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Quinta-feira, Março 31, 2005
O GRITO MUDO
Tenho notado que o ibope do meu blog está bem em baixa últimamente, talvez eu mereça mesmo isso porque quase nunca comento no blog de ninguém, sou um preguiçoso, hoje juro que irei comentar, por esse motivo talvez é que eu esteja postando algo todo o dia e como ontem falei de O Chamado 2(blerghhhhh), como forma de redenção vou falar de alguns filmes expressionistas.
Nosferatu(de FW Murnau, Alemanha, 1922)
Nosferatu é um dos mais lembrados filmes do expressionismo alemão, e é aclamado como uma das primeiras obras de terror já produzidas, FW Murnau usou o romance Drácula de Bram Stoker para fazer seu filme, e iria inclusive chamar o filme de Drácula, mas como o próprio Bram Stoker não permitiu o uso do nome, Murnau alterou o nome para Nosferatu, soa bem mais original.
Diferente de O Gabinete do Dr Caligari por exemplo, Nosferatu tem a maioria de suas locações externas e planos mais abertos, a fotografia sim é bem característica do expressionismo, fazendo um uso constante da luz e da sombra.
A história já é bastante conhecida, até porque em 1992, Copolla levou para as telas a sua versão do livro, o filme é bem parecido com Nosferatu, pelo menos na história, o vampiro que vive em um castelo na Transilvânia se apaixona pela noiva de seu hóspede, e percorre uma viagem de navio atrás dela, no navio toda a tripulação morre, exceto, claro o vampiro.
Murnau gostava de explorar o obscuro, tanto que também dirigiu Fausto, baseado na obra de Goethe, ainda em sua fase expressionista. Grande mérito do filme, além claro da ótima direção, trilha e fotografia, se deve ao trabalho do ator Max Schreck que interpreta o Conde Orlok ou Nosferatu, diz a lenda que ele jamais aparecia diante de alguém da equipe ou do elenco sem estar caracterizado como o vampiro, aliás pra quem se interessar pelos mitos criados durantes as filmagens deste filme é bom assistir A Sombra do Vampiro, de John Malkovich.
O Gabinete do Dr Caligari(de Robert Wiene, Alemanha, 1919)
De todos os filmes expressionistas que assisti, este é sem dúvida o meu preferido, um filme que é extremamente metafórico, chegou a causar muita polêmica e comparações, o sonâmbulo que é comandado por Caligari e que mata foi na época comparado aos soldados inocentes que durante a primeira guerra eram obrigados a matar para preservar a própria vida.
Uma metáfora muito sutil, mas ainda assim incrível, a comparação maior veio em seguida, quando pessoas passaram a adotar o termo "caligarismo" e compararam Caligari e Hitler, graças ao poder de manipulação de inocentes.
O que o filme tem de mais inovador são seus cenários, quase todos obras de arte que muito bem poderiam ser vistos como um quadro expressionista, foi uma das primeiras vezes que houve uma preocupação tão grande com a ambientação no cinema e graças a isso o filme segue sendo um referência arquitetônica até hoje.
Um filme muito bom, sobre perversidade e manipulação onde o bom além de admirá-lo pela estética é poder interpretar suas metáforas.
Metrópolis(de Fritz Lang, Alemanha, 1926)
Este certamente é o maior clássico do diretor alemão Fritz Lang, considerado um dos primeiros filmes do gênero ficção científica na história do cinema, talvez o primeiro mesmo tenha sido Viagem a Lua de Melies.
A história de Metrópolis se passa no ano de 2026, exatos 100 anos após o lançamento do filme, Fritz Lang mostrou sua visão futurística de mundo, com uma estética linda, melancólica e decadente onde tudo era comandado pelas máquinas.
É um filme que tem uma visão de futuro pessimista, mas bastante realista e claro falando de coisas que sempre exisitiram como a injustiça entre as classes sociais.
Há claro um mocinho na história, o filho de um dos aristocratas, apaixonado por Maria, a bela jovem que defende os trabalhadores e faz discursos de paz para eles, até que o cientista louco cria um robô clone da mulher que vem para despertar a raiva de todos, a destruição em massa.
Metrópolis serviu como referência e inspiração para vários outros filmes, como Blade Runner, outro clássico do gênero, sua estética peculiar é até hoje copiada sem muita originalidade.
Impossível também não comentar sobre os efeitos especiais, a cena em que um robô ganha as feições de Maria é ousada e convicente para a época, as cenas com raios e vários outros efeitos também foram bastante inovadores no cinema.
Mo, o Vampiro de Dusseldorf(de Fritz Lang, Alemanha, 1932)
Pra encerrar mais um filme de Fritz Lang, mas esse não vale para o título do post, já que é falado, segundo minha professora um dos últimos filmes expressionistas feito, eu nem chamaria ele de expressionista, mas já que dizem vale falar dele nesse mesmo post.
O filme também tem essa visão pessimista de mundo, é um tanto obscuro, ele conta a história de um homem que mata criancinhas, todas meninas, em momento algum é mencionado que se trate de um pedófilo, mas isso parece ser um tanto óbvio.
Uma das melhores cenas é no final, quando ele o assassino dá um discurso ao povo que pretende matá-lo fazendo justiça com as próprias mãos, mas é um filme obscuro, de muita luz e sombra, e cheio de coisas boas, que vale a pena ver.
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Quarta-feira, Março 30, 2005
O Chamado 2(The Ring 2, EUA, 2005)
Quando O Chamado foi lançado em 2002, chegou fazendo barulho, era o remake de um filme de terror japonês, claro bem melhor acabado, com produção mais cara, e elenco hollywoodiano, encabeçado pela ótima Naomi Watz, o filme parecia mudar um pouco o horror do cinema, todos já estavam cansando do mais do mesmo de sempre, mas enfim, O Chamado é até razoável, não chega a ser ruim como a maioria dos filmes de terror, mas é esquecível, eu mesmo lembro de pouca coisa.
