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Quinta-feira, Junho 30, 2005
OS MELHORES DO PRIMEIRO SEMESTRE
O primeiro semestre chega ao fim, e eu resolvi preparar mais uma das tradicionais listas, dessa vez com os meus filmes preferidos lançados durante esses primeiros 6 meses do ano, foi um ano de boas surpresas até agora, tanto que foi difícil organizar apenas 10 filmes em uma lista, mas vamos lá:
1 - Oldboy(Coréia do Sul, 2004)
2 - Para Sempre Lilya(Suécia, 2003)
3 - Machuca(Chile, 2004)
4 - Queda - As ùltimas horas de Hitler(Alemanha, 2004)
5 - Edukators(Alemanha, 2004)
6- Mar Adentro(Espanha, 2004)
7 - Questao de Imagem(França, 2004)
8 - Eu não tenho medo(Itália, 2003)
9 - Cabra Cega(Brasil, 2005)
10 - Maria cheia de graça(Colômbia, 2004)
Comentários:
9 Canções(Inglaterra, 2004)
A Festa Nunca Termina é um filme genuinamente "cool", é bacana porque consegue cumprir seu objetivo de abordar a cena rock do início dos anos 80 de maneira divertida, original e muito interessante, esse novo trabalho do diretor Michael Winterbottom é tão interessante quanto o anterior e não deixa em nenhum minuto de valorizar a sua maior paixão, o rock'n roll.
Mas 9 Canções é daqueles filme que se você vai assistir sabendo muito do que se trata, estraga, então vou tentar ser breve para não estragar nenhuma possível surpresa que o filme possa trazer.
A história é contada da seguinte maneira, as 9 canções do título se intercalam com a trama de um casal de namorados em Londres, ela uma estudante americana e ele a conhece no show do Black Motorcycle Diaries, depois disso entram as tão polêmicas e comentadas cenos de sexo, que vão ficando cada vez mais explícitas com o decorrer da fita.
Eu não vou dizer que o filme é sustentado por sua trilha sonora, que é excelente, entre as bandas que aparecem tem o Franz Ferdinand, The Von Bondes com a bacaníssima C'mon C'mon e Primal Scream, cada música vai ilustrando o momento pelo que a história passa, mas 9 Cancões também é sustentado por todo o sexo que apresenta, ele é mostrado de maneira crua, intensa e em certos momentos um tanto excitante, chama muito mais a atenção do que qualquer Ken Park ou coisa parecida. Planos detalhe do pênis ou vagina dos protagonistas são bastante comuns.
Se não fosse o sexo e o rock'n roll o filme não teria atrativos, mas ainda bem que tem, e é um bom filme sim, tão bacana quanto A Festa nunca Termina, um filme gostoso de acompanhar e que deve agradar aos amantes de rock e de sexo, por mais sugestivo que isso possa parecer.
Comentários:
Terça-feira, Junho 28, 2005
A vida Marinha com Steve Zissou(EUA, 2004)
Há pouco mais de um mês eu postei aqui no blog, meu comentário sobre a trilha sonora de A Vida Marinha, até então eu não tinha visto o filme, mas agora que assisti posso dizer que a trilha se encaixa perfeitamente ao filme, até mesmo as versões grotescas em português para as músicas de David Bowie tem um bom desempenho dentro do filme. Não há como não vibrar na cena em que Bill Murray enfrenta piratas em seu navio ao som de Search and Destroy dos Stooges.
Depois de ter feito muita porcaria ao longo da carreira, parece que Bill Murray resolveu se redimir e entrou numa maré de filmes bons, com bons diretores, aliás ele voltou a se tornar ídolo depois da sua atuação sensível em Encontros e Desencontros.
Embora muita gente tenha torcido o nariz para o filme anterior do diretor Wes Anderson, Os Exêntricos Tenembauss é um filme de que gosto muito, acho que tem personagens perfeitos e muito bem construídos, por isso eu esperava ansioso por A Vida Marinha, ainda que não seja tão bom quanto o anterior.
Aqui Bill Murray vive o Steve Zissou do título, um mergulhador que faz documentários, ele está em total decadência como cineasta, mas seu ego não permite que admita isso, por isso resolve partir em mais uma aventura para fazer um novo filme.
O diretor junto parte do elenco de Tenembauss, Angelica Huston, Owen Wilson e o próprio Murray, aliado de Willien Daphoe, a sempre ótima Cate Blanchett e até mesmo o brasileiro Seu Jorge, que aqui interpreta um personagem de nome Pelé dos Santos, ele quase não fala, mas mesmo assim faz diversas aparições com suas versões um tanto inusitadas de David Bowie.
Acho que o diretor conseguiu ótimos resultados com esse filme, os personagens são todos interessantes, ainda que nem tão excêntricos quanto os Tenembauss, mas a presença de Angelica Huston sempre vale muito a pena e Cate Blanchett que interpreta uma jornalista também.
Além de um lado cômico bem reforçado o filme conta com um melodrama disfarçado quando tenta fazer uma abordagem mais funda sobre sentimentos, por exemplo o personagem de Owen Wilson tem 30 anos e acaba de se apresentar para o seu suposto pai, Steve Zissou.
O diretor criou diversas referências, a maior delas é o yellow submarine dos Beatles, e há coisas tão bizarras que provavelmente só se possa apreciar em um momento mais non-sense, o próprio Zissou fuma bastante maconha ao longo do filme, provavelmente uma referência de como Wes Anderson escreveu o filme.
