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Domingo, Novembro 28, 2004
TOP 100 QUARTA PARTE
70- Os Amantes do Círculo Polar(Espanha, 1998)
A direção do Julio Meden é incrível, ele dirigiu um filme extremamente melancólico e poético, quem gosta desse também não pode deixar de ver Lucia e o Sexo.
69- Paris, Texas(EUA, 1984)
Outro filme que é totalmente melancólico do início ao fim, sempre se fica em dúvida do destino, do passado dos personagens, dirigido por Win Wenders.
68- Rain Man(EUA, 1988)
Todo mundo baba com a atuação do Dustin Hoffman neste filme mas não só ele está muito bem como também Tom Cruise que nessa época começava a se destacar bastante, um filme de que eu gosto muito.
67- Mamãezinha Querida(EUA, 1981)
Ver Faye Dunaway atuando com Joan Crawford é impressionante, ela não apenas está muito parecida com a diva do cinema no filme como também atua muito mas muito bem. Joan Crawfor era tão excêntrica e neurótica que os momentos de seus maiores devaneios acabam até arrancando umas risadas, quem não lembra da clássica "CABIDES DE ARAME NÃO CHRISTINA!!!!", e só como curiosidade, na época em que foi lançado o filme levou várias Framboesas de Ouro.
66- O Homem Elefante(EUA, 1980)
Este filme é realmente muito bom, dos de David Lynch é um dos mais coerentes, é triste ao mesmo tempo que é sombrio e sarcástico, tem Anthony Hopkins no elenco em um tempo que ele só fazia bons filmes, o que já é um ótimo motivo pra assistir. A fotografia em preto e branco também só contribui.
65- Amor a flor da pele(China, 2000)
Nem todo mundo gosta desse, mas eu considero uma história de amor extremamente nostálgica, muito bem contada, e é um filme com uma estética muito sensual, a sua continuação vem aí, embora eu acho q seja extremamente desnecessária.
64- Mulheres a beira de um ataque de nervos(Espanha, 1988)
Da minha lista de 100 filmes, poucos deles são comédias, até porque pra me fazer rir não pode ser qualquer tipo de humor, mas o Almodóvar consegue isto da melhor maneira, e por isso que este que é um dos mais divertidos do seus filmes está aqui.
63- Chinatown(EUA, 1971)
O Polanski está sem dúvida na minha lista de diretores preferidos, tanto que quando ele ia pros EUA dirigir algo ele conseguia revolucionar e fazer grandes filmes, este tem Jack Nicholson e Faye Dunaway e é uma homenagem ao cinema noir, aliás já está na hora de eu rever.
62- Razão e Sensibilidade(Inglaterra, 1995)
Bons tempos eram os que o Ang Lee dirigia excelentes filmes como este e Tempestade de Gelo, aliás o nome já revela, o filme é uma explosão de sensibilidade, e com um ótimo elenco, Ema Thompson, Hugh Grant e Kate Winslet.
61- Os Incomprendidos(França, 1959)
Eu não vi muita coisa do Truffaut, mas mesmo assim posso afirmar que ele foi um dos grandes mestres do cinema, Os Incompreendidos é uma grande obra prima, e um dos maiores ícones do nouvelle vague.
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KILL BILL COMPLETO
Ontem peguei uma seção especial no cinema para assistir Kill Bill vol. 1 e o vol. 2 na íntegra, um atrás do outro, na verdade foi uma ótima experiência sem dúvida, até porque eu estava bem mais "concentrado" e reparei em pequenos detalhes no 1 que da primeira vez não tinha reparado, por exemplo na cena que a noiva mata a personagem da Vivica Fox, tem um quadro na parede que mais ou menos simula uma mancha de sangue.
Já comentei ambos os filmes aqui no Blog quando assisti, por isso nem farei comentários extensos, mas não dá pra negar que os dois sejam realmente muito bacanas, eu é que preciso largar esse meu preconceito bobo com o filme depois que ele se tornou ultra-pop e todo mundo acabou vendo, mas ontem no cinema a maioria das pessoas eram como eu, já tinha assistido aos dois filmes e estava lá agora pra poder apreciar os dois na colada, então eu virava pra trás e ficava olhando a cara das pessoas e as reações a cada cena no filme(aprendi isso com Amelie Poulain) e geralmente a reação era bem prazerosa.
Por isso nem vale a pena entrar nos detalhes do filme aqui, porque algumas páginas no arquivo e estão os comentários completos, mas é impressionante como Tarantino brinca de fazer cinema, ele muda a estética do filme de uma hora pra outra, ele coloca uma cena de anime no meio, ele troca várias vezes o tipo de fotografia, enfim, o cara é muito bom!
Sobre o Kill Bill 2 eu ainda digo que gostei bem mais da primeira vez que vi, aliás na primeira vez eu vi o filme em condições péssimas, pirateado, com uma qualidade de som e imagem nada favoráveis, mas agora foi muito bom, e ter visto na colada do 1 foi melhor ainda, quando todas as cenas do anterior estão frescas na memória.
Aliás eu tenho que admitir, Uma Thurman não é a única diva de Kill Bill, Daryl Hannah literalmente arrasa em todas as suas cenas, a do assobio no hospital é absurda, e depois no 2 a batalha final entre a noiva e Elle Dryver é de se tirar o chapéu.
É, eu preciso me redimir das vezes que falei mal de Kill Bill 2, mas é que toda essa popularidade que o filme adquiriu me irrita um pouco, mas claro, este é mais um grande mérito do Tarantino, que fez 2 grandes filmes dentro de 1 só.
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Sexta-feira, Novembro 26, 2004
Do Jeito que ela é(EUA, 2003)
Quem diria que Katie Holmes a sonsa do seriado Dawson's Creek iria seguir uma promissora carreira no cinema, e mais, ela atua bem, muito bem, neste filme ele mostra seu potencial e em uma das primeiras vezes tem um filme todo em suas mãos, responsabilidade bem grande, mas ela, bem diferente dos seus colegas de seriado soube escolher muito bem seus roteiros e Do Jeito que ela é, é um filme bem agradável que chega inclusive a surpreender, daqueles que não se dá nada, mas acaba se tornando o típico filme bonitinho, comovente.
O filme marca a estréia na direção de Peter Hedges, roteirista de Um Grande Garoto, entre outros, o orçamento é bem modesto para os padrões americanos, custou apenas 300 mil dólares, foi todo feito em digital, e tem um roteiro bem bacana que é o que realmente conta, mistura momentos de drama com comédia.