Assistindo a O Chamado 2, minha memória até deu uma refrescada e lembrei de certos detalhes do primeiro filme, esse é claro é bem inferior, tudo é muito parecido, toda a novidade que o filme poderia oferecer já foi usada no primeiro, ou seja não sobra muita coisa.
A maldita fita que 7 dia depois mata quem a assiste volta a assombrar, quando Rachel(Naomi Watz) fugiu com o filho no final do primeiro filme, pensou que tivesse se visto livre da maldição, mas ela volta, e pra variar mata um adolescente no início do filme(assim como todos os filmes de terror).
Aos poucos Rachel vai se dando conta de que a maldição de Samara Morgan está de volta, e ela não os deixará em paz, dessa vez não se contentará apenas em matar o filho de Rachel, o que ela quer é se apoderar do corpo do menino.
Acho que o único mérito do filme, que é dirigido por Hideo Nakata, que fez a trilogia original, é de que mantém o suspense em vários momentos, e inclusive dá pra ser bem otimista se for comparado a versão original Ringu 2, é realmente bem melhor, a versão japonesa é um tanto patética, Ringu 0 ainda é o pior de todos.
Mas o filme está cheio de coisas falsas como uma perseguição por veados, não sei se foi só eu, mas aquela eu não engoli, é patético, os animais parecem robozinhos, mas tem uma cena boa que é a da água no teto.
Eu fico realmente triste quando vejo uma atriz do porte e do talento de Naomi Watz atuando em um filme com essa, mas faz parte($$$$). Eu que as vezes sou curioso demais acabo sendo levado pela curiosidade e vou assistir filmes de terror ou coisas que eu já sei que não irei gostar, hoje bem menos do que há um tempo atrás, mas mesmo assim assisto. No final do filme, quando a luz acendeu e os créditos começaram a subir na tela eu ouvi alguém da cadeira atrás de mim exclamar "muito bom!!", sim, provavelmente muitas pessoas irão gostar, mas não é o meu caso.
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Terça-feira, Março 29, 2005
Herói(China, 2002)
A primeira coisa a ser dita sobre Herói, é que ele é plasticamente impecável, aliás tudo o que o filme ele deva a estética e fotografia, apenas o roteiro não seria capaz de segurá-lo.
Herói que chegou com um relativo atraso aqui no Brasil, em 2003 foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro representando a China, iria estreiar no ano passado e mais uma vez foi adiado até finalmente chegar aos cinemas agora em março.
O filme narra as batalhas do herói sem nome, interpretado por Jet Li, que volta as suas origens depois de fazer muita merda hollywoodiana, ele chega a corte do Rei Qin junto das espadas de seus maiores inimigos, que no passado tentaram matá-lo, Neve, Espada Quebrada e Céu, afirma que os matou e reclama por sua recompensa.
O rei não confia totalmente no herói, já que pode se tratar de um assassino, e assim várias versões da mesma história são contadas, cada uma representada por uma cor diferente, o que torna o filme e sua fotografia ainda mais interessantes, aliás o fotógrafo é Cristopher Doyle, o mesmo do excelente Amor a flor da pele.
Vale lembras que o filme de Zang Ymou apesar de ser uma obra de ficção é baseado em fatos históricos reais, quando a China ainda era dividida em 7 reinos, o que é bastante importante para o desfecho do filme.
É inevitável também uma certa comparação de Herói com seu conterrâneo O Tigre e o Dragão, filme de que eu particularmente não gosto, na verdade as semelhanças que tem com Herói é que O Tigre também é um filme sobre artes marciais e com lutas esvoaçantes, de resto Herói é um filme muito mais completo, não diria sensível porque acho que falta um pouco de emoção, é um filme muito mais sobre traição.
É uma pena que da cultura chinesa a maioria de nós apenas conhece a culinária, por isso certas coisas podem passar batidas perante nossos olhos, mas é bom identificar o máximo de referências possíveis, principalmente uma certa homenagem aos filmes de Akira Kurossawa, que o filme parece fazer.
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Segunda-feira, Março 28, 2005
TOP 10 CINEMA NACIONAL
Em todo este tempo de blog já fiz diversas listas, mas não me perguntem porque ainda não tinha feito uma com os melhores filmes brasileiros, pois bem, pensando no que postar resolvi finalmente colocar esta lista, os melhores filmes na minha modesta opinião. Claro que tem muita coisa de difícil acesso que ainda não assisti e acredito sejam coisas muito boas, espero poder ver em breve!
1- DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL(de Glauber Rocha, 1963)
2- TERRA ESTRANGEIRA(de Walter Salles e Daniela Thomas, 1995)
3- MEMÓRIAS DO CÁRCERE(de Nelson Pereira dos Santos, 1984)
4- CARLOTA JOAQUINA(de Carla Camurati, 1995)
5- TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA(de Arnaldo Jabor, 1973)
6- A MEIA NOITE LEVAREI SUA ALMA(de Zé do Caixão, 1964)
7- O QUE É ISSO COMPANHEIRO(de Bruno Barreto, 1997)
8- CIDADE DE DEUS(de Fernando Meireles, 2003)
9- O BEIJO DA MULHER ARANHA(de Hector Babenco, 1985)
10- MADAME SATÃ(de Karin Ainouz, 2002)
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Domingo, Março 27, 2005
voltando...
já cheguei em casa, não tenho muito o que postar, pelo menos não agora, amanhã retomarei os posts no blog, o feriado pra mim foi bem proveitoso, entre quarta e domingo assisti quase 20 filmes, não vou comentar todos agora pois falta um pouquinho de paciência, mas vi coisas como O Sétimo Selo do Bergman, Roma Cidade Aberta, A Rosa Púrpura do Cairo, Amor e Restos Humanos, Eu te Amo do Arnaldo Jabor, Pavor nos Bastidores do Hitchcock, Paixão Turca entre vários outros, depois vou postar com mais calma no blog, provavelmente amanhã!
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Terça-feira, Março 22, 2005
Estou indo viajar amanhã, passar o feriado com a família porque já estou com saudades, mesmo assim é possível que eu atualize o blog de lá, quero pegar muitos filmes, coisas que ainda não assisti e coisas que quero rever e que depois vou comentar calmamente no blog, por enquanto pra não ficar muito tempo sem atualizar vou falar brevemente sobre alguns filmes que assisti nestes últimos dias.
