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Sábado, Abril 30, 2005

O Sangue de um Poeta(França, 1930)

O Sangue de um Poeta(1930) pode ser considerado um dos grandes filmes do cinema surrealista na França, seu diretor Jean Cocteau é um nome importantíssimo dentro do cinema francês, além de cineasta ele também foi poeta, escritor, dramatrugo, crítico de arte, desenhista, escultor e tudo isso se reflete de maneira única neste seu filme.
Cocteau era homossexual assumido, viveu casos famosos com homens, inclusive por mais de 20 anos com um de seus mais famosos atores Jean Marais, que atuou em Orfeu(1950) e A Bela e a Fera(1946) ambos de Cocteau.
A homossexualidade de Cocteau nunca foi um problema, tanto que ela sempre transparecia em seus filmes, e isso é justamente o que fazia com que suas obras fossem pura arte.
Em O Sangue de Poeta, o ator Enrique Rivero interpreta o poeta do título, o filme é divido em 4 episódios, no primeiro deles o poeta filosofa sozinho e delira em seus pensamentos sobre a morte e seus medos.
E o filme é repleto de cenas notáveis, no primeiro episódio Cocteau usa técnicas incríveis de montagem, como quando coloca uma boca dentro de uma mão, no segundo episódio várias estátuas começam a ganhar vida e o poeta mergulha dentro de um espelho em uma cena belíssima, é realmente um mergulho pois quando o poeta entra no espelho, o vidro se transforma em água. O outro lado do espelho vai dar em um corredor de hotel, totalmente surrealista, onde pessoas andam pelas paredes, cenas retrocedem e um corpo de um hermafrodita se constrói aos poucos. O poeta ainda recebe as instruções de como se matar e contracena com sombras o que também é bastante inovador e interessante.
O terceiro episódio é dos mais rápidos e comuns, mostra apenas crianças marginalizadas brigando na rua, o quarto por fim chega a ser o mais denso de todos, as estátuas que estavam vivas voltam a se petrificar, o coração bate e um anjo da guarda negro vêm para buscar o poeta que cai morto.
Sem dúvida Jean Cocteau também pode ser considerado um mestre surrealista, foi chamado de gênio louco, e assim como Luis Buñuel tem uma filmografia repleta de referências surrealistas.
O Sangue de um Poeta é uma de suas obras mais complexas fazendo sempre uma relação negra com a morte, é um exemplo puro de que cinema e arte podem, e devem caminhar juntos. Outros filmes de Cocteau que se destacam são As Damas do Bois de Boulogne(1945), Testamento de Orfeu(1959) e A Bela e a Fera(1930).

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Sexta-feira, Abril 29, 2005

Carmen Maura e Almodóvar - Juntos outra vez?

Madri, 28 abr (EFE) - As atrizes espanholas Penélope Cruz e Carmen Maura serão as protagonistas de "Volver", filme que o diretor espanhol Pedro Almodóvar começará a rodar em julho, confirmou nesta quinta-feira a produtora do filme.
"Volver", segundo o próprio Almodóvar, é um encontro entre "Alma em suplício", de Michael Curtiz, e "Este Mundo é um Hospício", de Frank Capra, combinado com o naturalismo surrealista de seu quarto filme, "O que Eu Fiz para Merecer Isso?", também protagonizado por Carmen Maura.
Isso quer dizer que o diretor retratará "Madri e os efervescentes bairros da classe trabalhadora, onde os imigrantes das distintas províncias espanholas compartilham sonhos, vida e fortuna com uma multidão de etnias e raças estrangeiras", conta ele.
No seio deste emaranhado social, três gerações de mulheres sobrevivem "ao vento, ao fogo e, até mesmo, à morte, com bondade, atrevimento e uma vitalidade sem limites", assegura o cineasta em um
comunicado.
O filme, que será rodado em Madri e na região de Castela-La Mancha, conta com outros quatro personagens "muito importantes", mas o elenco ainda não está fechado.
O último filme de Almodovar foi "A Má Educação", premiada em vários concursos internacionais e protagonizado pelo ator mexicano Gael García Bernal.

fonte: UOL Notícias

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Quinta-feira, Abril 28, 2005

O Sétimo Dia(Espanha, 2004)