A história gira em torno de April que mora em um bairro pobre de Nova York com o namorado, ela precisa preparar e organizar a ceia de Ação de Graças para a família que vive longe, mas principalmente porque a mãe, Joy tem câncer e os seus dias estão contatos, mas April que não está nenhum pouco acostumada a cozinhar passa por vários contratempos para conseguir montar a ceia, é desta forma sutil que o filme é contado.
É um filme sem grandes pretenções que acaba surpreendendo, não é excelente, mas é bom, tem atuações boas e a direção muito correta.
Moça com Brinco de Pérola(EUA, 2003)
Ao ver Moça com Brinco de Pérola eu só consegui me lembrar de minha avó e nada mais, até decidi que vou presenteá-la com o livro no natal, mas isto porque ela é uma grande apaixonada por grandes obras de arte e penso que este seja um filme para o deleite dos admiradores de grandes quadros.
Moça com Brinco de Pérola é baseado no livro homônimo de Tracy Chevalier, sobre o período em que o pintor Johannes 'Jan' Vermeer, pintou sua tela mais famosa que obviamente leva o mesmo título do filme.
O pintor é interpretado por Colin Firth de O Diário de Bridget Jones, e a tal moça é Griet, Scarlet Johanson de Encontros e Desencontros, e que cada vez mais mostra que por trás do rostinho bonito está uma grande atriz.
Repito, é um filme que deve agradar bem mais aos admiradores da pintura, porque ver como o quadro de um grande pintor foi confeccionado deve ser um tanto emocionante, fora isso o filme é um drama normal e que acabou não me chamando muito a atenção.
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Quarta-feira, Novembro 24, 2004
18-J(Argentina, 2004)
No dia 18 de julho de 1994 a Argentina sofreu com um atentado a AMIA, Associação dos judeus argentinos em Buenos Aires, neste atentado onde uma bomba explodiu 85 pessoas morreram e muitas ficaram com ferimentos graves, até hoje o fato não foi esclarecido e entrou pra história recente da Argentina como uma grande atrocidade.
A idéia deste filme se parece bastante com a do 11 de setembro que tem 11 curtas de 11 diferentes diretores de diversas nacionalidades, mas aqui todos os 10 diretores são argentinos e reforçam a idéia de que violência é um ato de covardia total, ainda mais quando se mata sem nenhum motivo a várias pessoas inocentes.
Antes de mais nada o filme presta uma homenagem àqueles que acabaram morrendo no atentando. O filme começa com uma pequena introdução, explicando o que era AMIA e o que aconteceu naquele fatídico 18 de julho, depois disso o primeiro curta entra na tela, eu vou comentar um pouco sobre cada um dos 10 curtas. É complicado gostar de todos já que são vários filmes dentro de um só, mas alguns me agradaram bastante, outros nem tanto.
Adrian Caetano: Este curta é visualmente muito interessante, mostra fragmentos, objetos, que começam a ser alterados conforme fumaça e fogo vai se misturando na tela, o que mais chama a atenção é um bolo de aniversário que aos poucos começa a ser destruido, e se enchendo de cacos de vidros. É um belo curta, ainda que não ilustre tão bem os fatos.
Daniel Burman: Por ter dirigido um filme que eu gostei tanto que foi O Abraço Partido, eu esperava bem mais do episódio do Daniel Burman, ele é bem simples, fala de um garoto que nasceu num hospital no dia 18 de julho de 1994, um médico narra que naquele dia foi tudo muito difícil pois havia muito trabalho no hospital, logo o menino aparece e aí o curta se torna mais interessante.
Lucia Cedrón: Este foi o primeiro dos curtas que eu realmente gostei, fala de um casal já de meia idade e que tem uma filha que vive com o neto que ainda não conhecem e o marido em Israel, ela se nega a voltar a Argentina, e por isso eles irão visitá-la, mas acabam se tornando vítimas da fatalidade, é o primeiro que realmente comove, a essas alturas já havia uma senhora sentada do meu lado aos prantos.Nesse mesmo curta também, durante quase todo tempo se faz presente a voz de um locutor de rádio.
Alberto Lecchi: Este acaba lembrando um pouco o anterior, até aqui mostra parentes das vítimas, dessa vez é uma mãe que vive com a filha em um povoado a mais de 1000km de Buenos Aires, lá ela recebe a notícia de que uma bomba explodiu no bairro em que seu filho vive em Buenos Aires, quando a filha menor pergunta o que é um judeu a resposta é "Jesus era judeu".
Juan Bautista Stagnaro: De todos os dez este é o mais fraco de todos os curtas, o diretor tenta fazer uma comparação entre o atentado e a Divina Comédia de Dante, mas é totalmente frustrado.
Marcelo Schapces: Neste curta um adolescente revoltado discute com a família por não aceitar as tradições judaicas, pede então que Deus lhe envie um sinal de que existe, nesse momento a explosão acontece e ele acaba se convencendo do contrário.
Mauricio Wainrot: É o mais belo episódio do filme com certeza, chega a lembrar bastante os filmes do Carlos Saura, é um ballet metafórico, onde os bailarinos dançam em um chão cheio de roupas, a interpretação pode ser feita de diversas formas, com certeza é o mais implícito de todos os curtas, e lindo!
Adrián Suar: Um casal comemora com felicidade a cerimônia de circuncisão do seu bebê, ao mesmo tempo que o irmão da esposa está em Buenos Aires, na sede da AIMA, o diretor coloca em cena dois opostos, a alegria do nascimento e a dor da perda.
Alejandro Doria: Este sem dúvida foi o curta que mais me impressionou, tem um tom de denúncia muito forte, durante todo o tempo uma mulher mistura sentimentos, indignação, euforia, raiva, e denuncia fatos que nunca foram esclarecidos, e a impunidade, sem dúvida a grandeza desse curta se deve a excelente atuação da atriz e ao roteiro muito bem elaborado com frases de muito impacto.
Carlos Sorín. O diretor do excelente Histórias Mínimas, encerra o filme mostrando as fotos de família das 85 pessoas mortas no atentando, e o mais impressionante é que muitas delas eram extremamente jovens e provavelmente com um futuro promissor pela frente, acaba comovendo, e o filme termina.
Mais sobre o filme no site: Cultura Latina
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Terça-feira, Novembro 23, 2004
TOP 100: TERCEIRA PARTE
80- Velvet Goldmine(Inglaterra, 1998)
Pra quem gosta de música, de Glam e de cinema britânico, Velvet Goldmine é o filme perfeito, inspirado no período Glam Rock no início dos anos 70 o filme conta a história de personagens que bem poderiam ser Iggy Pop e David Bowie, a trilha é sensacional.