Bom, e para a pessoa que se identificou como ALGUÉM nos comentários do post abaixo sobre música eu só tenho uma coisa a declarar, HAHAHAHAHAHHA, isso não existe, só pode ser piada!
Cidadâo Kane(EUA, 1941)
Cidadão Kane encabeça as listas de melhores filmes de muita gente, também pudera, é considerado como uma das maiores obras primas já feitas para o cinema, Orson Welles que dirigiu, atuou e co-roteirizou o filme, inovou muito no estilo de narrativa entre outras coisas, é um filme satírico e ácido, com cenas antalógicas. O próprio Welles não era nenhum pouco modesto dizia que era inovador porque ele não via muitos filmes e assim tinha muito mais idéias e não copiava dos outros, não sei se essa teoria dele era muito certa, mas seu filme conseguiu se tornar um marco histórico.
Decameron(Itália, 1971)
A adaptação de Pasolini para a obra de Giovani Bocaccio é realmente muito boa, o ruim é que parece que será feito um novo Decameron lá pelas Terras do Tio Sam. Mas o do Pasolini é realmente muito bom, com ótimos momentos, ele obviamente escolheu os contos mais fetichistas para adaptar, um dos melhores é o do jardineiro mudo que é atacado por todas as freiras do convento onde trabalha.
Roubando Vidas(EUA, 2003)
Só assisti a esse filme por uma razão, que um amigo meu esqueceu na minha casa e eu não tinha nada pra ver e resolvi me arriscar, é péssimo, o clichê do clichê, mais do mesmo!! Angelina Jolie está perdida, dando rumos totalmente equivocados a sua carreira, e Etan Hawke também não deveria estar aqui. O filme repete todas as fórmulas dos thrillers que conhecemos e ainda acha que está sendo original, sendo que dá pra matar o final e todo o resto logo no início!
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Segunda-feira, Março 21, 2005
Playlist dos Últimos Dias
Pra fazer juízo ao "More..." do título do blog, vou fazer uma coisa que já fiz mas há tempos não faço, uma pequena listinha das músicas que mais tem grudado nos meus ouvidos últimamente e que volta e meia eu saio cantarolando por aí, a trilha sonora da minha vida nestes últimos dias, um tanto melancólica eu diria....
1 The Mars Volta - The Widow
2 Bloc Party - Helicopter
3 The Arcade Fire - Neighborhood # 2(Laika)
4 Le Tigre - Deceptacon
5 The Killers - Somebody Told me
6 Moby - Lift me Up
7 Los Bravos - Black is Black
8 Massive Attack - Three
9 The Vines - Outtathaway
10 Interpol - Slow Hands
11 The Postal Service - This place is a prision
12 Placebo - Centrefolds
13 Death from above 1979 - Blood on our hands
14 John Frusciante - Going Inside
15 Radiohead - No Surprises
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Sábado, Março 19, 2005
Diretor do Dia: David Lynch
David Lynch é daqueles diretores que se ama ou se odeia, mas ele consegue o que muitos tentam e de maneira alguma conseguem, criar seu próprio universo, um universo particular, muitas vezes totalmente abstrato.
Lynch nasceu em 1946 em Montana nos Estados Unidos, estudou na Escola de Artes de Washington, já que suas primeiras aspirações profissionais eram como pintor, coisa que ele inclusive ainda é, quando ingressou na Academia de Belas Artes da Pensylvania começou a realizar suas primeiras experiências cinematográficas, ele utilizou do ambiente decadente que convivia para criar o curta Six men getting sick, que o próprio define como "57 segundos de desenvolvimento e fogosidade e 3 segundos de vômito".
Seguiu dirigindo vários curtas até que em 1977 surgiu a oportunidade de dirigir e produzir o primeiro longa chamado Eraserhead, o filme obteve bastante sucesso no circuito independente norte-americano, a crítica gostou e o filme abriu muitas portas para Lynch, em 1980 ele iria dirigir aquela que seria a sua primeira grande obra prima.
O Homem Elefante foi baseado em fatos reais, de um homem deformado e que vivia a margem do mundo por causa disso, só servia como atração de circo embora por trás de toda aquela aparência se escondesse uma pessoa verdadeiramente linda. Talvez seja fruto de minha imaginação, mas eu noto semelhanças muito grandes entre O Homem Elefante e o O Gabinete do Dr. Caligary do expressionismo alemão, inclusive estéticamente. O filme foi inteiramente rodado em preto e branco, e já começava a caracterizar David Lynch por trazer elementos estranhos a tona, e obteve um grande êxito, no elenco astros como Anne Bancroft e Anthony Hopkins, o reconhecimento veio com 8 indicações ao oscar, e ainda globo de ouro e 3 prêmios BAFTA.
Em 1984 Lynch levou para as telas a sua versão do romance de Frank Herbert, Duna, na época um grande fracasso de bilheteria, e hoje adorado pelos fãs de sci-fi, embora tenha uma penca de defeitos, esse sem dúvida não é o melhor filme de David Lynch, Duna tem uma estética impressionante e tudo um ar meio gótico, foi em Duna que o diretor trabalhou pela primeira vez com Kyle MacLachlan, que logo viraria uma espécie de "muso".
Posterior a Duna veio Veludo Azul, mais um excelente filme, único, e que descrevia toda aquela atmosfera peculiar de David Lynch, a mistura do real e do irreal, o bizarro que todos guardamos dentro de si, o fantástico e o abstrato. Mas é muito difícil conseguir descrever Veludo Azul, é daqueles filmes que cada um interpreta a sua maneira, é extremamente pertubador. Tudo começa quando o personagem de Kyle MacLachlan encontra uma orelha humana no meio da rua, ele entrega a orelha a polícia mas mesmo assim decide investigar por conta própria, a investigação o leva a Dorothy, personagem de Isabella Rosselini, que protagoniza um dos momentos mais memoráveis do filme, quando interpreta a canção Blue Velvet. Um autêntico filme de Lynch.
