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Terça-feira, Maio 31, 2005

Melinda e Melinda(EUA, 2004)

Seria completamente clichê eu começar esse post dizendo que o Woody Allen não é mais o mesmo, mas fazer o que se ele realmente não é. Melinda e Melinda não é um filme ruim, pelo contrário me divertiu bastante, mas está longe de poder se comparar a outras filmes tão legais que Allen já dirigiu como Descontruindo Harry e A Rosa Púrpura do Cairo.
O filme começa quando alguns amigos reunidos num restaurante discutem a história de uma mulher, se ela seria uma comédia ou um drama existencialista, dessa discusão surgem as duas Melindas e as duas histórias que ao mesmo tempo são a mesma contadas no decorrer do filme.
Nas duas Melinda é uma mulher que chega na casa de alguém, no meio de um jantar sem ser convidada, na primeira ela chega na casa de alguns amigos e na segunda de desconhecidos, após tomar várias pílulas para dormir, e o interessante do filme é ficar comparando os paradoxos entre uma história e outra, mas não é nada que empolgue demais.
Na primeira história, Melinda, amiga de infância de Laurel, interpretada pela ótima Cloé Sevigne chega sem ser convidada no meio de um jantar que o marido da dona da casa , que é ator, oferece para tentar conseguir um papel. Ela sempre chega de maneira inesperada e inadequada, mas de certa maneira irá transformar de forma significativa a vida das pessoas, principalmente dos anfitriões das festas onde chega.
Uma coisa é fato, apesar do filme estar longe de ser uma obra prima de Allen ele continua em ótima forma na escolha dos elencos, nenhum dos atores deste filme é um nome de peso em Hollywood mas são donos de bastante talento, o que por si só já é muito importante para o filme.
Acho ainda que entre uma história dramática e a cômica, a de drama se saia um pouco melhor em seu desenvolvimento, e que apesar de Allen não atuar neste filme, sempre existem os personagens que funcionam como uma espécie de alter ego do diretor.
Destaco também que esse filme embora não tenha sido completamente do meu gosto é melhor do que as últimas coisas que Woody Allen dirigiu como O Escorpião de Jade, e que vale a pena assistir nem que seja pra ver o desempenho dos atores, Radha Mitchell que até então não havia tido nenhum papel muito significativo no cinema, e que interpreta Melinda é uma boa surpresa.
Vale lembrar que depois deste filme Woody Allen já dirigiu mais um outro, Match Point, com a ótima Scarlet Johanson e que estreou esse ano em Cannes, ou seja, apesar de não estar na mesma forma que a alguns anos atrás ele continua em plena atividade.

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Domingo, Maio 29, 2005

Tô meio em dívida com o blog, e não é nem porque não tenho o que comentar, tenho visto vários filmes últimamente mas é um pouco por falta de motivação mesmo, resolvi então fazer uma lista que não exige muito de mim e há tempos pensava em postar uma listinha com os melhores filmes do Cinema Italiano na minha opinião.
Bom, a Itália representa um papel muito importante dentro da história do cinema, lá surgiu o famoso e pessimista neo-realismo(notem que a maioria dos filmes da lista são situados nessa época) e ainda o chamado spaguetti-western comandado pelo mestre Sergio Leone, é a terra de nomes como Fellini, Pasolini e Antonioni.Então, vamos lá!

TOP 10 CINEMA ITALIANO

1 - Noites de Cabíria(de Federico Fellini, 1957)
2 - Ladrões de Bicicleta(de Vittorio de Sica, 1948)
3 - Teorema(de Pier Paolo Pasolini, de Pier Paolo Pasolini, 1968)
4 - Obsessão(de Luchino Visconti, 1942)
5 - Saló ou os 120 dias de Sodoma(de Pier Paolo Pasolini, 1975)
6 - O Baile(de Ettare Scola, 1983)
7 - Noites Brancas(de Luchino Visconti, 1957)
8 - O Quarto do Filho(de Nani Moretti, 2001)
9 - Cinema Paradiso(de Giuseppe Tornatore, 1988)
10 - Roma, Cidade Aberta(de Roberto Rosselini, 1945)

Breve quero fazer listinhas das cinematografias francesa, alemã, oriental, iraniana, etc...

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Segunda-feira, Maio 23, 2005