79- Ônibus 174(Brasil, 2002)
Ônibus 174 é sem dúvida um dos melhores documentários que já assisti, e é brasileiro, claro que ele narra um episódio lamentável ocorrido no Rio de Janeiro, mas toda a maneira como o filme foi construído resulta em um documento muito forte, denso em que você acaba saindo do filme, muito chocado.
78- Dracula de Bram Stoker(EUA, 1992)
É difícil classificar Drácula em um gênero só, ele é uma mistura de suspense, drama, erotismo e com pitadas de terror, mas tem cenas antológicas, tudo muito bem dirigido pelo Copolla, ou seja é um filme muito bom e que é cheio de particularidades.
77- Gosto de Cereja(Irã, 1997)
Acho este um dos filmes iranianos mais interessantes, justamente porque ele deixa implicito muitas coisas, pra quem acompanha o cinema iraniano sabe que ele é exatamente o oposto de Hollywood, isso é um dos fatores que contribui para que este filme seja uma grande obra de arte.
76- Quanto mais quente melhor(EUA, 1959)
O que falar do filme que é considerado uma das melhores comédias de todos os tempos, é que ele realmente é, tem um elenco afinadíssimo, do gênio Billy Wilder, e com Marilyn Monroe que aliás foi um grande problema na hora das filmagens e Jack Lemmon.
75- Touro Indomável(EUA, 1980)
Gosto muito da fase antiga de Scorsese, acho que ele realizou grandes filmes ao lado do Robert De Niro, e este com certeza é um deles, a fotografia contribui para que ele se torne ainda melhor.
74- Beleza Roubada(EUA, 1996)
O Bertolucci conseguiu fazer com este filme uma explosão de sensualidade, boa música, sentimentalismo, e vários outros elementos que fazem de Beleza Roubada um filme belíssimo e que provavelmente não seria o mesmo sem Liv Tyler.
73- Amigas de Colégio(Suécia, 1998)
Já vi e revi Amigas de Colégio, já o coloquei em várias listas, mas justamente porque ele é um filme muito importante pra mim, acho que muito mais do que um filme sobre lesbianismo, Amigas de Colégio é um dos melhores filmes sobre adolescentes e descobertas.
72- A Teta e a Lua(Espanha, 1994)
Embora eu goste de outros filmes do Bigas Luna, acho que este é o grande merecedor de um lugar na lista, o filme conta uma história um tanto bizarra e é cheio de metáforas, muito bom!
71- Boogie Nights(EUA, 1997)
Sou bem suspeito pra falar de Boogie Nights, eu gosto muito de P.T. Anderson, mas este filme reune várias coisas que sempre me chamaram a atenção no cinema, por exemplo pornografia e a decadência humana, também tem um elenco muito bom, e pela primeira vez se vê Mark Whalberg atuando muito bem.
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Domingo, Novembro 21, 2004
Esses dias comprei o DVD de Laranja Mecânica, já vi o filme algumas vezes, portanto nem pensava em comentá-lo aqui no blog, mas digamos que hoje eu vi o filme assim "mais concentrado" e prestei atenção em detalhes que nunca tinha reparado antes, e me senti orgulhoso e satisfeito por estar assistindo a uma das melhores obras primas já feitas no cinema.
O filme que é de 1971 pode funcionar de várias maneiras, depende de como está sendo visto, mas para mim é um retrato fiel da sociedade em que vivemos, cheia de corrupção e hipocrisia, onde um dia você está bem e no outro está totalmente por baixo, onde teu passado pode te condenar pro resto da vida e onde o que mais se aplica é a lei do "aqui se faz, aqui se paga".
Não tem como não se impressionar com certas cenas, as que entraram pra história do cinema, e que Kubrick dirigiu divinamente, como a do estupro onde Alex canta Sing in the Rain e a do tratamento onde ele tem os olhos presos, aliás certas coisas foram feitas para causar no espectador a mesma sensação do personagem que está na tela.
É um filme que não se descreve se assiste, e vale muito a pena, é fantástico, eu inclusive penso que ele tipicamente se divide em início, meio e fim, e tem os 3 diferentes estágios da vida de Alex, entre muitos outros detalhes que a cada vez que o filme é visto é percebido.
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Sábado, Novembro 20, 2004
Continuando o Top 100
Já tava mais do que na hora de seguir em frente com o Top 100, mas antes eu quis comentar outros filmes vistos aqui no Blog, agora prometo que me dedico mais a lista, essa semana também foi difícil porque eu tive várias provas, mas estamos de volta! hehehe
90- O Beijo da mulher aranha(Brasil/EUA, 1985)
O :Beijo da mulher aranha está bem longe de ser um filme perfeito, mas ainda assim acho que ele é um filme de diálogos perfeitos, e por isso merece a colocação na lista, nem dou muito destaque para a participação de Sônia Braga, mas sim as atuações de Willian Hurt e Raul Julia e a direção do Hector Babenco.
89- 007 contra Goldfinger(Inglaterra, 1964)
Os filmes de 007 não tem muita diferença entre si, mas se alguém conseguiu representar bem o personagen este foi Sean Connery, 007 contra Goldfinger é um dos primeiros filmes do agente secreto, e sem dúvida o melhor, por isto merece lugar na lista.
88- O Casamento de Muriel(Australia, 1994)
Além de ser uma comédia divertidissima, o filme tem a atuação excelente de Toni Collete, a trilha memorável com as músicas de ABBA, um filme que me marcou muito, desde a infância, e vale a pena ser visto e revisto várias vezes.
87- Dançando no Escuro(Dinamarca, 2000)
Lars Von Trier dirige um drama denso e estrelado por Bjork com uma atuação fantástica e que além de atuar também canta durante várias cenas do filme, no elenco ainda tem a ótima Catherine DeNeuve, impossível não se emocionar com este filme.
86- Perdas e Danos(Reino Unido/França, 1992)
Este é um filme que é bastante criticado, mas de que eu gosto muito, considero que tenha um roteiro muito atraente e muito bem atuado, além claro da direção de Louis Malle, não é um filme qualquer, pra mim pelo menos representa um filme forte.
85- Carmen(Espanha, 1983)
Carmen foi o primeiro filme latino que eu lembro de ter assistido, lá pelo início dos anos 90, era uma criança, e ele me marcou muito, até porque vi coisas que eu ainda não estava acostumado, foi onde conheci a direção do Saura e comecei a admirá-lo muito depois disso.