Carlos Saura sem dúvida é um dos maiores nomes do cinema espanhol e que já dirigiu filmes renomados como El Amor Brujo e Cria Cuervos. Últimamente a filmografia de Saura se dividia em filmes sobre dança e música como Flamengo e o premiado Tango, e filmes que narram histórias inusitadas como Taxi e Buñuel,y la mesa del rey Salomón.
Em O Sétimo Dia, Saura deixou de lado a dança que foi o foco central de seu último filme, o ótimo Salomé, para centrar-se na história de duas famílias rivais, um tema já bem antigo, e que serviu pra ilustrar tantos filmes, livros, etc... só que a história aqui contada por Saura é inspirada em um fato real ocorrido em um pequeno povoado na Espanha e que chocou todo o país no início dos anos 90, o tal fato só será realmente levado a cabo no final do filme.
A história é narrada pela adolescente Isabel(Yohana Ocobo,de Sem Notícias de Deus) ,a filha mais velha de uma das famílias, ela começa que o ódio começou por uma história de amor, o noivo de Luciana a abandonou, o irmão da moça então tomou as dores e o matou, deu-se aí a richa interminável entre as duas famílias que já durava mais de 30 anos.
A Luciana mais velha é interpretada pela sempre ótima Victoria Abril, que certamente dá ao filme um brilho que as vezes parece faltar, a atuação de Victoria é irretocável, é forte, e ela sempre carrega junto de si o vestido do casamento que nunca aconteceu.
O que parece as vezes é que houve um excesso de personagens dentro do filme o que sempre é um problema já que não há como desenvolver a história particular de cada um.
Apesar de eventuais falhas de roteiro, e não me empolgar em quase nenhum momento, o filme tem um resultado bem razoável, sem dúvida a cena do desfecho final consegue ser a melhor de todas, e as atuações de Victoria Abril, Juan Diego, José Luis Gomez e todos os outros acabam compensando, e a trilha sonora é ótima, tem cada uma das músicas colocadas exatamente no lugar certo.
E pra quem começou a carreira de diretor em 1956, Saura ainda está muito bem continua lançando filmes frequentemente, o novo se chama Iberia e está em pós-produção.

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Quarta-feira, Abril 27, 2005

Extinção: A Impossibilidade Física da Morte na Mente de Alguém Vivo

É a primeira vez que falo sobre teatro no blog, mas se eu uso o more do título falando de música é porque posso falar de outras artes que não o cinema e enfim, Extinção é um espetáculo tão bacana que merecia ser comentado aqui.
O espetáculo é o primeiro da Cia. Espaço em BRANCO e é dirigido por meu grande amigo, João Ricardo,e não é porque o diretor é um amigo que estou falando bem, é porque realmente a direção e texto são excelentes e merecem todos os méritos.
A história trata de uma família de freaks, e que ilustra bem maioria das famílias e sociedade medíocre e hipócrita, a filha mais nova apaixonada por um garoto que tem dúvidas quanto a sua sexualidade,a mãe perua e alcoolatra e o pai, incestuoso e burguês.
A rotina da família se altera um pouco com a chegada do filho aidético, Toby, interpretado por Marcos Contreras, ele vêm de uma viagem avisando que chegou pra ficar, provocando na mãe e no resto dos personagens, o medo da morte além de várias outras sensações que fluem no decorrer do espetáculo. Aliás é o mesmo Toby que abre o o espetáculo com um texto voraz, com muito sarcasmo falando de dinossauros, macacos que fumam, criticando nossos hábitos de vida e World Trade Center.
O roteiro todo é repleto desse sarcasmo e humor negro, é denso, forte,as vezes divertido e perturbador em diversos momentos, a mãe perua(Evelyn Ligocki, de Antígona) repete em diversos momentos que o filho está morrendo, enquanto a filha as vésperas de casar tenta fugir da realidade através de suas doenças e pânicos, na verdade cada um dos personagens encontra em algum foco a fuga da realide, seja montando um dinossauro gigante, estuprando a filha ou se suicidando.
Extinção é dividido em três partes, o Verâo, Outono e o Inverno, assim como em Requiem para um Sonho, filme de Darren Aronofsky, a primavera fica de fora, aquela que é a estação em que flores nascem e os dias são perfumados, não existe, é realmente o que se chama de extinção da espécie.
Cada uma das estações do ano tem uma interessante intervenção em vídeo no fundo do cenário.
E é isso, aconselho a todos os leitores do meu blog que morem em Porto Alegre ou arredores que assistam Extinção, uma excelente direção, excelentes atuações de todo elenco, e trilha sonora escolhida a dedo. Um espetáculo que que acima de tudo tem um texto excelente e que também faz suas citações ao cinema passando por Tootsie a Cidadão Kane, o que me deixou bem feliz, mas o que me deixou mais feliz mesmo é que em certos momentos fiquei realmente perturbado, o que significa que pra mim a peça atingiu seu objetivo, me satisfez.