E imagine David Lynch dirigindo uma série de TV, Twin Peaks era muito mais do que um programa ou uma série, era uma alucinação psicodélica, um marco na história da tv e da carreira do diretor, algo que não se explica e que um pouco mais tarde, em 1992 originou o longa Os Últimos dias de Laura Palmer.
Em 1990 o diretor realizou Coração Selvagem, filme que lhe rendeu a palma de ouro no Festival de Cannes, é um filme de compreensão bastante simples se comparado a Twin Peaks ou Veludo Azul, mas nem por isso deixa de ser genial, excêntrico e bizarro, no elenco Nicolas Cage e Laura Dern protagonizando o que pode se chamar de visão lynchiana de amor e paixão, mas não é tão romântico quanto pode parecer...
Depois de alguns anos sem rodar nada, e totalmente dedicado a fotografia, o que rende o livro Images, 1997 veio A Estrada Perdida, um filme um tanto confuso, que eu bem me lembre o primeiro de Lynch que assisti, ou seja ele quase não habita mais em minha memória e preciso urgentemente revê-lo, mas aqui a ótima Patricia Arquette interpreta dois personagens, e Lynch nunca esclarece bem quem é quem, deixando vago e ao critério da imaginação de cada um.
História Real estreou em Cannes em 1999 e surpreendeu a todos, onde estava o mundo bizarro de David Lynch? havia ficado totalmente de fora deste filme, que é uma história extremamente simplista e sentimental, um filme muito bonito ao meu ver. O filme é inspirado em fatos reais, decepcionou muito aos fãs mais ardorosos do diretor por não contar com certas extravagâncias, mas é um drama melancólico sobre um velhinho que decide viajar os Estados Unidos em cima de um cortador de grama, no elenco Richard Farnsworth e Sissy Spacek em uma das melhores atuações de sua vida.
Existe muito mais mistérios nos filmes de David Lynch do que se possa imaginar, apenas basta estar disposto a devendá-los, e talvez justamente por isso, para que quebremos nossa cabeça tentando entender alguma coisa foi que ele criou o mundo irreal de Cidade dos Sonhos, um de seus filmes mais surreais e abstratos, uma absurda e complexa viagem a qual precisa querer mesmo embarcar, se não o risco maior é de não gostar do filme.
Cidade dos Sonhos é extremamente onírico um filme que se interpreta da maneira que achar possível, esteja ela certa ou não, em muitas vezes ele pode ser também um pesadelo, mas é enfim um grande filmes, cenas memoráveis como a do Club Silencio jamais irão sair da minha cabeça.
David Lynch é um diretor único, extremamente criativo, e que todos estamos ansiosos para vê-lo dirigindo um novo projeto, já que por enquanto não tem nada concreto, ficaremos esperando por novas obras primas!
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Quinta-feira, Março 17, 2005
Atendendo a pedidos, fiz um banner novo pro blog, espero que gostem, obrigado a Dani que colocou ele aí pra mim, Dani te amo!
Bom, o diretor escolhido de hoje é Almodóvar, estou pensando quem será o próximo.
Pedro Almodóvar
Falar de Almodóvar é sempre muito bom, é um dos meus diretores preferidos, um dos poucos que eu tive a oportunidade de assistir a filmografia completa e um dos que mais me diverte com o seu humor negro e/ou refinadíssimo. O diretor nasceu em 1949 na região de La Mancha na Espanha, como é normal no meio desde pequeno se interessava pela sétima arte.
Aos 16 anos Almodóvar foi tentar a vida em Madri onde se virou como pode e economizou dinheiro suficiente para comprar sua primeira câmera super 8, que lhe deu muitas bases de como aprender a filmar.
Em 1974 rodou aquele que seria seu primeiro curta, seu primeiro trabalho como diretor intitulado Film Político, no mesmo ano ainda realizou Dos putas, o historia de amor que termina en boda, e seguiu incansavelmente dirigindo curtas, em 75 mesmo dirigiu 4, na maioria deles contanto bastante com a ajuda e participação de amigos.
Mas foi em 1980 que Almodóvar dirigiu o seu primeiro longa, aquele que seria aclamado como "filme cult" e um dos mais bizarros e alucinados filmes do diretor, Pepi, Luci, Bom y otras chicas del montón, naquela época Almodóvar vivia em plena "movida madrileña", o que serviu muito de referência e base para o filme, tanto no figurino, musicas, festas, etc... no filme Carmen Maura que depois disso acabou se tornando a grande musa de Almodóvar, vive Pepi, uma cultivadora de maconha e que guarda sua virgindade para ser vendida e poder ganhar muito dinheiro com isso, por isso ela se entrega apenas por "trás", depois de ser estuprada por um policial Pepi jura vingança e tenta fazer isso através de Lucy a mulher do policia que tem desejos um tanto fetichistas, acaba tendo um caso com Bom, interpretada pela famosa cantora espanhola Alaska. Cenas bizarras é o que não faltam neste filme.
O filme seguinte foi Labirinto de Paixões, de 1982 e que definitivamente não está entre meus preferidos, acho que neste Almodóvar se perdeu um pouco, por colocar personagens demais num contexto que não exigia tanta gente assim, mas o filme até tem seus bons momentos, principalmente porque é protagonizado por Cecilia Roth e porque trás Almodóvar "montado" cantando Gran Ganga em uma das cenas, inclusive nessa mesma época Almodóvar formava um duo com o amigo Mcnamara, os dois cantavam meio que vestidos de mulher com um visual um tanto Glam, músicas extremamente absurdas.
Ainda em 1982 Almodóvar escreveu o livro Fogo nas Entranhas que é facilmente encontrado nas livrarias do Brasil, e resolveu levar a sua personagem Patty Diphusa(uma atriz de fotonovelas pornô) mais adiante, publicando um livro com suas aventuras.
Em 1983 já estava tão bem na carreira de diretor que conseguia lançar um filme por ano, o deste foi Maus Hábitos uma crítica a igreja católica, onde freiras cometiam diversas "infrações" como tomar ácido e coisas do tipo, o filme tinha no elenco as divas Carmen Maura, Marisa Paredes e Chus Lampreave.