84- Quero ser John Malkovich(EUA, 1999)
Impossível não reconhecer que Quero ser John Malkovich é um filme extremamente genial, original e bizarro, muito bizarro, e justamente por isso que chamou tanto minha atenção e que gosto tanto deste filme.Com este filme Charlie Kaufman mostrou que é o melhor roteirista atualmente em Hollywood.
83- Nove Rainhas(Argentina, 2000)
Nove Rainhas é um dos filmes mais originais feito na Argentina nestes últimos anos, e tem mais, acho que muito da boa fase que o cinema argentino vêm tendo ao redor do mundo se deve um pouco ao sucesso de Nove Rainhas.
82- O que é isso companheiro?(Brasil, 1997)
O que é isso companheiro? é um dos melhores filmes brasileiros feitos sobre a ditadura militar, conta uma trama envolvente e que aos poucos vai se revelando, as atuações também são muito boas.
81- Gritos e Sussuros(Suécia, 1972)
O Bergman é um diretor de muitas obras primas, mas Gritos e Sussuros é um de seus filmes mais perfeitos, um filme sobre mulheres com toda a sensibilidade que é exigida e com atuações fantásticas das atrizes.
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Quarta-feira, Novembro 17, 2004
Últimos filmes vistos
CONTRA TODOS(BRASIL, 2004)
Não tenho como negar que a atual safra de cinema brasileiro anda bem fraca, e muito provavelmente seja por isso que Contra Todos vêm conseguindo levar tantos prêmios por aí a fora, sendo que é um filme bem razoável, bem bacana em certos pontos como alguns ângulos e movimentos de câmera.
A história do filme é sobre uma família que vive em Sâo Paulo e está em total decadência, a mulher tem vários amantes, o marido também, e ainda finge ser evangélico ao mesmo tempo que é um assassino de aluguel, e a filha que é quem realmente rouba a cena, interpretada por Silvia Lourenço, no elenco ainda têm Ailton Graça de Carandiru e Leona Cavalii de Amarelo Manga.
Aliás o filme se parece um pouco com Amarelo Manga nessa tentativa de ser cru. Quem assina a produção é Fernando Meirelles o diretor de Cidade de Deus, e o filme é interessante em alguns aspectos, mas não passa disso.
ILUSÃO DE MOVIMENTO(ARGENTINA, 2003)
O filme é argentino, se passa nos anos 80, e tem muito em comum com um outro filme argentino, Valentin, a diferença é que este é bem fraco, e o outro ótimo. O filme peca principalmente porque se arrasta demais, porque tem várias cenas que não precisavam já que não adiciona absolutamente nada ao filme, fala de um homem que depois de algum tempo volta pra sua cidade pra ver o seu filho que perdeu a mãe e havia deixado, na verdade o filme só se torna interessante e agradável quando existe a presença da criança em cena, no contrário é bem monótono. Também participa do elenco Dario Grandinetti de Fale com Ela, mas a atuação dele é tão perdida no meio do filme que não dá pra entender bem porque ele está ali.
CAPITÃO SKY E O MUNDO DE AMANHÃ(EUA, 2004)
Só assisti a este filme porque era dia de promoção no cinema e paguei 3 reais, no contrário não teria posto os pés no cinema pra ver este filme. A história é bem absurda, lá pelos anos 40 um bando de robôs gigantes invadem Nova York, e um piloto e uma jornalista se juntam para salvar o mundo, clichê, mas essa era a intenção do filme, já que é uma homenagem explícita aos filmes clássicos de ficção, inclusive foi todo filmado em cromaqui e depois as imagens sobrepostas com computação gráfica, aliás se percebe bem, acho que também fazia parte do roteiro criar uma estética fake já que durante todo o filme é assim, inclusive a fotografia é bastante interessante, parece exatamente com um filme antigo sendo projetado, mas tanta preocupação com a estética, deixou a história de lado, e acaba sendo um lixo, e preparem-se, este é só o primeiro de uma trilogia de filmes.
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DOIS PERDIDOS NUMA NOITE SUJA(Brasil, 2003)
O filme é adaptado da peça homônima, na verdade já é o segundo filme baseado na peça, o primeiro foi feito nos anos 70, sendo q eram dois homens os protagonistas, aqui Débora Falabella e Roberto Bomtempo acabam interpretando os personagens centrais.
Na verdade é um filme que tem algumas coisas legais e outras não, mas peca um pouco no exagero das atuações, no início a Débora Falabella parece forçada demais, ela interpreta Paco, uma lésbica ou pelo menos se parece e que ganha dinheiro fazendo sexo oral em homens, disfarçada de garoto de programa, e Bomtempo é Tonho que tenha ganhar a vida nos Estados Unidos mas acaba estragando todos os planos por causa de Paco. O filme se passa em Nova York, por isso para um filme brasileiro ele até custou mais do que o normal, mas ainda assim deixa muito a desejar, uma pena... resta agora ver a primeira versão.
OSAMA(AFEGANISTÂO, 2003)
Vou começar falando das coisas boas de Osama, ele tem menos de 80min e isso é ótimo, ou seja ele acaba antes que se comecesse a morrer de tédio, outra coisa é que pelo menos este tipo de filme que mostra uma outra realidade tão diferente da nossa consiga indignar um pouco, mas depois disso o filme não tem mais nada que se possa chamar de bom, ele fala sobre uma menina que no regime talibã precisa se disfarçar de menino para conseguir levar comida para casa já que mulheres não tem nenhuma chance. É bom ver para conhecer um pouco mais de outra cultura.
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Segunda-feira, Novembro 15, 2004
Whisky(Uruguai, 2004)
Whisky é um filme uruguaio que vêm trazendo muitas surpresas e chamando bastante a atenção, este ano foi muito bem recebido em Cannes e por aqui, no Festival de Gramado levou o Kikito de melhor filme latino, e todos estes méritos com certeza são muito merecidos, o filme é excelente, genial em muitos aspectos.
O filme foi dirigido por Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll, ele começa um tanto sem forma, apresentando aos poucos seus personagens Jacobo e Marta, ele é o chefe, dono de uma fábrica de meias, e ela é sua empregada fiel e que trabalha junto dele há vários anos, os diretores usaram um recurso muito interessante para mostrar a monotonia dos personagens, repetiram por diversas vezes as mesmas cenas e ações, isso mostra o quanto as vidas dos protagonistas são pacatas e sem brilho algum.