Quando e Onde: Sala Alvaro Moreyra, terças, quartas e quintas as 21:00 até o dia 12 de maio.

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tá eu naum atualizo a uma semana, mas o feriadão me impossibilitou de várias coisas e depois continuei lento, não tenho muito do que falar então vou comentar um pouco sobre os últimos filmes vistos.

Não se Mova(Itália, 2003)

O filme italiano é recheado com muito melodrama, mas é um tanto ridículo em diversos aspectos, não falo dos técnicos, porque tem câmeras e fotografia ótima, mas de que adianta se o roteiro não satisfaz?
Os primeiros 5 ou 10 minutos de Não se mova me fizeram pensar que eu teria uma surpresa que dali iria vir um bom filme, a primeira cena com a câmera mostrando a chuva caindo e a menina acidentada, o capacete jogado no chão é linda, me fez até lembrar do também italiano Paraíso, em seguida a menina, Angela chega ao hospital toda machucada, uma das médicas descobre que ela é a filha de um dos seus colegas, e também médico, Timoteo.
Timoteo é o protagonista da história, é interpretado por Sergio Castellito, de Simplesmente Martha, e que também dirige o filme, o fato da filha estar entre a vida e a morte, lhe remete a se lembrar de uma outra história que será contada o tempo todo através de flashbacks.
É dentro desses flashbacks que entra Penélope Cruz, que no filme se chama Italia, no primeiro encontro dela com Timoteo ele a estupra mas logo eles passam a se envolver e ter um caso, o detalhe é que ele é casado e está prestes a ser pai. O roteiro é fraco, o que não segura o filme, e ainda não entendi uma coisa, porque deixaram a Penélope Cruz mais feia do que já é.

O Anti Herói Americano(EUA, 2003)
Se identificar com personagens como o desse filme é bem fácil, pelo menos pra mim, os típicos anti-heróis que são diferentes dos exibicionistas e narcisistas que habitam a maior parte de Hollywood. O filme é inspirado na HQ American Splendor, me fez lembrar um pouco um outro excelente filme adaptado de HQ que é Mundo Cão, ambos os filmes são completamente distintos mas tem em comum além da origem nos quadrinhos, os personagens que a sociedade jura medíocre,mas são muito mais completos e complexos do que cada um pode imaginar.
Bom, o filme fala da história real de Harvey Peakar, um típico loser, que depois de conhecer um quadrinhista resolve transformar sua vida num gibi underground, a HQ faz bastante sucesso embora Peakar não fature muito com ela.
Anti Herói Americano faz até um misto de documentário, quando mostra o verdadeiro Harvey Peakar narrando a história e aparecendo em certos pontos.
O nosso herói, ou anti herói é interpretado pelo ótimo Paul Giamatti(de Sideways) que parece ser a escolha perfeita para o papel.

A Ilusão Viaja de Trem(México, 1953)

Tá, Buñuel sempre é Buñuel, meu diretor preferido, mas admito que nem tudo que o mestre fez dá pra considerar como obra prima, no início e no final de A Ilusão viaja de trem tem uma voz narrando que já revela que a história que será contada talvez não seja do gosto de todos.
E não é que eu não tenha gostado deste filme, mas já vi tantas obras primas do Buñuel, que esse me deixou com um certo pé atrás, assim como Escravos do Rancor, mas ainda assim é bom, e rende momentos ótimos.
A história fala de dois empregados de uma companhia de bonde que trabalham no bonde 133, quando descobrem que o bonde será mandado para o ferro velho, os dois se deprimem e se emborracham, decidem então tirar o bonde da garagem e sair a passear com ele pela madrugada, só que muitas coisas começam a acontecer, passageiros estranhos vão embarcando e desembarcando e eles não sabem como evitar, o que só impede os dois de devolverem o trem para a garagem e coloca o seu emprego em risco.
Um dos melhores momentos certamente é uma cena de um teatrinho religioso, com direito a deus, diabo, adão e eva.