Arturo Ripstein

Esse é um diretor de que gosto muito, acredito que como o número de comentários do meu blog anda em baixa, e ele não é muito conhecido aqui pelo Brasil, ninguém se manifeste, mas eu senti essa necessidade de falar um pouco sobre o trabalho dele porque assisti a Vermelho Sangue(Profundo Carmesí), filme que ele dirigiu em 1996 e que entrou para a Seleção Oficial de Cannes, é um filme perfeito que me impressionou e muito por ter um conteúdo bastante inusitado, trata de uma enfermeira gordinha interpretada por Regina Orozco, ela se corresponde com um homem até que o conhece, Nicolás interpretado pelo já conhecido Daniel Gimenez Cacho, ele é um vigarista que a rouba, mas ela vai atrás dele e mostra que está disposta a tudo para ficar com ele, a cena que abandona os filhos é incrível, a interpretação dos atores é de tirar o chapéu. Coral como se chama a gordinha passa a colaborar com Nicolás em todos os crimes e golpes que ele comete. No elenco estão ainda Marisa Paredes, e Patricia Reyes Spindola, uma das divas de Ripstein, mas que aqui faz apenas uma participação.
Arturo Ripstein começou a carreira dirigindo curtas nos anos 60, em 1962 foi o assistente de direção de Luis Buñuel em O Anjo Exterminador, ele herdou muitas influências do diretor, tantas que elas podem ser identificadas facilmente nos seus trabalhos. Em 1966 Ripstein dirigiu um filme aqui no Brasil, chamado Jogo Perigoso.
Não vi tantos filmes do diretor quanto gostaria, a maioria é de difícil acesso aqui no Brasil, mas gosto muito do trabalho dele porque tem um caráter sombrio, pitadas de humor negro e consegue dosar na medida o absurdo com o sentimentalismo, muito disso se deve também a Paz Alicia Garciadiego, sua esposa, e que assina o roteiro da grande maioria de seus filmes.
Em 1994 Ripstein fez La Reina de la Noche, um filme belíssimo, um drama de primeira linha que contava a história imaginária da vida e dos amores da famosa cantora mexicana Lucha Reyes, Lucha é interpretada no filme pela excelente Patricia Reyes Spindola, figura presente em muitos dos seus filmes, La Reina de la noche tem um caráter muito sombrio, tem planos e sequencias lindas, e atuação única de Spindola, que rouba a cena do início ao fim do filme.
O Evangelho das Maravilhas de 1998, também é um filme sobre o inusitado, ainda não assisti mas está disponível nas locadoras. Em 1999 fez o ótimo Ninguém escreve ao Coronel, inspirado em um conto homônimo de Gabriel García Marquez, para esse filme ele chamou novamente Marisa Paredes que atuou ao lado de Fernando Luján, Salma Hayek e Daniel Gimenez Cacho.
Em 2000 o diretor rodou dois filmes, um deles o ótimo La Perdición de los Hombres ganhou o kikito de melhor filme latino em Gramado, é uma comédia de humor negro, fotografado em preto e branco o filme é inspirado em um conto mexicano que diz que "a perdição dos homens são as mulheres", no filme duas mulheres disputam pelo cadáver de um marido bígamo, infelizmente esse filme não se encontra fácil, eu tenho muita vontade de revê-lo. O outro de 2000 é Así es la Vida, um excelente, típico e caricato dramalhão mexicano, ou grego já que é a adaptação de Ripstein para o clássico da mitologia Medéia, dessa vez a história se desenrola em um cortiço na Cidade do México, filme excelente, de arrancar lágrimas até do espectador mais áspero.
A Virgem da Luxúria, de 2003 já marcou presença em alguns festivais aqui no Brasil, mas por enquanto não teve nenhum lançamento comercial e provavelmente nem tenha, o seu filme mais recente filme, Carnaval de Somoda, tem um elenco de astros latinos bastante conhecidos, Patricia Reyes Spindola, Luis Felipe Tovar e Leonor Watling.
É um dos mais importantes diretores do cinema mexicano desde os anos 60, sua filmografia é repleta de obras primas que um dia espero poder ter acesso.

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Sábado, Maio 21, 2005

FESTIVAL DE CANNES
O Festival de Cannes começou, terminou e eu deixei pra comentar ele só no final quando a lista de ganhadores tivesse sido divulgada, pois bem o ganhador da Palma de Ouro esse ano é um filme belga chamado L'Enfant de Jean Pierre e Luc Dardenne, os que vinham sendo apontados como favoritos A History of Violence do ótimo David Cronemberg e Caché de Michael Haneke ficaram chupando dedo, ainda que o último, tenha levado o prêmio de melhor diretor, suponho que bem merecido, pois eu só espero o melhor do homem que dirigiu A Professora de Piano.
Certamente este foi o ano dos diretores consagrados em Cannes, teve o novo filme do Woody Allen, Lars Von Trier apresentando a continuação de Dogville, Manderlay, teve o novo do Cronember que já citei, e o aguardado novo filme do Gus Van Sant, The Last Days que narra mais ou menos no mesmo estilo de Elefante(que ganhou a palma de ouro em 2003) o movimento grunge em Seattle, Michael Pitt interpreta o personagem inspirado em Kurt Cobain, o filme conta ainda com participação do casal do Sonic Youth.
O Grande Prêmio, foi para o ótimo Jim Jarsmusch, por seu Broken Flowers. O novo filme de Amos Gatai, Free Zone, também se destacou bastante nesse festival, tanto que levou o prêmio de melhor atriz para Hanna Laslo.
O cinema latino-americano foi representado pelo argentino Nordeste, os mexicanos Sangre e Batalla en el cielo, que é aquela com a cena de sexo explícito com dois obesos e os brasileiros Cinema, Aspirina e Urubus e Cidade Baixa.
Acho que ainda teve muito filme de que não se sabe muito, principalmente na mostra Un Certain Regard que sempre revela coisas interessantíssimas, teve alguns curtas brasileiros e o novo filme do Win Wenders, e o novo em que o Gael García Bernal atua chamado The King entre muitas outras coisas que espero que cheguem logo por aqui.
Ainda teve a declaração sobre o novo filme de David Lynch, e a Sony afirmou que 2006 será o ano de Almodóvar e irá distribuir seu novo filme, Volvér.


Michael Pitt em The Last Days de Gus Van Sant

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Sexta-feira, Maio 20, 2005

Taxi Driver(Taxi Driver, de Martin Scorsese, EUA, 1976)