A história começa a ganhar mais vida quando Jacobo pergunta para Marta se ela pode se passar por sua esposa durante alguns dias, já que seu irmão Hernan que vive no Brasil irá passar alguns dias em Montevideo, a partir daí as coisas passam a se modificar, embora a relação entre chefe-empregada, agora fingindo serem marido e esposa ser extremamente fria, sempre fica muito visível que ambos sentem um enorme afeto um pelo outro.
Whisky é um filme sensível, melancólico, em certos pontos bem humorado, e com atuações irretocáveis, o elenco tem uma qúimica muito boa, em quase todas as cenas quem conduz o filme são os 3 personagens centrais, em certos momentos aparecem um ou outro, existe um casal em lua de mel num hotel, o homem é interpretado pelo ator argentino Daniel Hendler, de O Abraço Partido.
O nome do filme pode sugerir a bebida, mas a relação fica mais explicíta quando se tira uma foto e se diz a palavra "whisky" assim se disfarça um sorriso que não se tem vontade de dar. A relação entre os personagens começa a se modificar até o filme chegar ao final, e isso o torna cada vez mais melancólico, faz com que pensemos sobre solidão e sobre o tamanho da falta de comunicação do mundo em que vivemos.
Li em um site bem famoso uma crítica que contava todos os detalhes de Whisky, inclusive detalhes do final, acho que não precisa disso, mas é um filme único, um dos melhores deste ano, com certeza imperdível!
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Sexta-feira, Novembro 12, 2004
Esperava por A Má Educação há muito tempo, desde que o filme foi anunciado, ficar um pouco nervoso antes do filme começar foi inevitável, me sentir emocionado ao ver os créditos iniciais também, embora de uns tempos pra cá eu já não tivesse mais muito empolgado com o filme fui ver na primeira sessão do dia de estréia, não me decepcionei, mas também não fiquei inteiramente satisfeito, difícil não ser exigente... hoje também vi o brasileiro Contra Todos que logo eu comento aqui no blog, hoje não vou postar o Top 100, o dia fica totalmente dedicado ao filme de Almodóvar.
A Má Educação(Espanha, 2004)
Quando se espera muito tempo por um novo filme de um diretor que se gosta tanto como Almodóvar, é difícil não se tornar exigente, e todo mundo acava sendo mais ou menos assim, já que ele é um diretor de tantas obras primas, uma certa cobrança com a qualidade de novos filmes é inevitável.
Não posso dizer que A Má Educação seja o melhor filme de Almodóvar, bem que eu gostaria, mas nem de longe ele me causou as sensações de seus filmes mais recentes Tudo sobre minha mãe e Fale com Ela, com certeza ele não é tão emotivo e nem tão sentimental quanto estes, mas segue mantendo muito bem o nível.
As boas coisas já aparecem logo de início quando Almodóvar apresenta seus créditos da mesma maneira que fazia com seus filmes mais antigos, sobrepondo imagens em uma espécie de colagem, logo corta para a casa do diretor Enrique, na Madri de 1980, onde até as cores do lugar lembram a estética almodovariana da época, Ignacio lhe visita para entregar um relato que mais tarde se tornará roteiro para um novo filme.
O diretor de cinema é interpretado por Fele Martinez, de Tesis, e que trabalha aqui pela segunda vez com Almodóvar, antes fez O Amante Minguante, o filme mudo dentro de Fale com Ela, e Ignácio é o já tão famoso Gael García Bernal, que também interpreta a travesti Zahara, aliás em sua primeira cena aparece dublando Quizás Quizás Quizás, para mim a cena foi quase orgásmica, é perfeita, e na verdade minhas suspeitas sobre Gael se confirmam, mais do que um excelente ator ele também pode ser uma ótima atrz.
Na realidade acho que eu teria muito mais coisas para elogiar sobre o filme do que para criticar, só senti foi mesmo essa falta de tom dramático, mas o próprio Almodóvar define A Má Educação como um filme noir, e ele ganha esse tom quando junto da trilha se trata de um filme investigativo, quando tenta denunciar o Padre Manolo, que praticava pedofilia com os alunos do colégio. O humor aqui quase sempre fica implícito, mas é fácil identificá-lo quando já se acompanha Almodóvar.
Aliás as semelhanças de A Má Educação com outros filmes do diretor são grandes, principalmente com A Lei do Desejo, que também tinha um diretor de cinema gay como protagonista, que de alguma maneira acaba refletindo o próprio Almodóvar, e ainda tinha uma transexual abusada por um padre e que teve um caso com o pai, e outro filme que tem várias coisas em comum acho que é Maus Hábitos, que denuncia a hipocrisia da igreja católica.
A premissa do filme já foi discutida várias vezes por sua polêmica, a história do Padre Manolo que abusa sexualmente dos alunos do colégio onde é diretor, mas as cenas de pedofilia não são explicitas nunca, elas apenas aparecem como em uma que o padre canta junto de Ignácio Moon River, ou então a pedofilia está nos diálogos dos personagens já adultos que refletem os fatos de suas infâncias até hoje.
O filme vai se revelando aos poucos, até ter várias reviravoltas no final, há mais coisas que gostaria de falar sobre ele, mas acho que ele precisa ser descoberto, ainda assim há cenas muito boas como a que Ignácio e Enrique tomam um banho de piscina, e quando uma travesti velha dubla Manequin, aliás durante o filme Almodóvar faz várias citações a outros filmes, incluindo Esa Mujer com Sara Montiel.
O elenco está todo muito bem, eu havia lido que Gael estava um pouco opaco, mas não concordo, que também está muito bem é Javier Camara que só aparece no início mas garante ótimos momentos ao filme, inclusive vários diálogos que são bastante típicos do diretor, e Daniel Gimenez Cacho que também é mexicano e interpreta o padre também está muito bem.
Não vou dizer que amei o filme porque seria mentira, mas é sim bom, tem momentos e cenas notáveis que não quero dizer quais são porque merecem ser vistos. Pretendo ainda rever o filme no cinema e ficar agora esperando pelo novo projeto de Almodóvar que deve ter Cecilia Roth no elenco.
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Quinta-feira, Novembro 11, 2004
Começa o TOP 100
Fazer lista de melhores filmes é sempre uma coisa bem difícil, sempre fica a sensação de que algo está faltando, e que um filme de que você gosta muito acaba ficando de fora, eu optei por fazer uma lista mais variada, onde tem realmente de tudo, mas já vou avisando que a lista está sempre sujeita a alterações, os filmes não param!