Noites Brancas(Itália, 1957)
O filme de Luchino Visconti é baseado no conto de Dostóievsky, o que por si só já em um ótimo motivo para ser visto, embora Visconti tenha sido um dos principais diretores do neo-realismo italiano e Noites Brancas esteja dentro desse movimento do cinema o filme não é tão característico como os outros, não tem um tom tão pessimista como Obsessão por exemplo.
A história começa quando Mario(Marcelo Mastroiani) esbarra com Natalia(Maria Schell) existe um certo amora primeira vista da parte de Mário, e os dois combinam de se encontrar no dia seguinte, mas Natalia foge e quando Mario consegue alcançá-la, ela lhe conta a história de um outro homem por quem é apaixonada, que partiu a 1 ano e que está prestes a voltar a vê-lo, Mario se sente desiludido, mas mesmo assim não perde as esperanças enquanto ela só o vê como um irmão mais velho.
A cena em que os dois dançam e a cena em que a dona da penção acorda Mario são notáveis, é um ótimo filme, com uma excelente direção e com várias características neo-realistas.

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Quarta-feira, Abril 20, 2005

Brian Molko é Deus

Não poderia deixar passar em branco aqui no blog o maravilhoso show do Placebo em Porto Alegre, não é sempre que se tem a chance de ver a banda do coração tão de perto, e o show do Placebo foi sensacional, tá certo que o Brian mal falou algumas palavras, mas o que importa as palavras quando se tem a música que quase me fez chorar o tempo todo.
Eles entraram em meio a muitos gritos cantando Taste in Man uma das minhas músicas preferidas, fiquei lá com as pernas tremendo por estar vendo o Molko tão de perto, e o Stefen e Steve.
Tá certo que o show pode até ter sido um pouco mecânico, eles cantaram a setlist que eu já tinha visto no orkut, tudo na mesma ordem que aconteceu em Recife e Salvador, e o show será igual provavelmente em todas as cidades. Mas o que importa mesmo era estar vendo o Brian Molko fumando milhões de cigarros enquanto cantava, tocava gaita ou fazia alguma de suas peripécias no palco.
Ahhh e foi tão bom ver todas as pessoas felizes, no clima, com olhos beeeem pintados de preto e cantando, cantando muito. E pra mim um dos melhores momentos foi quando rolou Without you i'm nothing e Special K claro, uma das minhas preferidas, mas o povo veio abaixo mesmo com Every me Every You.
O show da minha vida, vai ser difícil esquecer essa noite maravilhosa, pra completar ainda tava na companhia de ótimos amigos, só achou que ficaram faltando algumas músicas, podia sei lá, ter rolado I´ll be yours que adoro ao invés de I do, e algum dos covers que eles fazem, 20th century boy talvez, mas seria tão difícil eles tocarem tudo que todo mundo gosta. O show perfeito, lindo, me escabelei cantando as músicas e não tenho mais palavras.

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Quinta-feira, Abril 14, 2005

DOIS FILMES

no cinema: O Clã das Adagas Voadoras(China, 2004)

Poucos dias atrás comentei aqui no blog sobre um filme chinês chamado Herói, certamente ele chamou mais atenção do que O Clã das Adagas Voadoras por ter Jet Li no elenco, e como os dois filmes são do mesmo diretor, Zhang Yimou , e é inevitável fazer uma certa comparação, gostei muito de Herói, um filme que é plasticamente lindo, mas gostei ainda mais de O Clã das Adagas Voadoras porque ultrapassou a plástica e contou uma história ainda mais envolvente.
Novamente a história é protagonizada pela ótima Zhang Ziyi que também atuou em Herói, aqui ela é Mei, dona do papel principal da trama, logo na primeira cena já podemos ver todo o seu potencial e o potencial do filme, ela uma dançarina cega faz o seu número de dança em um bordel, é ameaçada ser levada pela polícia e faz uma dança mais linda ainda, chamada de o jogo dos ecos.
Nota-se que o principal objetivo do diretor é unir o sentimento com artes-marcias, já havia feito isso muito bem em Herói, mas aqui ela dá um enfoque bem maior ao amor que surge entre os dois protagonistas, o que resulta num filme lindíssimo do início ao fim.
A heroína por momentos chega a lembrar outro filme oriental, Zatoichi, por ser cega, mas O Clã é um filme cheio de surpresas que vão surgindo conforme a história acontece.
Mei é levada para cadeia quando a polícia descobre que ela pertence ao Clã das Adagas Voadoras, um grupo de rebeldes que age contra o governo, mais tarde ela é salva por Jim, que na verdade é um capitão mas a engana com o objetivo de descobrir aonde se esconde o Clã.
A excelente fotografia do filme rendeu uma indicação ao oscar nesse ano, e que perdeu para O Aviador(??), certamente a fotografia desse filme deveria ganhar todos os prêmios nesse quesito, graças a ela é que se criam momentos tão notáveis, uma das melhores cenas do filme é a luta entre os bambus, algo que faz você babar e se segurar na cadeira.
Enfim, um ótimo filme, prova de que o cinema oriental vem se destacando bastante aqui no Brasil, principalmente neste último ano, com ótimas atuações de todo o elenco, mas quem rouba a cena quase o tempo inteiro é mesmo Zhang Ziyi.