Antes de lançar Que fiz para merecer isto? em 1984, Almodóvar apresentou um curta na tv, chamado Trailer para los amantes de lo prohibido, ali Almodóvar pirava completamente, contando uma história em forma de musical, o filme tinha no elenco Bibi Andersen e em diversos momentos fazia divulgação para Que fiz..., aliás o longa Que fiz para merecer isto? também é excelente, uma verdadeira comédia bizarra, com o humor negro fortíssimo e que mais uma vez trazia a genial Carmen Maura a frente dos créditos.
Em 1986 Almodóvar inicia uma parceria que daria muito certo, com o ator Antonio Banderas em Matador, Banderas já havia feito participações em Labirinto de Paixões e Entre Tinieblas, mas esse realmente foi seu primeiro papel de destaque. No ano seguinte Banderas também protagonizou A Lei do Desejo, mais um filme do diretor com alto teor homossexual bem alto e que têm uma de suas cenas mais geniais quando toca Ne me quites pas na voz de Maysa.
Uma das maiores obras primas de Almodóvar foi Mulheres a beira de um ataque de nervos, com um elenco impecável, diálogos geniais e divertídissimos, o filme ficaria marcado para sempre com um dos melhores do diretor, e o primeiro que lhe deu grande projeção internacional.
O ano seguinte, 1989, é o ano de Ata-me uma história totalmente inusitada, absurda e com muitos momentos almodovarianos, o filme na minha opinião tem um dos melhores finais dos filmes do diretor e é estrelado por Victoria Abril, Antonio Banderas é a sempre engraçadíssima Loles León.
Depois de dois anos sem dirigir surgiu o premiado De Salto Alto, mais uma vez estrelado por Victoria Abril e Marisa Paredes, uma nova pequena obra prima, fazendo em vários momentos referências aos filmes de Ingmar Bergman, o filme tinha ainda a personagem da drag queen Letal, vivida por Miguel Bosé, um dos personagens mais bacanas de Almodóvar.
É impossível falar de Almodóvar e deixar passar em branco as suas sensacionais trilhas sonoras, nos 4 primeiros filmes por exemplo elas ainda eram mais cômicas, mas a partir de Matador com a ótima Esperame en el cielo, Almodóvar escolhia músicas com um sentimentalismo gigante e que marcariam grande parte dos seus filmes, em Mulheres... as músicas são extremamente dramáticas, Teatro e Soy Infeliz em De Salto Alto as músicas Piensa en mi e Un Año de Amor são lindamente interpretadas por Luz Casal. Outra grande contribuidora das canções dos filmes de Almodóvar é Chavela Vargas com sua voz melancólica ela já interpretou Luz de Luna, En el ultimo trago e Somos.
Mas continuando pela ordem cronológica dos filmes, 1993 foi o ano de Kika, deixando de lado o tom investigativo e noir de De Salto Alto e voltando as comédias bizarras, Kika trazia Verónica Forque como a personagem título, e contava a história de uma maquiadora que tinha a vida cruzada com vários outros personagens, no elenco a exótica Rossy de Palma e Victoria Abril como uma das personagens mais divertidas e bizarras da história do cinema, Andrea Caracortada.
Dois anos depois de Kika, Almodóvar entrava em um gênero ainda não muito explorado por ele, e fazia o mais sentimental de seus filmes até então, A flor do meu segredo com Marisa Paredes e Chus Lampreave.
Em 1997 Almodóvar mostrou um amadurecimento tremendo e rodou Carne Trêmula, um filme realmente incrível, extremamente sensível e que deixava quase totalmente de lado os elementos que sempre o caracterizavam, o humor refinado e subentendido. Era realmente uma obra prima o primeiro de seus filmes totalmente dramáticos e talvez o melhor de todos eles
1999 rendeu a Almodóvar o Oscar de Filme Estrangeiro pelo maravilhoso Tudo sobre minha mãe, a consagração completa de um diretor em um filme sensível mas que ainda conseguia ter elementos bizarros que caracterizam o Almodóvar mais antigo, diálogos extremamente inteligentes e sensíveis, uma homenagem a All about Eve começando pelo título e acabando nas diversas citações. O filme foi protagonizado pela excelente Cecilia Roth que sempre havia feito pequenas participações nos filmes do diretor, mas até então só havia protagonizado Labirinto de Paixões.
Depois de deixar o público esperando ansiosamente por um novo filme, em 2002 chegou o melodramático Fale com Ela, uma história melancólica sobre 2 mulheres em coma e que rende momentos memoráveis, e ainda conta com uma trilha muito brasileira, com Elis Regina e Caetano Veloso.
O último filme do diretor não foi a sua superação, Má Educação deixa um pouco a desejar, talvez porque seja inevitável uma cobrança maior da parte de um gênio que já nos presenteou com tantas obras primas, para Má Educação Almodóvar chamou o mexicano Gael García Bernal que vinha do auge da carreira e interpreta a travesti Zahara e o ator Juan.
O próximo projeto de Almodóvar deverá se chamar Volver, ainda não se sabe muito sobre ele, apenas que será uma história de mulheres e no elenco terá Chus Lampreave e Penélope Cruz de quem eu não gosto muito a não ser em Carne Trêmula.
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Quarta-feira, Março 16, 2005
Quarta-feira pipoca
Hoje decidi tirar a tarde para ver filmes bem comerciais, as vezes minha curiosidade é tão grande que sinto uma necessidade imensa de assistir, mas é claro, minha curiosidade não é tão grande e tem porcarias não assisto de jeito nenhum, os filmes de hoje foram o remake de Massacre da Serra Elétrica e Constantine. Amanhã se possível darei continuidade a série dos diretores.
O Massacre da Serra Elétrica(EUA, 2003)
Pra comemorar os 20 anos da versão original de O Massacre da Serra Elétrica, o filme ganhou esse remake, pra mim já era óbvio, seria impossível superar o original de 1973, e é claro que isto não acontece.