100- Cidade de Deus (Brasil, 2002)
Acho que conforme fui digerindo Cidade de Deus ele foi perdendo um pouco do encanto para mim, mas ainda acho que é um filme brasileiro muito ambicioso, e com vários méritos dentro e fora do Brasil, por isso acho que seja muito justo que o filme tenha o seu lugar garantido na lista dos melhores.
99- A Viagem de Chihiro(Japão, 2001)
É muito difícil não se encantar com A viagem de Chihiro, ou não se entende nada do filme ou se apaixona por ele, que é o meu caso. O filme é uma fábula surreal, mas cheio de realidade implícita.
98- Plata Quemada (Argentina/Uruguai, 2000)
Não escondo minha paixão pelo cinema latino, e Plata Quemada é um grande filme, o único do diretor Marcelo Piñeyro que eu resolvi colocar na lista, mas todos os outros são excelentes, só que este tem uma história que prende por se tratar de um fato verídico, e um elenco que está em perfeita sintonia.
97- Charada(EUA, 1963)
Com certeza o filme não seria o mesmo sem Audrey Hepburn e Cary Grant que tinham uma ótima química quando atuavam juntos, mas Charada vai além das boas atuações, tem um roteiro muito bem elaborado.
96- Assassinato por morte(EUA, 1972)
Este com certeza é o filme certo pra quem gosta de jogar detetive, mas ele vai além de um filme de suspense, é a típica comédia sem pé nem cabeça, mas muito divertida, e com um elenco sensacional incluindo Maggie Smith.
95- Corra, Lola Corra(Alemanha, 1998)
Acho que Corra, Lola Corra representa bastante pro cinema alemão atual, acabou se tornando um fenômeno, e muito merecido, além de ser um filme com uma direção e edição muito criativas tem uma trilha sonora excelente, e a ótima atuação de Franka Potente.
94- Filhos do Paraíso(Irã, 1997)
Foi um dos primeiros filmes iranianos que eu assisti e me marcou bastante porque tem uma história encantadora e comovente sobre os dois irmãos que precisam conseguir um novo par de sapatos já que não tem dinheiro para comprar.
93- Ed Wood(EUA, 1994)
Ed Wood foi eleito o pior diretor de todos os tempos, dirigiu alguns dos filmes mais trash da história, e essa sua cinebiografia é muito boa, ao mesmo tempo que tem drama tem comédia, dirigido por Tim Burton que na época era muito bom e protagonizado por Johnny Depp que está excelente no papel título.
92- O Beco dos Milagres(México, 1995)
O filme é um ícone do cinema mexicano dos anos 90, foi dirigido por Jorge Fons, e estrelado por Salma Hayek, conta a história de várias pessoas que vivem no subúrbio da Cidade México, cada um com seus dramas sentimentais e pessoais.
91 - Beleza Americana(EUA, 1999)
Um filme americano que critica o "american way of life" e ainda ganha o Oscar, com certeza é uma proeza, pena que depois de ter dirigido o excelente Beleza Americana o diretor Sam Raimi decaiu muito, mas é um filme impecável com um ótimo elenco.
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Quarta-feira, Novembro 10, 2004
Happy Birthday Movies and More...
Há exatamente um ano nascia o Movies and More, no dia 10 de novembro de 2003, lembro de ter sido uma data importante pra mim porque foi o dia que saí de casa, deixei de morar com a família para tentar a vida sozinho em uma nova cidade, e na manhã antes de viajar acabei criando este blog, que eu não sabia se daria certo já que eu havia feito tantos outros e nenhum vingou, mas esse sim deu certo e claro não só por mim que venho escrever quando posso, mas porque sempre contei com o apoio de uma galera que fez o contador pular e encheu o blog com seus comentários motivadores.
Eu tentei, tentei pensar em uma imagem que ilustrasse o aniversário e acabou não saindo nada, então resolvi estampar o Hitchcock, e pra comemorar a data eu tive uma idéia nenhum pouco criativa, já que a maioria dos blogs de cinema que se prezem, fizeram, nos próximos dias estarei postando o meu top 100 melhores filmes de todos os tempos, claro que aos poucos, vou indo de 10 em 10 até completar a lista, espero que gostem, e avisando que meu top 100 está sempre sujeito a alterações.
Feliz Aniversário pro blog, pra mim e pra todos que me ajudam a manter este espaço no ar!
Abraços a todos!!!
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Terça-feira, Novembro 09, 2004
Um post para Zé do Caixão
Quando falo que gosto dos filmes do Zé do Caixão as pessoas ou riem ou fazem cara feia, mas não me importa, porque José Mojica Marins ou o Zé do Caixão como é mais popular, conseguiu se tornar um grande mito do cinema brasileiro pela arte de ser original, se ele crê ou não no Diabo isso não me interessa, mas o seu personagem é genial, tanto que sobrevive até hoje.
Mojica conseguiu revolucionar o cinema brasileiro em meados dos anos 60, mostrando violência, sexo, sadismo, coisas que até então não haviam sido muito exploradas, mas tudo isso contando com uma estética no mínimo bem Trash, nos anos 80 ele ainda dirigiu um pouco de pornografia e atualmente está meio inativo, mas quem puder assista o máximo de filmes do diretor que encontrar!
Ritual dos Sádicos - O Despertar da Besta(Brasil, 1968)
Este com certeza é um dos filmes mais absurdos de Zé do Caixão, ele não chega aos extremos do terror físico, mas sim do psicológico, é uma emaranhado de cenas surreais que chegaram inclusive a me lembrar filmes de Pasolini. O filme foi censurado por muitos e muitos anos devido ao seu conteúdo extremamente sexual, cenas de sexo bizarro é o que não faltam, primeiramente os personagens são apresentados, todos eles em cenas fortes incluindo drogas e sexo, depois disso o enredo do filme se desenvolve, um médico sonda todas estas pessoas para fazerem uma experiência com LSD, a partir deste momento o filme ganha cores e as pessoas entram em um mundo que se parece com o inferno, com sons que em muitos momentos chegam a incomodar, e com a imagem de Zé do Caixão se fazendo sempre presente.
Com certeza neste filme Zé do Caixão demonstra ser um diretor egocêntrico ao extremo, mas não importa, os resultados são muito bacanas.
Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver(Brasil, 1967)
O filme começa justamente onde A Meia noite levarei tua alma termina, Zé do Caixão pocesso pois não conseguiu o que mais queria, trazer ao mundo um filho perfeito, fica cego, mas aqui ele recupera a visão e começa a atormentar o povoado onde vive, sequestra 5 mulheres, na esperança de que alguma delas possa gerar o seu filho perfeito, para testá-las ele solta várias aranhas enquanto elas dormem, aliás a cena me surprendeu, pois as aranhas andam por todo o corpo das mulheres, e com certeza na época as aranhas eram reais, adorei a ousadia tanto do diretor quanto a das atrizes.
Mais tarde Zé mata as mulheres sufocadas por cobras e mais tarde descobre que uma delas que lhe rogou uma maldição estava grávida, isso o atormenta muito e mais tarde ele volta a usar o recurso da imagem colorida em um sonho, onde justamente está sendo amaldiçoado.
O filme não chega a superar a primeira parte, mas é um filme muito legal, e em certos pontos divertido, mas descobrir o universo de Zé do Caixão é sempre uma tarefa muito prazerosa.
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Domingo, Novembro 07, 2004
Nina(Brasil, 2004)
Nina vem sido vendido como uma releitura do livro Crime e Castigo do russo Dostoiévski, não li o livro e então fica difícil fazer uma comparação entre os dois, mas o filme até que se sai bem, claro está bem longe de ser uma obra prima, mas marca a estréia de Heitor Dahlia na direção e perto das coisas que o Brasil vem produzindo últimamente Nina fica bem acima da média.
Logo na primeira cena do filme a personagem título filosofa sobre os seres humanos serem divididos em duas categorias, a dos ordinários, aqueles que costumam fazer as coisas todas certas e colocar tudo no lugar e os extraordinários que são os que se sobresaem mesmo que precisem cometer um crime para isto. Nina é interpretada pela atriz Guta Stresser, que aliás está muito bem, e me fez pensar em como a televisão limita o talento de certos atores, já que vendo o seu trabalho em a Grande Família eu não dava grandes coisas por ela.
A história obviamente fala de Nina, uma jovem que vive em São Paulo, num mundinho de drogas, sexo, música eletrônica e falta de dinheiro, por ser pobre é que ela precisa sobreviver alugando um quarto na casa de Dona Eulália, uma velha megera, muito bem interpretada por Myrian Muniz, todas as ações da velha só servem para que o espectador vá guardando a raiva para vibrar quando mais pra frente ela acaba morrendo, o único prazer na vida de Eulália e passar o seu tempo atormentando e humilhando Nina.
Mas apesar de não empolgar em alguns momentos o mais bacana do filme acaba sendo a sua estética, a fotografia é muito boa valorizando o azul e tons mais escuros, e toda a programação visual do filme em geral é legal, em uma cena Nina está saindo de uma festa e surgem vários cartazes de O que terá acontecido a Baby Jane? e o trabalho com desenhos que acabam ilustrando as cenas do filme também é muitíssimo bem feito.
Se eu elogiar demais vai parecer que eu aprovei o filme em todos os aspectos, não é verdade, porque acho que em certos pontos deixa um pouco a desejar, mas mesmo assim é muito bem redigido e merece a atenção do público, embora eu tenha lido mais coisas negativas do que positivas sobre Nina, eu recomendo.
Uma das cenas que mais me chamou a atenção é logo no início quando Nina vai trabalhar drogadíssima e acaba resolvendo largar o emprego de garçonete, ela é a típica personagem que só se fode, mas seu maior tormento é realmente a sua hospedeira, tanto que ela acaba cometendo o crime que em seguida acarreta o castigo, que tem consequências muito mais psicológicas do que de qualquer outro tipo.
Algo que também me pareceu bem criativo e bem construído é que o filme não cria muitos vínculos, não explica quem é Nina, de onde ela surgiu, e porque precisa estar passando por todas aquelas coisas, mas mesmo assim acabamos nos apegando a personagem.
O elenco conta ainda com micro-participações que eu não entendi muito bem, já que são atores consagrados fazendo pontas, como Renata Sorrah, Matheus Nachtergale, Lázaro Ramos, Wagner Moura, Selton Mello e Ailton Graça, a maioria deles nem chega a falar.
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Sábado, Novembro 06, 2004
FLOR SILVESTRE(MÉXICO, 1943)
Flor Silvestre foi a primeira obra importante do diretor mexicano Emilio "El Indio" Fernandez, que agora em 2004 quando se celebra 100 anos de seu nascimento, vários de seus filmes voltam a ser exibidos em mostras especiais.
O filme é considerado como um dos mais belos e emblemáticos do cinema mexicano, conta a história de Jorge Luiz, filho de um rico fazendeiro que se apaixona e se casa com uma camponesa, desperta a ira de sua família que não aceita a relação e acaba o deserdando, isso tudo situado nos anos 20.
Pode se dizer que Flor Silvestre é um filme quase folclórico, cheio de caracteríscticas mexicanas tanto na música, nos figurinos, enfim nos costumes do povo em geral, aliás as semelhanças entre o filme e uma novela mexicana qualquer são muitas, existe o drama em excesso, as caricaturas nos personagens, enfim, vários elementos que permitem traçar um paralelo entre as duas coisas.
Outras características do cinema da época também se fazem presente no filme, ele é protagonizado pela famosa Dolores del Rio que em todas as cenas, mesmo que esteja dormindo ou doente aparece sempre maquiadíssima e com um par imenso de cílios postiçoes. Completam o elenco Pedro Armendáriz e o próprio diretor Emílio Fernandez.
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Quinta-feira, Novembro 04, 2004
Minha Vida sem Mim(Canadá/Espanha 2003)
Não se pode dizer que Minha Vida sem Mim é um grande filme, mas com certeza é uma agradável surpresa, eu não esperava muito dele, tanto que acabei deixando para assistir só agora que saiu em DVD.
Tá certo que o filme que é dirigido pela diretora espanhola Isabel Coixet e que tem os nomes de Augustin e Pedro Almodóvar como produtores executivos, o que ajuda bastante a vender o filme, pode até forçar um pouco o sentimentalismo e o melodrama, mas nem sempre um pouco de pretensão faz mal, e o filme oferece um resultado bem razoável, e tem ainda diversos takes e enquadramentos bem ousados.