na locadora: Gosto de Sangue(EUA, 1984)

O primeiro filme tem um sabor especial, esse é o slogan da versão do diretor de Gosto de Sangue, primeiro filme dos irmãos Coen, de quem eu sempre gostei bastante. Os Coen foram responsáveis por O Homem que não estava lá e Fargo dois filmes que considero muito bons.
Gosto de Sangue leva os créditos de Joel Coen na direção, embora ele e Ethan tenham trabalhado quase que o tempo todo juntos, ambos assinam o roteiro, e Ethan assina a produção.
O filme é estrelado por Frances McDormand que mais tarde viria a se casar com Joel e atuar em mais alguns dos seus filmes, a história começa um tanto confusa mas acaba ganhando cada vez mais forma e resulta em um suspense incrível, realmente muito bom.
McDormand é Abby que deixou o seu marido Julian, o dono de um bar no Texas, para viver com seu amante, o marido com dor de cornos após descobrir que foi traído manda matar o casal, a trama se desenvolve a partir disso.
Não sei se foi impressão minha mas eu notei uma grande influência de Brian de Palma, nas cenas que tem tomadas geniais diga-se de passagem, e o personagem do matador de aluguel tem certas semelhanças com personagens de David Lynch.
É um suspense muito bom, como a tempos eu não via, mas é um filme de que não se vale a pena tecer muitos comentários, é melhor vê-lo e tirar suas próprias conclusões.

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Quarta-feira, Abril 13, 2005

TOP 10 ALFRED HITCHCOCK

Como o Hitchcock é um diretor que já fez muitos filmes, e eu ainda não assisti muitos dele nunca fiz um texto mais completo sobre ele aqui pro blog, mas hoje vou colocar a lista dos meus 10 filmes preferidos do diretor.

1- FESTIM DIABÓLICO(1948)
2- REBECCA - A MULHER INESQUECÍVEL(1940)
3- PSICOSE(1960)
4- MARNIE: CONFISSÕES DE UMA LADRA(1964)
5- OS PÁSSAROS(1963)
6- INTRIGA INTERNACIONAL(1959)
7- JANELA INDISCRETA(1964)
8- O HOMEM QUE SABIA DEMAIS(1934)
9- DISQUE M PARA MATAR(1954)
10- UM CORPO QUE CAI(1958)

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Terça-feira, Abril 12, 2005

MAIS DOIS FILMES MEXICANOS
Graças a minha amiga Ana, pude assistir a mais dois filmes mexicanos ontem, um que eu tinha bastante vontade de ver que é Amarte duele, o outro nem tanto.

Amarte Duele(México, 2002)