Olhando aos filmes atuais de Scorsese e olhando Taxi Driver que o direteor dirigiu em 1976, mal dá pra acreditar que se trata do mesmo Scorsese, sem dúvida este é um grande filme, é perturbador, com um roteiro e uma trilha sonora incríveis, é uma de suas maiores obras primas.
Quando o filme começa, Travis Bickle(Robert de Niro) está tentando arrumar um emprego como motorista de taxi, ele tem insônia e passa as noites dirigindo seria uma boa solução para seus problemas, pouco se sabe quem é Travis, apenas que foi veterano no Vietnã, o resto fica subentendido, enquanto aos poucos o personagem vai desenvolvendo o seu comportamento um pouco fora do convencional.
Acho que muito do que Taxi Driver é considerado hoje, se deve ao grande talento de Robert de Niro, é praticamente impossível imaginar algum outro ator que coubesse tão bem dentro do papel de protagonista, aliás graças a Taxi Driver, De Niro e seu Travis Bickle entraram por hall dos maiores anti-heróis do cinema, ao lado de Malcon McDowel em Laranja Mecânica e Al Pacino em Scarface.
Se Taxi Driver for analisado pelo ponto de vista psicológico pode render muito assunto, mais até do que se imagina, não só por Travis, seu protagonista perturbado, mas por diversas outras cenas que deixam transparecer que a violência é a solução para todos os problemas. O que Travis mais deseja é que uma "chuva" um dia caia e possa limpar toda a escória das ruas, isso inclui prostitutas, traficantes, gays e tudo mais, como esse desejo de Travis é um tanto difícil ele acaba optando por ser a própria "chuva".
No início do filme, Travis Bickle se interessa por uma mulher que de certa forma acaba correspondendo suas expectativas, seu nome é Betsy e trabalha em um comitê político de um candidato a senador chamado Palentine, o princípio de romance acaba quando o taxista a leva para assistir um filme em um cinema pornô, o que já não é uma atitude que se enquadre muito nos padrôes de normalidade, a moça então resolve cair logo fora, Travis segue obcecado por mais um tempo até que desiste, mas mais tarde irá armado ao discurso do senador, o que seria uma boa forma de chamar novamente a atenção de Betsy.
Não se sabe ao certo o porque dos disturbios do protagonista, talvez por ter ido a guerra e depois voltado ou simplesmente é um esquisofrênico, ainda assim não é o único que rende momentos violentos e perturbadores ao filme, o próprio Martin Scorsese faz uma participação em Taxi Driver, como um dos clientes do taxi, observando a mulher que o trai e a jurando de morte.
O filme ganha ainda mais ação quando Travis conhece Iris, personagem de Jodie Foster, ela no filme é uma prostituta de uns 12 anos que tem um caso com seu cafetâo, o encontro afeta bastante ao taxista, que logo tentará resolver as coisas da sua maneira, compra então várias armas e se prepara para um possível "combate", é quando também faz o seu famoso corte de cabelo que inspirou diversas gerações.
A primeira vez que usa uma das armas é na cena em que uma loja de conveniências é assaltada, ele atira no bandido que cai morto, em seguida o dono da loja pega um pedaço de pau e revoltado continua espancando o morto.
A demência é o grande ponto alto de Taxi Driver, de pensar no que se passa na cabeça das pessoas, o que se passa na cabeça de Travis fica muito esclarecido quando ele narra fatos de sua vida em off, como se fosse uma espécie de diário.
Enfim é um filme incrível, que mais perto do final estreita a relação de Iris com Travis e que acaba culminando no banho de sangue e carnificina final, uma das mais geniais cenas do filme, em que Scorsese usou de planos e ângulos realmente muito bons, vêm então mais uma grande sacada inteligente do filme, que é criar um falso final para depois então entrar em cena o final "supostamente" feliz.

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Quinta-feira, Maio 19, 2005

O Segredo de Vera Drake(Inglaterra, 2004)

O Segredo de Vera Drake foi uma bela surpresa para mim, pouco sabia sobre ele, apenas que tinha ganhado o Leão de Ouro no Festival de Veneza ano passado, e que é obra do diretor Mike Leigh, o mesmo do ótimo Segredos e Mentiras.
O filme aborda um tema que até hoje causa um bocado de polêmica, o aborto, é ambientado na década de 50 na Inglaterra pós segunda guerra, época que o assunto era total tabu.
A ótima Imelda Staunton é a Vera Drake do título, uma mulher de família humilde, esposa dedicada e mãe de dois filhos, trabalha como faxineira em algumas casas, e pratica secretamente o aborto em algumas mulheres com o único intuito de ajudá-las.
A primeira hora do filme funciona como uma apresentação de cada um dos personagens, Vera, o marido, os filhos, a "amiga" de Vera que encontra as moças que precisam abortar, o detalhe é que essa tal amiga cobra sem falar nada para Vera Drake que sempre faz o serviço de graça, por pura bondade. A partir da segunda hora a ação começa a acontecer sem parar, e as atuações passam a ser muito comoventes, é aí que o filme ganha a sua cara, e o que tinha tudo para ser um dramalhão se torna em uma excelente e envolvente história.
No final do filme cheguei a pensar que era até um pouco moralista, não vale a pena contar nenhum detalhe de seu desfecho, o diretor também usou dos valores como a família e a sociedade pra criar a história que é boa embora um tanto moralista no meu ponto de vista.

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Quarta-feira, Maio 18, 2005

Casa de Areia(Brasil, 2005)

Casa de Areia é um projeto grandioso, com uma qualidade visual incrível, a estética chega a ser quase que poética em diversos planos e ângulos que sempre tem as nuances carregadas com muito branco, mas apesar disso tudo, a mim não convenceu.
Eu sinceramente gostaria de dizer que gostei do filme, mas seria mentira, saí da sala de cinema tão indiferente do que como quando entrei, ainda que eu também não possa dizer que Casa de Areia é ruim, fica no limite do razoável.
O diretor Andrucha Waddington de Eu, tu, eles e Gêmeas chamou a família pra atuar, a esposa Fernanda Torres e a sogra Fernanda Montenegro, esse é o melhor motivo para ver o filme, as duas são excelentes atrizes, e sempre é um deleite assisti-las no cinema, principalmente contracenando juntas quando a atuação realmente exige delas, o que de certa forma é o caso aqui, já que interpretam mais de uma personagem e precisam deixar isso bem claro.
O filme conta a saga de três gerações de mulheres, começa em 1910, curiosamente o mesmo ano em que se sucede Abril Despedaçado de Walter Salles, chegam então as dunas do Maranhão, a mãe Maria(Montenegro), a filha grávida Aurea(Torres) e seu marido, além de uma caravana que os acompanha, o motivo por elas terem ido parar lá não fica exatamente claro, provavelmente porque o marido imagina que lá existem terras próspera, mas parece mesmo um castigo que ele impoe para a esposa, e o que as duas mulheres mais desejam é ir embora dali, as pessoas que estavam junto fogem, o marido morre, e elas acabam isoladas em um lugar que só tem areia em volta, logo encontrarão "vizinhos" por perto, são negros que foram para ali porque fugiam da escravatura e um pequeno povoado acabou se originando, um dos "líderes" é Massu interpretado pelo também cantor Seu Jorge, ele é quem acaba acolhendo as duas mulheres.
As passagens de tempo acontecem de uma forma bem bonita, na primeira delas se passa pouco tempo, a filha de Aurea que também se chama Maria já tem por volta dos 10 anos, Dona Maria já se conformou em viver ali, no meio da areia, enquanto Aurea tenta a todo custo encontrar uma maneira de ir embora.
Em meio a céu e areia não há muito o que se fazer ou pensar, as personagens não sabem o que acontecem no mundo e vão se revelando com o desenrolar da história. A terceira passagem, nos anos 40, a filha Maria está crescida, aí quema interpreta é Fernanda Torres, e a mãe Aurea agora é a Montenegro, e Massu antes Seu Jorge agora é o também cantor Luiz Melodia, a semelhança entre os dois é espantosa.
Destaco uma cena que realmente me chamou muita a atenção e que foi de muita criatividade, um eclipse que aparece do meio do nada, depois é claro ele se explica, mas achei tão bonito e metafórico aquele eclipse no meio do nada que posso dizer ter sido a melhor de todas as cenas do filme.
O filme tem tudo pra ser um sucesso, é muito bem dirigido, tem duas das melhores atrizes do Brasil que conseguem segurar muito bem as quase duas horas de projeção e tem uma história bem interessante, eu só não sei o porquê de eu não ter gostado, mas é aquilo de sentir que falta algo, faltou um elemento que me emocionasse, ainda assim acho que Casa de Areia irá agradar a maioria, e em tempos de que a Globo Filmes produz apenas comédias românticas com elenco de novela das 8, esse está bem acima da média!

