos melhores filmes que foram lançados este ano nos cinemas, lembrando que são os melhores para mim.
1- ELEFANTE
2- DOGVILLE
3- HISTÓRIAS MÍNIMAS
4- DIÁRIOS DE MOTOCICLETA
5- 21 GRAMAS
6- KILL BILL
7- SWIMMING POOL: NA BEIRA DA PISCINA
8- NA CAPTURA DOS FRIEDMANS
9- AS BICICLETAS DE BELLEVILLE
10 - SHREK 2
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Novo Fotolog
Eu tinha um fotolog antigamente mas ele foi apagado então como to de férias resolvi fazer um outro pra passar o tempo não sei se depois irei continuar mas se alguém se interessou é só entrar, hehehehe.
Glen ou Glenda(de Ed Wood, EUA, 1953)
Quando eu assisti ao filme Ed Wood de Tim Burton ainda não havia assistido nada do diretor Ed Wood, mas me despertou tamanha curiosidade, há pouco tempo que fui encontrar na locadora o mais clássico de seus filmes Glen ou Glenda, é daqueles que se pode dizer que de tão ruim chega a ser bom, Wood deve ter sido o cara mais sem noção que o cinema já viu.
Glen ou Glenda é para Ed Wood um filme auto-biográfica porque fala de seu fetiche de usar roupas femininas como uma coisa inocente, e que não significa que ele seja exatamente gay, é um filme trash, mal editado, mal atuado, inclusive o próprio diretor é quem protagonizada a história e a sua namorada também que no filme é vivida por Sarah Jessica Parker.
Quem também integra o elenco é o Bela Lugosi, quem viu o filme de Tim Burton, sabe do gosto que o Ed Wood tinha em trabalhar com o ator que ficou imortalizado por ter vivido o Drácula no cinema, aqui ele é uma espécie de narrador das trevas, o ator começou a trabalhar com Wood já no fim de sua carreira e seguiu assim até sua morte.
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Domingo, Julho 04, 2004
Fim de semana Luis Buñuel
Sábado fui até a locadora e fuçando por lá achei Um Cão Andaluz que eu não imaginava encontrar, é óbvio que peguei na hora, acho que todo mundo já ouviu falar do filme, é considerada a obra mais surrealista do diretor, e realmente o é, ele fez em parceria com o Salvador Dalí, outro gênio do gênero, e com a ajuda financeira de sua própria mãe.
Um Cão Andaluz é cheio de imagens disconexas, vendo da primeira vez acaba não se entendendo nada, a cena mais memorável de todas é logo no início quando uma navalha corta o olho de uma mulher, depois disso se passam 8 anos, e as cenas continuam acontecendo, como mãos brotando formigas, uma mão sem corpo atirada no chão, aliás existe uma mesma mão sem corpo em O Anjo Exterminador. Na fita de vídeo há duas versões do filme, a primeira delas com a música que foi utilizada por Buñuel na pré-estréia de seu filme, e na segunda, e que gostei mais, uma música que foi especialmente composta para Um Cão Andaluz em 1982 e que trás também latidos e sons de um cão, assim fica mais claro que a intenção de Buñuel era mostrar como somos instintivos e muitas vezes nos deixamos levar por esses instintos sem pensar, o filme que apesar de ter 17 minutos é mais uma obra prima do diretor que junto de Dalí ainda fez A Idade de Ouro em 1930.
Buñuel tem uma filmografia vasta, cheia de obras primas, pra que eu consiga ver todos seus filmes ainda vai levar algum tempo, mas vou tentando aos poucos, mas dos que eu vi apesar de ter gostado de todos eu sou mais fâ daquela fase latina, aquela que lhe rendeu Viridiana e Os Esquecidos sem esquecer também de O Anjo Exterminador, um dos que mais gosto, mas o outro que assisti é de sua fase francesa, Tristana com uma de suas musas Catherine DeNeuve, a outra era Sylvia Piñal, este filme que é de 1970 me lembrou bastante outro filme do diretor, o Viridiana, que é um dos que mais gosto e que fala da relação de uma jovem com um homem mais velho, em ambos os filmes o homem mais velho é interpretado por Fernando Rey.