Amarte duele é um filme especialmente feito para adolescentes, certamente eles são o público alvo do filme e provavelmente os únicos que poderão se identificar com a história.
O filme dirigido por Fernando Sariñana que já tem o velho costume de falar no assunto, adolescência, assim como Larry Clark faz em seus filmes, tem uma estética bastante peculiar, as vezes a câmera ganha um quase tom documental, outra hora a imagem está em preto e branco e ainda usa alguns efeitos de montagem que acabam sendo bem bacanas.
A história de Amarte duele já é bastante manjada, um casal de adolescentes de classes sociais diferentes se apaixonam e não recebem o apoio nem da família nem dos amigos, bem pelo contrário, todos se viram contra eles e fazem de tudo para separar o casal, principalmente os pais da menina que é a rica da história, aliás a mãe dela é interpretada pela mãe de Gael García Bernal, a atriz Patricia Bernal.
O filme peca porque exagera demais, não dá pra acreditar em certos momentos que todo mundo vá se opor a um namoro de adolescentes da forma como é abordada no filme, tanto que ele acaba tomando rumos shakesperianos bizarros.
Mas dá pra considerar um filme bonitinho, cujo o principal atrativo é sem dúvida a excelente trilha sonora que logo na abertura tem Kinky e depois é embalada em muitos momentos pela voz doce da cantora Natalia Lafourcade.

Asesino en Serio(México, 2002)

Pensar em um filme que tem como tema central mulheres sendo assassinadas com megaorgamos, pode parecer que renderá uma boa comédia de humor negro, mas bem pelo contrário, este filme se perde em meio aos gêneros e acaba tendo no final um resultado catastrófico.
O filme começa quando o comandante Marciano passa a investigar as bizarras mortes de mulheres lindas que vêm acontecendo, ao mesmo tempo ele nutre um caso com uma mulher interesseira que parece apenas querer arrancar dinheiro dele.
E é basicamente isso, o filme ganha rumos investigativos, o policial vai procurando por pistas que o levem até o suposto assassino, há pequenas participações no elenco de Daniel Gimenez Cacho que novamente não tem muito espaço como em vários outros filmes e de Rafael Inclán que é um ótimo ator, e isso se vê nos filmes de Arturo Ripstein, mas aqui ele faz um personagem tão sem graça que seu talento nem se nota.

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Segunda-feira, Abril 11, 2005

Vozes Inocentes(México, 2004)

Não é a toa que Vozes Inocentes foi o pré-selecionado mexicano ao Oscar de filme estrangeiro este ano, é um filme típicamente comovente, daqueles feitos sob medida para arrancar lágrima das platéias o que na maioria das vezes atrai o oscar, também é cheio de momentos e closes hollywoodianos, o que prejudica um pouco o andamento do filme, mas se considerarmos que ele foi dirigido por Luis Mandoki dos péssimos Encurralada(com Charlize Theron) e Olhar de Anjo(com Jeniffer Lopez) dá pra considerar esse filme, que fez de volta em seu país natal como uma forma de redenção.
Vozes Inocentes é baseado na história real do roteirista Oscar Torres, fala de um menino chamado Chava, que em meados de 1980 as vésperas de completar 12 anos será convocado pelo exército para ser um guerrilheiro. O filme apesar de mexicano conta uma história que aconteceu em El Salvador.
Assim como o chileno Machuca e o argentino Kamchatka, esse Vozes Inocentes usa do olhar de crianças para retratar a guerra e a revolução, o que na maioria das vezes acaba se tornando comovente, a maioria do público não resiste em ver uma criança sofrendo, mas o filme é tão sensacionalista que o uso das crianças não parece funcionar sempre, ainda que renda lá seus bons momentos, a atuação do menino Carlos Padilla, é um dos maiores trunfos do filme.
Acho que este é um filme que tem tudo para agradar o público em massa, porque tem elementos tão característicos de filmes sobre guerra que é o que o povo gosta realmente de ver, pra mim não houve nenhuma novidade, em certos momentos chegou a me lembrar o filme No Tempo das Borboletas que narra a ditadura da República Dominicana.
No elenco de conhecido mesmo só há o ator Daniel Gimenez Cacho, que assim como em A Má Educação interpreta um padre, aqui ao invés de pedófilo ele é revolucionário o que o leva a sofrer vários problemas, o ator que embora seja bem conhecido não chega a aparecer muito no filme, e nem tem algum momento notável, outra é a atriz Leonor Varela, que atuou em Blade 2, e interpreta a mãe do menino Chava.
Não digo que o filme seja sensacionalista porque em diversos momentos usa de cenas fortes, tiroteios, mortes e tudo mais, mas é que são artifícios já tão manjados e usados de maneiras tão convencionais, que talvez se o filme fosse um pouco mais "seco" ele pudesse ser melhor.
Não é de todo mau, vale porque é um dos poucos filmes que retrata esse período em El Salvador e porque é um mexicano que finalmente chega aos cinemas.