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Terça-feira, Maio 17, 2005

A Trilha de Life Aquactic

Tá eu ia comentar por completo, faixa a faixa, a trilha sonora de A Vida Marinha com Steve Zissou, acho que só uma vez eu tinha feito isso aqui no blog, com a trilha de Party Monster, mas aí pensei melhor, e como tem várias faixas instrumentais eu não teria muito o que dizer, por exemplo das duas primeiras eu nem tenho muito o que falar, mas aí tem a terceira, que é um clássico dos grandes, Life on Mars do David Bowie que é realmente muito boa, só que algumas faixas mais pra frente ela ganha a sua versão em português que comentarei a seguir.
Bom, a partir da quarta faixa do Cd é que começo a sentir um pouco de medo e ânsia de vômito, aí que entram as versões em português dos hits do Bowie, cantadas pelo Seu Jorge, tá bom, pros americanos isso deve soar bem exótico, agora pra quem gosta muito de David Bowie como eu isso é praticamente escatológico, a primeira das versões é de Starman a letra é igual a Astronauta de Mármore, versão que a banda gaúcha Nenhum de Nós já tinha feito pra música, então até aí nenhuma novidade.
A quinta faixa é fofinha e instrumental, agora a sexta, ahhh, Rebel Rebel com uma refrâo mais ou menos assim "zero zero agora a vou, você deu mole e então eu marco gol" ahn? como assim??? blergh!!!
A oitava é uma das melhores faixas do disco é da banda bacaníssima dos anos 80, Devo, se chama Gut Feeling, é bem animadinha, meio new wave, enfim é uma das melhores músicas do disco, muito boa!!
E tem mais Seu Jorge, em uma coisa voz e violão cantando o hit Rock'n Roll Suicide em português, me doeu um pouco os ouvidos, mas a letra não ficou tão ruim, só que ele desafina tanto, parece que é de propósito, eu não sei, é uma versão grotesca, fora essa ele ainda canta Five Years e Life on Mars que tem um refrão que diz "vou querer me mudar pra uma life on mars".
Bom, aí depois de tudo isso tem algumas músicas que conseguem salvar a trilha sonora Joan Baez com Here's to you, tem Iggy Pop e Stooges com Search and Destroy que é incrível, Stooges é realmente muito bom está na lista das minhas bandas preferidas, também tem as guitarras flamencas de Paco de Lucia, e tem Scott Walker com 30th century man que também é boa, e a versão original(graças a Deus) de Queen Bitch do David Bowie.
Enfim, se tirasse as músicas do Seu Jorge a trilha não seria ruim, não dá pra entender porque ele que até tem umas músicas divertidas assassinou o som do Bowie dessa maneira, talvez depois de assistir ao filme que está por estreiar eu descubra isso, mas enquanto isso não acontece vou apagando essas versões bizarras do meu computador, ainda bem que tinha Devo, Bowie e Stooges pra que nem tudo fosse perdido.

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Domingo, Maio 15, 2005

Dose Dupla Buñuel - O Fantasma da Liberdade + O Diário de uma Camareira

O bom de gostar do Buñuel é que ele tem uma filmografia muito vasta, são 34 filmes, destes eu já vi 17, o bom é justamente isso que por um bom tempo ainda vou ter vários filmes dele para ver e conhecer, embora seja cada vez mais difícil de encontrar.
Esse fim de semana assisti a mais 2 filmes do diretor que eu ainda não tinha visto, ambos de sua fase francesa, o primeiro deles foi O Fantasma da Liberdade seu penúltimo filme, eu nem sabia muito sobre O Fantasma da Liberdade, me surpreendeu, não só porque gostei muito, mas porque me pareceu um filme muito pessoal na carreira de Buñuel, ele recriou o seu universo particular de uma excelente maneira, são mostrados vários contos, que podem ou não se cruzar, mas a semelhança entre todas as histórias é que são absurdas e muito irônicas, nesse aspecto me lembrou um pouco os filmes do Pasolini, uma das historinhas que mais me chamou inclusive, dão uma menina como desaparecida na escola, os pais vão até lá, a encontram, levam para a polícia para declarar seu desaparecimento, e seguem agindo como se ela estivesse sumida, sendo que ela está sempre presente.
O título do filme, é uma referência a um manifesto comunista, por isso o uso das metáfora que Buñuel faz não poderiam cair melhor dentro do filme que como eu já disse é deliciosamente irônico.
O segundo filme foi O Diário de uma Camareira, de 1964 e ainda em preto e branco, esse foi o primeiro filme que Buñuel realizou na França, então é fácil notar uma certa adaptação, mas assim como O Fantasma da Liberdade é um ótimo filme, também é cheio de metáfora, aliás é a refilmagem de Segredos da Alcova, mas muito mais peculiar, conta sobre uma camareira vinda de Paris que vai trabalhar para uma família que vive no campo, a tal família é cheia de particularidades, a filha é frígida, seu marido só pensa em caçar ou em mulheres e o pai é fetichista, é nesse meio que o filme se desenvolve, e perto do fim acontece o estupro e assassinato de uma meninha, a cena é representada com dois animais, um que me pareceu um porco e um coelhinho branco.
Enfim, é muito bom saber que ainda há bastante coisa do Buñuel que tenho pra ver e descobrir ainda mais desse excelente diretor, os próximos que vou tentar assistir são A Via Láctea e Nazarín, aproveito e deixo também aqui meu comentário sobre O Anjo Exterminador, um de meus filmes preferidos.