Tristana fala de uma jovem que perdeu a mãe e vive sobre a tutela de um senhor bem mais velho que ela, que no início acha que ela precisa ser pura como uma flor que recém brotou mas aos poucos descobre-se apaixonado pela jovem e a acaba tornando sua amante, Tristana aceita, mas acaba desenvolvendo uma repulsa por seu tutor que não a deixa sair de casa, mas junto da empregada Saturna ela dá algumas voltas pela tarde e acaba conhecendo um pintor com quem se envolve, eu acho que o filme terminou bem melhor do que começou, o início tem um certo humor ácido e o final é trágico, é o filme mais realista de Buñuel que já assisti, embora os elementos buñuelescos que sempre caracterizaram o diretor se fazem presente a todo tempo, como por exemplo em vários diálogos, ou quando uma Catherine DeNeuve inválida mostra os seios para o filho muda da empregada, aliás a atriz está muito bem aqui, tanto quanto em A Bela da Tarde outra obra de Buñuel e também gosto muito dela em Repulsa ao Sexo do Polanski.
Tristana é um filme realista, áspero e muito bom, com excelentes atuações e a direção mestra de Buñuel, mas como eu já falei antes prefiro a fase mais latina do diretor que conforme foi envelhecendo foi deixando de lado algumas coisas para abordar outras, algo que preciso fazer em breve é ler sua autobiografia, O Último Suspiro.
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Sexta-feira, Julho 02, 2004
Marlon Brando
03/04/1924 - 01/07/2004
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Quinta-feira, Julho 01, 2004
Noite de São João(Brasil, 2003)
O filme foi feito aqui no Rio Grande do Sul, por isso teve sua estréia aqui antes do que no resto do país, mas acho que na sexta já estréia no país inteiro.
O filme foi dirigido pelo gaúcho Sérgio Silva que já dirigiu algumas coisas antes, como Anahy de las Misiones, tem até um filme dele de 1984 que se passa em Pelotas, minha cidade natal, mas hoje moro em Porto Alegre, mas voltando ao Noite de São João eu não esperava absolutamente nada dele, apenas queria ver.
Noite de São João não chega a ser exatamente um desastre, mas é quase isso, ele é baseado em uma peça de teatro de um autor sueco chamada Senhorita Júlia, a tal Júlia aqui é Fernanda Rodrigues que na TV até funciona, mas no cinema ela está péssima, sua primeira aparição no filme é um horror quando ela faz caras e bocas para parecer esnobe e a única coisa que mostra ser é muito artificial, outra que também está fraca é Dira Paes que já mostrou ser boa atriz anteriormente, mas aqui está forçando um sotaque de gaúcha misturado com um sotaque carioca, ficou horrível, Marcelo Serrado se sai um pouco melhor já que não fica tentando falar de um jeito que não consegue, o ator que interpreta o padre é absurdo de tão ruim, e a única que salva o elenco é a grande atriz gaúcha Araci Esteves.
Talvez o pior problema do filme seja realmente as atuações, se o elenco tivesse sido melhor escolhido ele até poderia se salvar, a produção não chega a ser ruim, embora seja meio complicado remontar o início do século passado com poucos recursos, mas como o filme se passa em alguma estância pelas bandas da cidade de Rio Grande pode não ter sido tão difícil.
A história é um pouco clichê, a filha mimada do coronel, Júlia, que vive em Porto Alegre chega na fazenda do pai na Noite de São João, ela então acaba indo para a festa dos peões e insiste em ficar com João, um empregado de seu pai, mas ele não quer nada com ela e, e ela acaba surtando. No fundo de isso tudo toca muita música tradicional do Rio Grande do Sul e inclusive com a participação de Renato Borgheti.
Apesar do filme estranhamente ter recebido vários prêmios no Festival de Gramado no ano passado, eu não recomendo, é muito fraco, não vale o dinheiro gasto com o ingresso.
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