O Massacre da Serra Elétrica de 73 é um clássico do gênero, uma obra prima do cinema trash, este funciona apenas como uma homenagem e até que rende bons momentos, embora o roteiro tenha várias alterações.
A história do filme é inspirada em fatos reais, algo que realmente aconteceu, e que só podia ter sido nos Estados Unidos, enfim, um grupo de jovens, mocinhas peitudas e seus namorados bombados estão indo para um show de rock(no original estão indo para uma casa de campo), até que uma mulher atravessa o caminho, eles oferecem carona e ela acaba se matando dentro do carro, aí então desencadeia todos os acontecimentos que cercavam o filme original.
O filme tem uma fotografia e planos ok, e muita carnificina, só que não aquela carnificina fake do filme de 1973 é tudo um pouco mais real, o que as vezes acaba irritando e outras causando um pouco de repulsa.
Em tempos que o culto ao trash está cada vez mais em alta acho que o filme vêm muito bem, não é de todo mau, bem pelo contrário, é um dos menos piores filmes de terror que assisto desde Madrugada dos Mortos, pena que é preciso usar uma idéia de um outro filme para fazer algo mais ou menos bom, mas assim é o cinema de terror.
A família de freaks que existe no filme original parece que agora cresceu um pouco, no filme original tem Leatherface o pai e mais alguém que não lembro, aqui ela parece estar bem maior, e o final deste não é igual, o que me decepcionou um pouco, já que o verdadeiro final de O Massacre da Serra Elétrica é genial, com a mocinha toda ensaguentada dentro de uma caminhonete.
Todo o filme me fez pensar muito em uma coisa, preciso urgentemente comprar uma camiseta com o lendário vilão Leatherface estampado.
Constantine(EUA, 2005)
Vi Constantine, já sabendo que não iria gostar, e enfim nem tenho muito o que falar sobre ele, Keanu Reeves realmente resolveu abandonar os papéis sérios... este Constantine é adaptação para as telas da HQ(mais uma!!!) Hellblazer, e conta a história de Constantine um homem que tem o dom de vagar entre dos mundos, este em que vivemos e o inferno.
Constantine se dedica a matar demônios, aliás a primeira cena do filme lembra um pouco O Exorcista só que claro, bem mais sofisticada, a sua mocinha é Rachel Weiz, o filme só não decepciona digamos pelos efeitos especiais, mas como eu sou suspeito para falar de filmes assim, já que não gosto de jeito nenhum, é possível que agrade, eu mesmo não conhecia nada sobre o personagem da HQ.
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Terça-feira, Março 15, 2005
Sei que últimamente ando um tanto descuidado com meu blog, não tenho comentado todas as coisas que vejo e nem postado muito, mas entendam-me por favor, pra mim é muito prazeroso fazer este blog, atualizá-lo e pensar em novos posts, mas as vezes falta tempo ou até mesmo ânimo já que a faculdade me cansa e certas coisas me deprimem, mas decidi então começar a partir de hoje uma série de diretores, vou escrever textos sobre alguns diretores de que gosto muito e nada mais justo começar por aquele que é figurinha carimbada do blog, o meu diretor preferido de todos os tempos, Luis Buñuel.
Luis Buñuel
Buñuel nasceu no ano de 1900 na Espanha, antes mesmo dos 25 anos já se relacionava muito amistosamente com gênios como Garcia Lorca e Salvador Dali, claro Buñuel também era um deles, um gênio, mas não da literatura ou pintura e sim da sétima arte, o cinema.
Em 1929 realizou o curta Um Câo Andaluz na França, este foi seu primeiro filme, 2 dias antes do término das filmagens, o amigo Salvador Dali resolveu se incorporar no projeto e deixá-lo ainda mais surrealista, na época do lançamento o filme foi considerado escandaloso e não obteu nenhum sucesso, bem pelo contrário levou muitos ovos podres, hoje em dia é uma obra prima, um marco para o cinema de arte e o grande precursor do cinema de vanguarda.
Posterior ao Câo Andaluz que é um filme extremamente debochado, onde Buñuel já revela várias de suas características como o deboche e a grande crítica a burguesia vem A Idade de Ouro, também feito com o amigo Dali, é uma experiência surreal ainda mais radical e que junto um apanhado de imagens non sense que se assemelham muito a um sonho, ou pesadelo dependendo do ponto de vista.
Em 1933 Buñuel se jogou ainda mais na crítica a sociedade e o sistema com o documentário Terra sem Pão, esse documentário inclusive é encontrado nos extras do dvd de Os Esquecidos, depois disso deixou de rodar por um bom tempo, se mudou para o México onde em 1947 iniciou a sua gloriosa fase mexicana, começada por Gran Casino(com Libertad Lamarque) e El Gran Calavera, ambos filmes difíceis de se encontrar e que por isso não assisti, enfim, em 1950, quase 20 anos depois de Um Cão Andaluz, Buñuel surge com uma de suas obras mais geniais, lembrada até hoje por se tratar de uma crítica voraz a sociedade e de ser um filme totalmente pessimista, Os Esquecidos.
Entre 1951 e 1952 rodou várias coisas, a maioria de difícil acesso, ainda neste último ano rodou sua versão para a obra imortal de Daniel Defoe, Robinson Crusoé, na minha opinião, um dos mais fracos de seus filmes, ainda assim, marcaria bastante a carreira do diretor, é um dos únicos filmes do diretor falado em inglês(o outro foi The Young One, de 1960), uma co-produção entre EUA e México, também foi o primeiro filme colorido que dirigiu, o que falta nele são aqueles elementos característicos do mestre, o único que realmente faz lembrar o Buñuel dos ótimos filmes é um sonho do protagonista, Luis Buñuel adorava colocar sonhos em seus filmes.
Voltou a filmar em preto e branco com o fantástico O Alucinado ou simplesmente El, uma de suas obras mais pessoais e o que ele sempre declarava entre todos que dirigiu ser seu filme preferido.