PS: Obrigado a minha amiga ANA que me emprestou as fitas com os dois filmes.

O Anjo Exterminador
Este foi o último filme da fase mexicana de Buñuel, em 1962, é considerado uma de suas mais complexas obras.
O filme fala conta a história de um grupo de pessoas ricas que se reunem na mansão de um casal para um jantar, todos por uma razão desconhecida acabam ficando presos no lugar, aparentemente não existe nada que os impeça de sair, eles apenas não conseguem ir embora.
Em meio ao enclausuramento e devido a falta de recursos e comida, os burgueses que até então mantinham uma postura elegante vão deixando cair suas máscaras e mostrando o seu verdadeiro 'eu'.
Este provavelmente junto a O Discreto Charme da Burguesia, seu filme posterior, é a obra do diretor que mais critica a elite, mostra o ser se tornando cada vez mais irracional e agindo com egoísmo e violência.
Aqui a forma narrativa é feita de maneira convencional, diferente de O Cão Andaluz por exemplo, embora em O Anjo também haja elementos do primeiro filme de Buñuel, como uma certa mão sem corpo que perambula pela casa. O aspecto mais inteligente da narrativa é a repetição de fatos e imagens que acontece diversas vezes, no entanto a principal repetição do filme é o momento final, onde os convivas, por mero acaso reproduzem as mesmas posições em que tinham na noite que o enclausuramento se iniciou.
O Anjo Exterminador é também recheado pelas chamadas "obesessões buñuelianas", onde o diretor coloca aqueles seus elementos já tão característicos, a paixão do homem mais velho pela jovem por exemplo, aqui ela fica mais subentendida em uma subtrama, não é tão explícita quanto em Viridiana ou Tristana, mas mesmo assim se faz bastante presente.
Mesmo mostrando a maioria de seres ingratos e que gostam de pisotear a sociedade sem piedade, O Anjo Exterminador tem sua heroína, que é representada pela atriz Silvia Piñal, Leticia a moça virgem e que será a peça chave no desfecho da trama, com essa personagem Buñuel mais uma vez faz uma de suas críticas ao clero.
O filme está centrado em vários mistérios que devem ser observados com atenção, o próprio diretor Luis Buñuel detestava explicações, dizia que se fosse explicar todas as perguntas feitas sobre seus filmes nada restaria.
Um filme como O Anjo Exterminador não é uma fábula que se conclui com "moral da história", nem um enigma que se permite apenas a uma resposta. É uma articulação precisa entre enredo narrativo e imagens isoladas. Daí a complexidade de sua história, das charadas que nos são impostas, e que na maioria das vezes ficam intactas.

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Quarta-feira, Maio 11, 2005

A Queda - As Últimas Horas de Hitler(Alemanha, 2004)

Tá eu estou com muita pressa, preciso ser rápido, mas não podia deixar de registrar que assisti A Queda, e gostei muito, me atrevo a dizer que foi um dos melhores que assisti esse ano.
O filme vem causando grande polêmica porque mostra a segunda guerra de uma maneira que ainda não foi mostrada no cinema, através dos olhos dos nazistas, mesmo assim é obvio que não dá pra torcer por protagonista nenhum, sabemos bem os estragos que os alemães causaram no mundo.
A primeira cena do filme se passa em 1942 quando Hitler, está recrutando uma secretária, as moças o temem um pouco, em seguida ele é bastante atencioso com elas, e inclusive as compreende, desde esse inicio o filme já começa a mostrar Hitler não com um enfoque humanista, mas sim como um ser humano e não monstro.
Uma das secretárias é Traudl Junge, que na época tinha 22 anos, o documentário "Eu fui a secretária de Hitler" foi feito com ela, e daí seguiu a primeira narração em off do filme e a sequencia final.
Mas o filme se passa 2 anos e meio depois desse início, quando a Alemanha está perdendo a guerra e feio, Hitler não admite a derrota e tenta de todas as formas convencer seus comparsas seguirem do seu lado, a maioria deles já fugiu ou o traiu, o que se vê é um homem desequilibrido e desesperado, mas quase nunca um monstro, embora é o que todos sabemos que ele era.
O filme tem cenas bem fortes, os arianos que idolatravam Hitler começam uma espécie de suicídio em massa, e uma das cenas mais pesadas é a que a mãe mata todos os seus filhos, um a um, já que a guerra estava perdida mesmo.
Pretendo comentar o filme melhor mais tarde, agora preciso ir!

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Segunda-feira, Maio 09, 2005

Quase dois Irmãos(Brasil, 2004)