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Sábado, Abril 09, 2005

A Pequena Lili(França, 2003)

Logo na primeira cena de A Pequena Lili, o diretor Claude Miller coloca a linda Ludivine Savigner nua, assim como François Ozon fez em Swimming pool, explorou bastante a beleza da atriz, mas aqui ela está bem mais comportada do que no filme de Ozon, embora sua personagem seja forte e ao mesmo tempo doce.
É um filme em que adoradores da sétima arte irão se identificar, porque além de mostrar o drama de pessoas, trata de como é buscar inspiração para criar algo, e coloca em contraponto dois diretores, o padrasta que faz filmes comerciais para ganhar dinheiro, e que em certo momento revela "O público gosta é de porcaria" e o enteado, ou filho da namorada que é apaixonado por arte e faz cinema experimental.
A primeira vista o personagem principal, o jovem apaixonado por cinema de nome Julien irrita bastante, porque é um insuportável que quer empurrar garganta a baixo dos demais tudo aquilo que pensa, o tempo inteiro com trejeitos de mimado.
O filme é inspirado no livro A Gaivota, e é dividido em duas partes, a primeira quando a família passa férias no campo, onde os personagens principais vão todos sendo apresentados ao público, e Lili a namorada de Julien se introduz junto da família, ela inclusive atua no filme experimental do namorado. A segunda parte é quando Lili vai embora do campo com Brice, o diretor comercial e namorado da mãe de Julien, aí acontece a passagem de tempo que é bem interessante por sinal, Lili está em Paris aparentemente feliz e se transformou em uma atriz famosa.
É um filme interessante, que me agradou em diversos aspectos, principalmente por mostrar a paixão por roteiro e cinema vinda dos protagonistas, mas que deixa aquela sensação de que falta algo, talvez um pouco mais de profundidade.

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Sexta-feira, Abril 08, 2005

Maria Cheia de Graça(Colômbia/EUA, 2004)

Os mais desavisados podem pensar que Maria Cheia de Graça se trata de um filme sobre a personagem bíblica, mas não, o nome é uma metáfora, ao invés de Maria, a protagonista desta história carregar o filho de Deus no ventre, ela carrega mais de 60 buchas de heroína.
O filme de estréia do diretor norte-americano Joshua Marston é diferente dos outros filmes feitos sobre tráfico de drogas, ele revela o lado mais humano da coisa, principalmente nos chamados "mula" que levam a droga dentro de um estômago de um lugar para o outro.
Maria, interpretada pela ótima Catalina Sandino Moreno, é uma jovem de 17 anos sem muitas ambições, vive em um pequeno povoado na Colômbia onde trabalha com rosas, separando e tirando os espinhos, o dinheiro que ganha entrega para a sua família, ela tem um namorado de quem não gosta muito e acaba descobrindo que está grávida, cansada da mediocridade de sua vida, Maria aceita a proposta de trabalhar como mula e levar dentro de si um carregamento de heroína até os Estados Unidos.
A tensão que a história causa é incrível, há tempos eu não ficava tão nervoso sentado na cadeira do cinema, o diretor conseguiu o resultado que pretendia, o público acaba entrando na mesma dolorosa viajem de Maria ao seu destino.
Tudo é mostrado detalhadamente, a preparação dos pacotinhos que irão parar na barriga de Maria, que mesmo grávida leva na esperança de conseguir uma vida melhor, e o sofrimento das outras mulheres que estão fazendo o mesmo que ela.
A segunda metade do filme já se passa em Nova York, e consegue ser tão ou mais angustiante do que a primeira. A direção de Marston que também escreveu o roteiro é ótima e as atuações são humanas e sensíveis, tanto que Catalina foi indicada ao Oscar e recebeu vários outros prêmios por este filme.
Me atrevo a dizer que Maria Cheia de Graça foi um dos melhores filmes que chegaram as telas este ano, uma visão mais humana e realista sobre o tráfico de drogas do que a mostrada pelo cinema norte-americano.