Abismos de Paixão foi mais uma adaptação que Buñuel resolveu fazer, dessa vez para O Morro dos Ventos Uivantes, é um filme interessante ainda que em aspectos técnicos deixe muito a desejar, em seguida mais uma de suas grandes obras primas, Ensaio de um Crime um filme de humor negro estrelado por Ernesto Alonso.
Depois começou sua fase francesa com Cela s'apelle l'aurore, e alguns anos depois voltou ao México onde rodou Nazarín premiado em Cannes, e na Espanha realizou o grande Viridiana, estrelado por Silvia Pinal e Fernando Rey, mais uma crítica voraz a burguesia e a religião, também ganhou a palma de ouro em Cannes.
No ano seguinte de Viridiana, em 1962 veio O Anjo Exterminador, no México, uma de suas obras mais complexas e que reune grande parte dos elementos que sempre costumava usar, inclusive várias coisas de O Cão Andaluz também são identificadas aqui, uma verdadeira obra prima!
A fase francesa de Buñuel foi realmente reconhecida com A Bela da Tarde, estrelado pela musa Catherine DeNeuve, realmente da fase francesa este é o melhor de seus filmes e conta com coisas também muito característica, como os próprios sonhos da protagonista. Deneuve voltou a atuar com Buñuel em Tristana onde mais uma vez voltava a abordar o tema de uma jovem com um homem mais velho, como já havia feito em Viridiana.
O término de sua carreira foi marcado por grandes obras, O Discreto Charme da Burguesia, O Fantasma da Liberdade e seu último filme, Esse obscuro objeto de desejo de 1977, e que teve as filmagens muito tumultuadas, já que foram interrompidas no terceiro dia quando Marta Scheneider foi substituida por Angelia Molina e o assédio da imprensa fez com que Buñuel ameaçasse levar as filmagens a Portugal, mas felizmente tudo acabou correndo bem.
Nos últimos anos de sua vida, o mestre se dedicou a fazer uma viagem interior, e escrever sua autobiografia chamada O Último Suspiro, que vale muito a pena ser lida.
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Segunda-feira, Março 14, 2005
Sobre Café e Cigarros(EUA, 2003)
O diretor Jim Jarsmuch deveria ganhar um prêmio só pelo nome do filme que é realmente muito bom, e Sobre Café e Cigarros é um filme inusitado mas sobre coisas comuns, ou seja, estar sentando onde quer que seja tomando café, fumando um cigarro e conversando, dialogando sobre os mais variados assuntos.
O filme é uma série de 11 curtas, o primeiro deles inclusive foi rodado em 1987, é um dos mais alucinados, quase surrealista com Roberto Benini. O diretor teve o ato louvável de juntar muita gente bacana no mesmo filme e falar de temas muito divertidos e fácil de se identificar, pelo menos pra mim.
Outro curta tem Iggy Pop e Tom Waits, mas um dos melhores é sem dúvida o que Cate Blanchett atua, ela e mais ninguém, já que está interpretando a si mesma e contracenando com si mesma, a outra "ela" é uma prima um pouco rebelde, anti-sistema.
Sobre Café e Cigarros é um filme de diálogos, segurado pelos diálogos, já que ele praticamente não tem narrativa alguma e vai do non sense ao papo cabeça em segundos.
Mais um ótimo dos 11 curtas é o que Alfred Molina atua junto de Steve Coogan de A Festa nunca Termina, Molina conversa com Coogan empolgado porque descobriu serem primos distantes, mas Steve Coogan sempre com seu ar blasé britânico troca o nome de Alfred Molina e acha tudo um tanto patético e se nega inclusive a dar o número de telefone, até que um certo Spike liga pro celular de Molina, e era Spike Jonze, aí as coisas mudam um pouco.
Em meio a situações bizarras, Sobre Café e Cigarros é um filme genial, divertidíssimo e que ainda tem no meio do seu elenco Jack e Meg White, do duo bacanissima White Stripes, Bill Murray entre vários outros.
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Quinta-feira, Março 10, 2005
Machuca(Chile, 2004)
Depois de vários meses de espera assisti Machuca, e o mais importante de tudo, a espera valeu, não me decepcionei nenhum pouco com o filme, minha experiência com o cinema chileno não vinha sendo das melhores, até então nenhum filme de lá havia me chamado a atenção, inclusive um mesmo filme do diretor de Machuca, Andres Wood chamado A Febre do Loco é péssimo mas felizmente Machuca acaba sendo exatamente o seu paradoxo.
Situado na década de 70 o filme conta a história de dois meninos, Pedro Machuca e Gonzalo Infante, o primeiro deles é muito pobre e vive numa favela no suburbio de Santiago, ele ingressa numa das escolas mais ricas da cidade e lá sofre preconceito pelo resto dos colegas, mas acaba sendo acolhido por Gonzalo.
Enfim, o filme a primeira vista pode até se parecer uma história sobre crianças como o filme argentino Valentin, mas a diferença é que Machuca vai mais além das crianças ele é muito mais um filme político do que propriamente sobre meninos, já que se passa durante o governo socialista de Salvador Allende e as vésperas do golpe militar de Pinochet.
Machuca é um cinema chileno de qualidade, aquilo que esperei muito tempo pra ver, mas que enfim se concretizou, um filme com as ótimas atuações sensíveis dos jovens atores, com uma trilha sonora muito boa e com um fator histórico incrível, as cenas dos manifestos são realmente muito boas.
O filme também foi o pré-solucionado ao oscar este ano, não foi indicado, mas não importa, oscar não significa muita coisa, aliás o filme em si pode significar bem mais do que esse prêmio medíocre.
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Domingo, Março 06, 2005
ZATOICHI(JAPÃO, 2003)
Zatoichi é um filme genial, não apenas porque consegue ser um misto completo de gênero, mas porque é extremamente divertido e dramático, tudo isso ao mesmo tempo.
Zatoichi conta a história de um samurai e massagista cego, mas que mesmo assim tem habilidade que nenhum outro samurai tem, ele usa toda a sua sensibilidade não só para lutar mas também como meio de sobrevivência, o cego é interpretado pelo próprio diretor, Takeshi Kitano.