Começo falando de Quase Dois Irmãos dizendo que se trata de um ótimo filme, ainda que com pequenas falhas mas que acabam sendo relevantes, o filme causou furor e arrancou aplausos da crítica desde o ano passando quando veio participando de algumas mostras e festivais.
Quase dois irmãos é situado em três épocas, a primeira delas, nos melancólicos anos 50, onde os protagonistas são mostrados ainda como crianças, e as diferenças gritantes entre os dois são apresentadas, enquanto um é rico e filho de médico o outro é pobre e filho de sambista, interpretado por Luiz Melodia, um é branco e o outro é negro, enfim, eles são quase dois irmãos no sentimento mas com um abismo de diferenças que separam os dois.
Os anos 50 não chegam a aparecer muito, servem mais para dar uma introdução, se passam 20 anos, e Miguel, Caco Ciocler que é bastante talentoso mas alterna sua carreira entre filmes bons e filmes péssimos, está na cadeia como preso político, lá ele encontra o seu amigo de infância, Jorginho, interpretado por Flavio Barauqui, o amigo afetado de Madame Satã, aqui em um papel e uma carga dramática completamente distinta, Jorginho é um preso comum.
E o conflito do filme se passa através disso aos olhos dos dois "irmãos", cada um com sua visão de mundo, a história vai acontecendo, o terceiro tempo onde é situado é nos dias atuais, Miguel agora é deputado enquanto Jorginho se tornou um chefão do tráfico, Miguel o procura porque tem problemas sérios com a filha que está envolvida com um traficante do morro, nessa fase os dois são respectivamente interpretados por Werner Schunnerman e Antonio Pompeo.
As cenas do morro, com bastante tiros e violência pode lembrar bastante Cidade de Deus, não é mera coincidência, já que o filme foi co-escrito por Paulo Lins autor do livro que originou Cidade de Deus, Lucia Murat, que também dirige o filme escreveu junto, aliás a experiência da diretora com a ditadura é bastante retratada no filme, já que ela também foi presa política.
E o filme tem várias cenas ótimas, o carnaval e o samba soam tão tristes e melancólicos e as atuações se sobressaem, sobretudo nas cenas da prisão que em alguns momentos me fizeram lembrar do ótimo Memórias do Cárcere de Nelson Pereira dos Santos. Muito bom ver como trabalho de Lucia Murat evoluiu desde Brava Gente Brasileira.

Adorável Julia(EUA, 2004)

Esses dias vi também Adorável Júlia, ainda não tinha comentado aqui no blog, e na verdade nem vou falar muito sobre ele, apenas que gostei bastante, é um filme leve e que me divertiu bastante.
Antes de assistir tudo o que eu sabia é que se tratava "de uma atriz que se vingava do marido e do amantes nos palcos" e nada além disso, depois vi que essa tal vingança é uma subtrama que só começa a ser desenvolvida mesmo lá perto do final, mas a cena em que acontece é de deixar qualquer um babando.
Adorável Julia é inspirado em um conto de Julio Cortazar, e é bastante interessante por retratar como o teatro era visto na ópera, era uma grande sensação, e a atriz Julia era famosa, e a aplaudiam por onde passavam, em certo momento ela até diz "Cinema é para pessoas sem talento". E por falar em talento, essa talvez tenha sido uma das melhores atuações da vida de Anette Bening que esse ano foi indicado ao oscar pelo filme e teria sido bem justo se tivesse levado para casa.

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(um parêntese...)
tinha que abrir esse parêntese para comentar algo um tanto bizarro que me aconteceu hoje na rua, vinha vindo por uma rua bem movimentada aqui de Porto Alegre, eu estava indo no cinema, me deu sede, então resolvi parar em um lugar e comprar uma garrafinha dessas de 500ml de coca-cola(light é claro), e tá eu sei que eu devia estar tomando água ou suco, mas enfim... dei alguns passos, bebi alguns goles, bebi até mais da metade da garrafinha quando um cara estranho me parou, até então eu nem tinha notado a presença dele na rua, ele tava junto com uma mulher e uma criança que provavelmente era filho dos dois, ele disse "ME DÁ UM GOLE AÍ MEO" eu respondi "CLARO QUE NÃO, EU ESTOU BEBENDO", tá eu não quero ser preconceituoso, mas se eu tivesse dado um gole pra ele não voltaria a por minha boca na garrafa, ele e a família estavam aparentemente beeem sujos, assim que dei a resposta ele imitou exatamente o que eu disse, só que em um tom estranho, não dei atenção e continuei a caminhar, foi aí que ouvi a criança que estava junto e que devia ter uns 8 anos dizer, "VAI LÁ E ARRANCA A GARRAFA DA MÃO DELE". Meu Deus, será que eu devia ter saido correndo? Mas não fiz, quando ouvi a exclamação da criança, eu prontamente abri a tampa da garrafa que estava fechada e continuei andando, ele passou por mim e arrancou a garrafa da minha mão, todo o refrigerante que tinha dentro virou no chão, talvez um pouco em cima dele, e eu continue andando como se nada tivesse acontecido. Tá bom, sei que fui um tanto maldoso, mas não sou obrigado a dar do que estou bebendo para qualquer um na rua, aliás não se pode nem fumar e paz na rua porque sempre tem alguém te pedindo um cigarro, e ai de você se não der, então paciência, eu não sou uma má pessoa, mas dessa vez me senti um pouco vingado por toda as vezes que já tentaram me assaltar. Foi um tanto humilhante para o homem, mas enfim estou cansado de não poder andar na rua em paz sem ter alguém me pedindo algo.

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Sábado, Maio 07, 2005

171 - Criminal(EUA, 2004)

Tá, 171 pode até ser bacanas, mas só pra quem nunca ouviu falar de Nove Rainhas, quem já viu a versão argentina, não achará esse remake norte-americano nada demais.
O filme foi feito através da produtora de George Clooney e Steven Sodebergh, que gostaram da versão argentina e tiveram a "idéia" de levá-lo pras telas em uma versão falada em inglês.Aqui no Brasil o filme recebeu essa tradução horrenda.
Nem há muito como comparar com a versão original que é disparado melhor, 171 diferentemente de Nove Rainhas perdeu todo o encanto por não inovar em absolutamente em nada, é apenas uma cópia mal feita.
Na história John C Reily, que é um ator bastante subestimado pelos estúdios americanos, vive o papel que foi de Ricardo Darín, ele é Richard um golpista que resolve ajudar Rodrigo, um mexicano um tanto inexperiente, aí o filme já faz um gancho e aproveita para marginalizar o imigrante latino dentro dos EUA, Rodrigo é vivido pelo ator Diego Luna de E sua mãe também.
Várias coisas no roteiro mudaram, ainda que tenham sido apenas detalhes, e quem viu Nove Rainhas sempre sabe o que vai acontecer no momento a seguir, mas por exemplo a coleção de selos do filme argentino não existe aqui, o objeto que os leva ao golpe é uma nota antiga de dinheiro ou algo assim.
Ainda no elenco está a ótima Maggie Gyllenhal de Secretária, e é isso, o filme é bem inferior do que o original, vale a pena assistir talvez pela curiosidade ou pra ver o Diego Luna em mais um filme americano.