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Quarta-feira, Abril 06, 2005

Confidências muito íntimas(França, 2004)

Este era um filme que eu nem pretendia assistir, mas me falaram coisas tão boas que acabei indo vê-lo no cinema. Realmente, Confidências muito Íntimas não é ruim, mas deixa muito a desejar em diversos sentidos, ou talvez seja eu que começo a olhar os filmes com um olhar mais crítico do que deveria.
O filme fala sobre Anna, interpretada por Sandrine Bonnaire, uma mulher frustrada no casamento, cheia de problemas conjugais e que procura secretamente a ajuda de um psicanalista para conversar, acontece que acaba entrando por um engano no escritório de um tributário, e começa a fazer confidências a ele, de início pensa que realmente está diante de um terapeuta, mas algumas sessões depois descobre a farsa, e mesmo assim não exita em continuar a terapia.
Aos poucos os dois começam a trocar confidências, não apenas Anna que é quem mais parece precisar, ela causa um acidente que prejudicou a perna do marido e isso o frustra e o torna impotente, eles não tem relações a seis meses e isso é o que realmente a incomoda, o homem como era de se supor vai passando a nutrir uma paixão platônica pela "paciente".
Mais pro meio da história entra o marido reclamando ao homem pelo suposto caso que vem tendo com sua esposa. O roteiro chega até a querer enganar o espectador em algum momento, o que chegou a me lembrar o também francês Nathalie X, mas isso não acontece.
É um filme bem razoável, que não conta com um gênero definido, beira o noir, o romance e o drama, tem sacadas inteligentes em alguns momentos e uma câmera interessante, algumas vezes parece que está na mão e em outras faz um traveling bem bacana.

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Domingo, Abril 03, 2005

O Lenhador(EUA, 2004)

Quem diria que a essa altura do campeonato Kevin Bacon apareceria fazendo um filme bom, e ele conseguiu, O Lenhador pode até não ser nenhuma maravilha, mas é um drama envolvente do início ao fim.
Na história Kevin Bacon é Walter, um pedófilo que após passar 12 anos na cadeia por molestar meninas é posto em liberdade e tenta reenconstruir sua vida, arruma um trabalho modesto, um apartamento e começa a tentar encarar os fatos, faz terapia para tentar conseguir mudar os seus desvios, já que o que o leva a ser pedófilo é algo fora de seu controle.
A diretor estreante Nicole Kassel merece o mínimo de reconhecimento por ter ousado tanto assim, falar de pedofilia não é fácil, ainda mais da forma que ela abordou o tema que na maioria das vezes provoca repulsa em quase todas as pessoas.
A convinção de Kevin Bacon é extremamente convincente, quase sempre ele tem um olhar triste, perdido, melancólico, que só muda quando ele está justamente conversando com uma menina em um parque, em uma das melhores cenas de todos, onde ele pergunta em um tom quase inocente se ela não gostaria de se sentar no colo dele.
O filme que é bem curto, não chega a ter uma hora e meia, ainda rende ótimos momentos, outros com a namorada que Walter arruma no trabalho, uma mulher que está disposta a ajudá-lo enquanto os colegas do trabalho descobrem sobre a pedofilia e começam a ameaçá-lo, aliás a namorada é interpretada por Kyra Sedwick, mulher de Bacon na vida real.
Existe ainda todo um lado moralista no filme, a luta de Walter contra desejar crianças, há uma cena onde ele espanca um pedófilo que ele pega em flagrante, as cenas com o policial também são boas, diálogos totalmente sarcásticos.
É com certeza uma fita de muita coragem, que merece ser visto, não só por se tratar de uma diretora estreante, mas porque realmente vale a pena e acaba surprendendo muito.

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ta, não se preocupem, já vou atualizar normalmente, mas é que consegui mais essas fotos de A viúva triste do lago, e quis postar aqui.

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Sexta-feira, Abril 01, 2005

Tá, eu odeio dia primeiro de abril, eu odeio, sempre tem algum idiota que vem fazer uma piadinha, e eu lesado sempre acredito, porque sou péssimo de memória e daqui há pouco vou esquecer que hoje é primeiro de abril, eu até pensei em fazer um novo post sobre os melhores de mentira, mas não me veio nada na cabeça, então eu estou deixando aqui umas fotinhos do curta que estou fazendo com alguns colegas pra faculdade que se chama "A Viúva Triste do Lago", são só fotinhos dos bastidores, talvez depois eu ponha outras.
Ah o curta será em preto e branco, e mudo, por estas fotos não tá pra ter muita noção, mas pelo menos tá reunindo a equipe e o elenco.

A Viúva Triste do Lago



ps: eu sou esse que aparece sozinho no canto e com uma sacola na mão e mochila nas costas, na primeira foto!

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