O filme tem algumas histórias paralelas mas que aos poucos acabam se interligando a do samurai cego, como por exemplo a de duas gueixas, uma delas na verdade é um menino, que viram os pais serem assassinados e voltam para vingar-se.
Acho que acima de tudo este filme consegue ser uma grande homenagem ao cinema oriental mais antigo, aquele que já inspirou tantos diretores em suas obras.
Não se pode negar que o excelente Kill Bill de Quentin Tarantino acabou ajudando a popularizar filmes como Zatoichi e a carnificina de mentirinha, mas esse filme é extremamente divertido, muito espirituoso.
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Quinta-feira, Março 03, 2005
PRIMEIRO FESTIVAL DE VERÃO DE CINEMA DE PORTO ALEGRE
Ainda não tinha comentando aqui no Blog, mas durante a última semana esteve rolando aqui em POA o Festival de Verão Internacional de Cinema de Porto Alegre, bom eu achei a programação muito mal selecionada, mas vou comentar várias coisas que assisti, algumas boas e outras nem tanto.
SEXTA-FEIRA
Vida de Menina(Brasil, 2004)
O filme foi agraciado com o Kikito no ano passado em Gramado, mas isso não significa que ele seja bom, mas também não é muito ruim, é apenas razoável, conta uma história que não inova nenhum pouco, é inspirado nos diários de Helena Morley, se passa pouco depois que a república foi proclamada e os diamantes em Diamantina estão escassos, o elenco é bem mediano a única que realmente se destaca é a protagonista Ludmila Dayer.
Incautos(Espanha, 2004)
Imaginem uma mistura do argentino Nove Rainhas com o hollywoodiano Onze homens e um segredo, daí sai Incautos, uma história sobre vigarices e golpes altos, os Incautos do título são as pessoas enganadas, começa com Ernesto Alterio narrando um pouco a história da vida, logo entram outros personagens interpretados pelos grandes Federico Luppi e Victoria Abril, nunca se sabe quem está enganando quem. Não é nenhuma maravilha mas dá pra se divertir um pouco.
SÁBADO
Conversaciones con Mamá(Argentina, 2004)
O elenco deste filme é sensacional, Eduardo Blanco, o amigo de Ricardo Darín em O filho da noiva e China Zorilla, fala das relações de mãe e filho, o filho já bastante maduro começa a conhecer um pouco mais da mãe só agora que ela já tem mais de 80 anos, apesar de não ser nenhuma maravilha, e um tanto brega o filme tem diálogos realmente muito bons e vale a pena só pelo elenco.
DOMINGO
Feminices(Brasil, 2004)
O Domingos de Oliveira que dirige e atua no filme as vezes pode ser um chato, mas o filme é muito bom, tem diálogos geniais, a história se passa quando 4 atrizes na faixa dos 40 começam a escrever e montar uma peça chamada Confissões das Mulheres de 40, isso rende ótimos momentos ao filme e conversas ótimas, a interpretação das atrizes também é muito boa, pode ser um pouco brega as vezes mas o resultado do filme é bastante satisfatório.
Lado Selvagem(França, 2004)
Em geral gostei bastante do filme, tem algo que te sensibiliza bastante, depois de Tiresia é outro filme francês que mostra uma transexual de maneira um tanto mórbida, Stephanie é linda, faz programas e se relaciona com 2 homens, eles vivem uma espécie de caso a 3 que jamais é bem detalhada no filme enfim, o filme deixa a desejar nesse aspecto de não se aprofundar muito nos temas que ele mesmo aborda, mas é bom, os atores estão bem, o drama de Stephanie por ter que sair de Paris e ir para o campo cuidar da mãe doente que o rejeitava também é bom.
Novo(França, 2002)
Desse não há muito o que falar, eu já não esperava grandes coisas mas também não imaginava que seria tão ruim, é um filme lamentável, um Amnésia bem piorado, se salva pelo carisma de Eduardo Noriega e olhe lá, a Paz Vega também aparece, mas bem pouco.
SEGUNDA-FEIRA
Nossa Música(França, 2004)
O último filme do Godard, é admirável que depois de produzir tantos clássicos e contribuir tanto para a história do cinema, Godard ainda esteja em atividade, no filme ele mesmo atua, filosofando muito na maior parte do tempo, bom o filme não chega nem aos pés de Acossado e apesar de ser bastante chato tem lá seus momentos interessantes, faz uma analogia as guerras sendo dividido em 3 episódios, inferno, purgatório e paraíso, o que mais me chama a atenção é a história de uma personagem de nome Olga, é pelo que mais o filme vale a pena.
Cama de Gato(Brasil, 2003)
Tá, Cama de Gato fez bastante barulho ao estreiar, causou furor por ter várias cenas fortes, mas enfim parece que sempre falta algo no filme, até digo que ele é realista e os depoimentos prestados pelos adolescentes no final são patéticos e revoltantes, mas enfim, realmente falta algo que eu não saberia dizer o que.
TERÇA-FEIRA
Um Filme Falado(Portugal/França, 2003)
O filme do diretor português Manoel de Oliveira é absurdamente chato, ele é falado em várias línguas, conta um cruzeiro que uma professora de história Rosa Maria está fazendo com sua filha pequena, a cada lugar que chegam ela vai passando uma ficha técnica do lugar pra criança, o que talvez agrade a pessoas que se interessem bastante por história mas pra mim foi chato demais, em certo momento entram em cena as personagens de Catherine Deneuve e John Malkovich que nada acrescentam ao filme.
QUARTA-FEIRA
Questão de Imagem(França, 2004)
O melhor dos filmes que assisti no festival, dirigido por Agnés Jaoui de O Gosto dos Outros e que também atua no filme, conta a relação de algumas pessoas diferentes mas que tem algo bastante em comum, não são totalmente felizes em sua vida, a personagem que mais gostei e me identifiquei foi Lolita, uma jovem que canta extremamente bem, mas que sofre vários problemas de auto estima por ser gordinha e nunca tem seu talento reconhecido por ninguém, principalmente pelo pai, como gostaria, tem momentos memoráveis e o roteiro é excelente.
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