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Quinta-feira, Maio 05, 2005

O Cárcere e a Rua(Brasil, 2005)

O Cárcere e a Rua, filme que ganhou o prêmio de melhor documentário em Gramado no ano passado, é o primeiro longa da diretora gaúcha Liliana Sulzbach, que antes já havia feito alguns curtas. O trabalho carrega o nome da Zeppelin, importante produtora de cinema em Porto Alegre.
O filme assim como muitos documentários brasileiros trata de um tema social, neste caso as protagonistas são 3 presidiários de um presídio feminino em Porto Alegre, a primeira delas Cláudia, de 54 anos e que já vive ha 28 na prisão, a segunda Betânia está presa há 2 anos e meio, e a última delas, Daniela de 19 anos, está há algumas semanas acusada de ter matado o filho.
Todo documentário parece um tanto tendensioso, este pelo menos não me causou essa impressão, não está ali na dentativa de provar a inocência de nenhuma delas, bem pelo contrário apenas expôe o lado que raramente é ouvido.
O filme não chega a apresentar cenas que possam ser consideradas chocantes como por exemplo em O Prisioneiro da Grade de Ferro ou Justiça, mas a primeira cena já tem o poder de sintetizar todo o resto do filme, Cláudia, a mais velha das 3 está na volta do mercado público de Porto Alegre, procurando aonde pode pegar um ônibus, ele está há tanto tempo de fora da sociedade que já nem lembra ou conhece mais nada.
O filme também tem aquele ponto que sempre comento das produções rodadas aqui em Porto Alegre, que sempre fico identificando lugares e coisas em comum.
O filme tem frases bastante interessante, principalmente da veterana Cláudia, que por ser a mulher com mais experiência acaba se tornando a grande protagonista de tudo, é ela que faz toda a introdução do filme o que já ajuda para a apresentar as próximas.
Betânia é logo mandada a cumprir o regime semi-aberto no albergue, acaba deixando a namorado dentro do presídio, ela tem 4 filhos fora de lá, e está em suas mãos decidir se foge ou não. Notei que a terceira das mulheres, a Daniela é a que menos aparece, e por sua vez ganha menos destaque, não fica claro se ela matou ou não o filho, mas é possível.
O filme demorou um certo tempo para ser feito, justamente pra poder contar melhor a história das presas, não me surprendi, pois já imaginava que iria gostar, apenas achei um pouco curto demais, poderia ter dado um desfecho mais concreto.

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ALGUNS FILMES BRASILEIROS
Comentários breves sobre filmes nacionais que vi recentemente!

Bye Bye Brasil(de Cacá Diegues, Brasil, 1979)

O filme me surprendeu e muito, esperava uma comédia meia boca, uma chanchada talvez embora já tivesse ouvido falar muito bem. Cacá Diegues já teve seu tempo de glória, e foi justamente quando dirigiu este filme, porque os mais recentes, Orfeu e Deus é Brasileiro são realmente péssimos, ainda que bem produzidos.
Bye Bye Brasil conta a história de uma caravana que atravessa o nordeste brasileiro, passando pela Amazônia até chegar a Brasília, os integrantes da caravana são Lorde Cigano interpretado por José Wilker, Salomé(Betty Faria) e Andorinha, mais tarde Ciço(Fábio Jr) acaba se juntando a eles, querendo explorar mais do que conhece.
É um road movie bem brasileiro, mostra a realidade do nordeste ainda que sempre com bom humor, as atuações de Betty Faria e José Wilker são muito boas, e o filme é cheio de ótimas cenas, uma que me chamou bastante a atenção é quando Salomé transa com um cliente, ele conta toda uma história e ela mal dá ouvidos, isso parece banal mas funcionou bem no filme, além de claro outras cenas que fazem Bye Bye Brasil valer a pena, um excelente filme!

Todas as mulheres do mundo(de Domingos de Oliveira, Brasil, 1966)

Tá, eu até acho o filme um tanto machista, mas tirando isso é realmente muito bom. Domingos de Oliveira sempre gostou de falar sobre mulheres, tanto que seu filme mais recente se chama Feminices. Todas as mulheres do mundo foi estrelado pela diva dos anos 60 Leila Diniz e Paulo José, eles interpretam um casal que se conhece sem querer, ele tinha todas as mulheres que desejava mas acaba caindo aos pés de apenas uma, ela.
O filme vai narrando os encontros e desencontros do casal, ela antes tinha outro namorado, mas ele se apaixona por ele e resolve insistir na idéia de ficar com ela, mesmo que ela namore alguém, e dá certo os dois acabam juntos, falando assim pode até parecer se tratar de uma comédiazinha romântica, mas o que faz o filme são os diálogos e as cenas muito bem elaboradas, além claro das ótimas atuações.

Eu sei que vou te amar(de Arnaldo Jabor, Brasil, 1986)

E com Eu sei que vou te amar, Arnaldo Jabor se consolidou como um ótimo diretor,ainda que seus filmes representem bastante a fase em que o país vivia no momento que foram rodados, por exemplo Eu Te Amo já perdeu grande parte do valor que tinha na época que foi lançado, mas continua sendo um ótimo filme.
Aliás Eu sei e Eu te amo tem várias semelhanças, principalmente porque os dois são um filme de diálogos entre os protagonistas, mas enquanto Eu te Amo tem mais personagens, Eu sei que vou te Amar tem apenas dois, que são interpretados por Fernanda Torres e Tales Pan Chacon, os dois conseguem segurar muito bem o filme, graças a ótima atuação até o final.
O filme conta a história de um casal que está separado, ele a chama para conversar, ela vai até o encontro, e a partir das conversas eles começam a filosofar sobre o relacionamento, brigar muito e por vezes trocar confidências, o filme tem diálogos bem forte e durante todo o tempo se passa na casa do homem. Há ainda umas intervenções que aparecem entre algumas cenas, quando ela ou ele, filmados em um outro momento e em outro lugar dão algum texto, e depois voltam ao lugar de origem.
É um filme bastante interessante, justamente pelo fato de ter apenas 2 personagens em cena o tempo inteiro, é quase como uma peça de teatro. Do Jabor ainda preciso ver urgentemente a O Casamento.