O tema já é batido, e nem é tão bem explorado assim, mas o melhor de tudo é que a protagonista narra tudo em off de uma maneira que torna o filme criativo, e chegou até a me lembrar o livro de Paulo Coelho Veronika decide morrer, a história fala de uma mulher que aos 23 anos, com duas filhas pequenas, trabalha como zeladora, é casada com um homem que trabalha fazendo piscinas e pra completar ainda mora num trailer no quintal da mãe, não parece até aí levar uma vida muito atraente, mas certo dia acaba passando mal e no hospital descobre que está sofrendo de câncer em estado terminal, ao que tudo indica o filme poderia começar a partir daí um mar de lágrimas e sofrimento, mas ao invés de lutar contra a doença a moça resolve aproveitar os meses que lhe restam com uma lista de coisas a fazer antes de morrer, onde inclui gravar mensagens para o aniversário das filhas até os 18 anos, arrumar uma nova mulher para o seu marido, rever o pai preso há 10 anos e fazer um novo homem se apaixonar por ela.
Eis que ela acaba realizando tudo que listou, acaba se envolvendo com um homem solitário, interpretado por Mark Ruffalo de Brilho Eterno de uma mente sem lembranças, esse relacionamente acaba ficando um pouco superficial, mas ainda assim não compromete o desempenho do filme e muito menos dos atores que estão todos muito bem, aliás a protagonista é vivida por Sarah Polley, uma boa surpresa para o cinema, ela vem ganhando bastante destaque depois de ter estrelado o divertido Madrugada dos Mortos.
No elenco ainda estão Leonor Watling de Fale com Ela, Scott Speedman do seriado Felicity, Maria de Medeiros e Alfred Molina.
Enfim, é um filme bacana, no qual é bom mesmo assistir quando não se espera nada dele e cujo o principal e mais clichê dos objetivos é dar mais valor a vida já que nunca se sabe o dia de amanhã.
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Quarta-feira, Novembro 03, 2004
Concerto Campestre(Brasil, 2004)
Há alguns anos lembro de que a cidade onde eu morava parou porque lá iriam acontecer as filmagens do filme Concerto Campestre, pois bem, depois de vários acertos eis que o filme começou a ser rodado em Pelotas, ele é adaptado de um livro que justamente se passa nas Charqueadas da cidade lá pelo anos de 1850, a princípio não dava pra saber muito o que se esperar do filme, eu não havia lido o livro, mas sempre ouvi falar bem dele e que inclusive tomava alguns rumos shakesperianos.
Mas como já é de prache adaptar livros no cinema não é fácil, e Concerto Campestre acaba sendo um desastre total, não só pelo roteiro fraco, mas pela produção de arte, direção e a fotografia péssima, do elenco nem há o que falar muito, Leonardo Vieira é o protagonista, ele não é mau ator, inclusive já fez várias coisas interessantes na televisão mas ele não consegue convencer de maneira alguma como maestro, Samaro Felipo não chega a ser ruim, mas é insosa, era preciso uma atriz com muito mais personalidade para o papel, salvam-se então Antonio Abujanra apesar de estar caricato demais e a veterana atriz gaúcha Araci Esteves que talvez seja um dos poucos motivos para ver o filme.
É a segunda produção gaúcha que vejo este ano e me desagrada por completo, a anterior foi Noite de São João, que também foi feito lá pelas bandas de Pelotas, em Rio Grande, e se assemelha em vários aspectos com essa, inclusive pela história.
A história de Concerto Campestre não chega a inovar em nenhum momento, fala de um fazendeiro que resolve montar uma orquestra de Câmara, chama então o maestro Miguel vivido por Leonardo Vieira, o maestro tem fama de mulherengo e é advertido várias vezes para que não se aproxime da filha do chefe, mas a paixão é inevitável, e ele e Clara(Samara Felipo) acabam tendo um caso e a moça engravida, depois disso já se pode imaginar o resto.
O filme vem sendo vendido como a maior produção gaúcha de todos os tempos, mas parece ter custado pelo menos três vezes menos do que custou, tinha tudo para dar certo, mas infelizmente falhou, falhou na hora de colocar gente competente pra trabalhar, principalmente um bom diretor de fotografia.
O pior ainda fica guardado pro final com um "show de horror" nos efeitos especiais. Acho que o Rio Grande do Sul tem condições de produzir coisas muito melhores para mostrar para o Brasil, quem sabe com as 3 faculdades de Cinema que já existem aqui em Porto Alegre daqui há alguns anos ótimas surpresas comecem a surgir.
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FILMES DO FERIADÃO
Bom amigos estou de volta, acabei não vendo tantos filmes como eu gostaria no feriado, mas vou comentar aos que assisti.
PASOLINI, O DELITO ITALIANO(Itália, 1995)
Marco Tullio Giordana dirigiu esse filme italino que tem um tom documental sobre o assassinato do diretor e poeta Pier Paolo Pasolini no ano de 1975, o filme é fraco, tenta descobrir, reconstituir e investigar o caso, mas sem chegar a lugar nenhum.
O IMPÉRIO DOS SENTIDOS(Japão, 1975)
Foi com certeza o melhor filme que assisti no feriado, é um drama erótico, que mostra cenas de sexo explícito mas sem nunca cair no vulgar, e é a história verídica da prostituta Sada que vive um intenso caso de amor com um homem casado, o filme conta ainda com uma cena memorável quando o homem enfia um ovo para dentro da mulher e ainda um final arrebatador.
O REI PASMADO, E A RAINHA NUA(Espanha, 1991)
Apesar do excelente elenco com Joaquim de Almeia, Maria Barranco, Eusebio Poncela e Fernando Fernan Gomez o filme deixa bastante a desejar, a produção e a dir~ção de arte é muito bem construida, mas falta alguma coisa o tempo inteiro quando se fala de história, a premissa é a seguinte, o jovem rei ao ver o corpo nu de uma prostituta fica pasmado, e resolve querer ver também a rainha nua, o clero faz de tudo para impedir já que considera isto um grande pecado que pode mudar todos os rumos da nação.
OS AMANTES(Espanha, 1991)
O filme de Vicente Aranda(Paixão Turca) é excelente, um dos melhores que já dirigiu, é inspirado em um fato real, e narra a história de um homem noivo de uma mulher apaixonada e submissa, mas assim que se muda para Madri se envolve com sua hospedeira vivida por Victoria Abril, a história se passa nos anos 50, e durante quase todo o tempo o clima é de filme noir.
NOUVELLE VAGUE(França, 1990)
Ao contrário de seu filme Acossado, um dos principais ícones do nouvelle vague, Godard dessa vez parece forçar um gênero que antes fluia naturalmente, e isso acaba sendo o grande problema deste filme que tem sim um emaranhado de imagens, sons e frases muito interesantes, mas aquilo que se entende por história falta, falta o tempo inteiro, ainda assim Godard conseguiu realizar um desfecho incrível para seu filme.
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