Rainha Diaba(de Antonio Carlos Fontoura, Brasil, 1974)

E então Rainha Diaba é inspirado pela história do boêmio carioca e homossexual Madame Satã, que em 2002 originou o filme de mesmo nome. Mas eu imaginava que esse Rainha Diaba teria no mínimo algumas semelhanças com Madame Satã, mas são muito diferentes, este faz apenas uma ou outra referência ao boêmio carioca.
Milton Gonçalves é a Rainha Diaba, ele é um gay com ares de travesti que é o chefão de uma boca de fumo, todos o respeitam e seguem as suas ordens. Não gostei muito da maneira como as coisas são retratadas no filme, ele acaba se tornando uma história um tanto banal, ainda que fale de tortura o que o torna um pouco mais interessante.
As atuações são muito boas, e o personagem de Odete Lara é o que mais vale a pena dentro do filme que tem ainda Nelson Xavier, Stepan Necersian, Yara Cortez e Zezé Mota.
O final é bastante bem feito e avassalador, mas entre esse e o Madame Satã de 2002, eu fico com o filme mais recente sem nem precisar pensar duas vezes.

Abril Despedaçado(De Walter Sales, Brasil, 2001)

Abril Despedaçado é um dos filmes brasileiros mais bonitos dos feitos recentementes, Walter Salles conseguiu pegar uma história bem clichê, que é a de disputa entre duas famílias rivais, e transformar isso em poesia visual e um filme intenso;
No filme Rodrigo Santoro é Tonho, o filho do meio de uma família e que precisa vingar a morte do irmão mais velho, mas a morte só será vingada quando o sangue da camisa do irmão morto amarelar.
E o filme é cheio dessas metáforas, é cheio de personagens arquetípicos, em determinado momento o menino Pacu irmão mais novo é quem acaba roubando a cena, e ele tem um papel na história tão grande e importante como o de Tonho.
Não dá pra deixar de falar das cenas lindíssimas, quando por exemplo Clara, que é o amor de Tonho na história, gira em uma corda em um céu totalmente azul de fundo, ou quando Tonho anda num balanço e depois cai.

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Terça-feira, Maio 03, 2005

"A vida tem suas maneiras de nos ensinar. A vida tem suas maneiras de nos confundir. A vida tem suas maneiras de nos transformar. A vida tem suas maneiras de nos deixar atônitos. A vida tem suas maneiras de nos machucar. A vida tem suas maneiras de nos curar. A vida tem suas maneiras de nos inspirar"

eu não tinha nada pra postar hoje...

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Segunda-feira, Maio 02, 2005

Kinsey - Vamos Falar de Sexo(EUA, 2004)

Alfred Kinsey foi um nome importantíssimo, o grande precursor no campo das pesquisas sobre sexo, um homem que viveu a frente do seu tempo o que é claro, sempre trazia bastante problemas.
Hollywood é um tanto viciada em fazer cine-biografias, tanto de pessoas comuns quanto pessoas célebres, quem se encarregou de levar a vida de Kinsey as telas foi Bill Condon, do excelente Deuses e Monstros, além de dirigir o filme ele também escreveu o roteiro.
A história começa quando Kinsey, muito bem interpretado por Liam Neeson, dá uma entrevisa sobre sexo, as cenas das entrevistas aparecem em preto e branco, mais pro meio do filme é que elas ganharão um sentido, essas entrevistas servem também para que o personagem título acabe introduzindo a sua vida, seu pai era um pastor pudico e castrador, que condenava de todas as formas a masturbação e prazer sexual, sendo assim o jovem Kinsey seguiu virgem até a maturidade, quando encontrou Clara, a mulher com quem se casou.
O pai de Kinsey queria que ele fosse engenheiro, ele queria estudar biologia, durante muito tempo ele colecionava vespas, mas o interesse pelo sexo veio quando na tentativa de perder a virgindade com a mulher eles enfrentaram problemas anatômicos, procuraram então um médico, a partir disso Kinsey viu que quase não haviam livros e explicações sobre sexualidade humana, e os escritos que haviam na época eram pura boçalidades. Ele então resolve se aprofundar no assunto com o fim de ajudar as pessoas que precisavam acima de tudo se conhecerem melhor e deixar de lado tantos pudores.
É um filme bem simpático, em vários momentos chega a ser sensual, sem nunca cair na vulgaridade, não posso dizer que ele tenha me emocionado em algum momento porque isso não aconteceu, mas é bom, correto e vale a pena ser visto.
É dele aquela velha teoria da escala de 1 a 6, onde o únicamente hetero ocupa o número 1, e o exclusivamente gay o número 6, e tem os que ficam no meio, o próprio Kinsey se considerava um 4, no filme chega inclusive a ser sutilmente abordado o caso que o cientista teve com um de seus assistentes.
Alfred Kinsey certamente foi uma figura muito importante para a revolução sexual nos anos 60(ele morreu em 55), o desfecho do filme é bastante inteligente e de certa forma funciona como happy end.

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Domingo, Maio 01, 2005

Faz mais ou menos um mês que eu postei aqui no blog a lista das músicas que eu andava escutando, agora que um tempo se passou é hora de atualizar essa listinha e colocar as mais ouvidas dos últimos dias.

NOVO PLAYLIST

Jay-Jay Johanson - Even in the darkest hour
Modest Mouse - Heart Cooks Brain
Lush - Love at the first sight
Beck - Everybody's gotta learn sometimes
Natalia Lafourcade - El Pato
Muse - Hysteria
My Bloody Valentine - Sometimes
Garbage - Bad Boyfriend
Snow Patrol - Fiften minutes old
New Order - Krafty
The Flaming Lips - One more robot
Tom Waits - Way down in the hole
Moby - Temptation
The Thrills - Car Crash
Death Cab for Cute - Stability

ps: a fotinho acima é do jay jay johanson, altamente recomendado pra quem ainda não conhece

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