Comentários:
Quinta-feira, Junho 23, 2005
Os Mais Esperados para o Segundo Semestre
E eu fiquei horas preparando um texto sobre cada um dos filmes que mais espero ver nesse segundo semestre, mas acabei fazendo isso pelo blogger mesmo, geralmente faço no Word, e aí quando fui postar a página tinha expirado e eu perdi o texto inteiro, não vou escrever tudo de novo, não sou tão paciente assim,mas vou passar a lista, e nos próximos dias vou fazer uma outra lista, a dos melhores do primeiro semestre.
Sin City de Robert Rodrigez
Dark Water, de Walter Salles
Manderlay, de Lars Von Trier
The Fountain, de Darren Aronofsky
Só Deus Sabe, de Carlos Bolado
Cidade Baixa, de Sérgio Machado
O Castelo Animado, de Hayao Miyazaki
The Last Days, de Gus Van Sant
A Fantástica Fábrica de Chocolates, de Tim Burton
800 Balas, de Alex de la Iglesia
Terra dos Mortos, de George Romero
Comentários:
Bernal Fun Sucks escreveu:
Ô , bando de puxa-sacos ! Escuta , Eduardo : por favor aprenda a escrever melhor e pare de utilizar tantos clichês nos seus textos .Por que será que eu já sabia o que você ia escrever ?E outra coisa , por que ir ver o filme se você já estava preparado para espinafrá-lo ? Continue com suas merdinhas latinas , e filminhos pseudo-intelectuais ;é melhor para você ....
E eu Respondo:
O que dizer? Se odeia tanto tudo o que eu escrevo não vejo o mínimo sentido em entrar aqui e ainda por cima perder seu tempo lendo meus textos, não ter gostado de Batman não é nada anormal, até porque eu poderia ter gostado se o filme fosse realmente bom. Continuarei com minhas "merdinhas" e você continua com as suas, que certamente não são apenas "inhas".
Comentários:
Quarta-feira, Junho 22, 2005
Nicotina(México, 2003)
Fui ver Nicotina sem esperar nada no filme, aliás essa minha falta de expectativas sobre o filme até me deixou meio de mau humor no início do filme, quando eu tava achando toda a histórinha de hacker e a músiquinha de fundo algo completamente clichê, mas não cheguei a me decepcionar, apesar de tudo, Nicotina é bem divertido.
O filme apesar de ser mexicano é dirigido por um argentino, Hugo Rodríguez, produtor de Mar Adentro, conta a história de um golpe onde tudo dá completamente errado, e usa do humor negro pra fazer suas piadinhas, as vezes dá certo, outras nem tanto.
Tudo começa com Diego Luna, que foi sensação mexicana junto de Gael em Y tu mamá también, mas acabou dando a sua carreira rumos um pouco diferentes do que o colega, Luna é um hacker apaixonado por sua vizinha que não lhe dá a mínima e ainda tem 2 amantes(aliás essa é uma das subtramas do filme), o personagem de Diego Luna está envolvido em um golpe com uns russos e precisa levar um cd na casa deles, a recompensa é um saco com 20 diamantes.
No meio de tudo isso tem uma dupla de parceiros, um deles é argentino, o outro mexicano e ficam o tempo inteiro discutindo sobre os males ou não do cigarro, as vezes chega até ser um pouco irritante, porque o roteiro parece estar querendo arrumar uma desculpa para o nome do filme se chamar Nicotina.
Resumindo, tudo dá errado na história do golpe, o hacker leva os cds trocados(ele leva um cd com vídeos da sua vizinha) e aí começa um grande tiroteio que segue até o final do filme, aliás a partir dessa parte, Nicotina começou a me mostrar bastante influência dos filmes de Guy Ritchie, principalmente Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes.
O que mais gostei em Nicotina são as subtramas, a da farmácia e a do salão de beleza, além de ambos contarem com uma estética cafoníssima, são os que mais divertem, até porque é aí que se escondem os melhores atores do filme, o Salão de Beleza é invadido pelo russo baleado, o cabelereiro é interpretado pelo ótimo Rafael Inclán de La Perdición de los Hombres e sua mulher a personagem mais divertida do filme é uma manicure ambiciosa vivida por Rosa María Bianchi. Tem ainda o ambiente da farmácia onde Daniel Gimenez Cacho é o farmaceutico, aliás o ator está na maioria das produções mexicanas que chegam por aqui recentemente, inclusive na última, Vozes Inocentes.
Então, Nicotina está longe de ser uma obra prima do humor negro, como as que Alex de la Iglesia ou até Almodóvar fazem, mas é um filme divertido, com ótimo elenco e que vale a pena ser conferido.
Comentários:
Batman Begins(EUA, 2005)
Chega até a ser um tanto inútil falar de Batman Begins já que comentários para esse filme não faltam por aí, lembro que comecei a acompanhar as notícias sobre ele desde antes do início das filmagens, e minha curiosidade e meu dever cinéfilo me levaram a ver o filme logo na semana de estréia.
Eu não quero ser chato, tá certo que eu acabo quase sempre falando mal da maioria das grandes produções de Hollywood, mas começo dizendo que não gostei de Batman por vários motivos, ainda que ele tenha lá seus acertos, a escolha de Christian Bale para interpretar o homem morcego é um deles.
Já era hora de fazer um novo filme sobre Batman, e mostrar como tudo começou, mas acho que a quantidade de flashbacks mostrando a infância de Bruce Waine foi um pouco exagerada, entre outros exageros claro, chega a ser irritante tanta introdução e clichês infantis até que a história realmente comece.
O filme começa quando Bruce está preso em um lugar gelado, treinando para voltar a Gothan e vingar a morte dos pais e combater o crime, ele é resgatado de lá por Henri Ducard(Liam Neeson) que promete ajudá-lo, não quero falar muito sobre os detalhes da trama para não estragar a surpresa de quem ainda não viu.
Quando Batman chega a Gothan ele surpreende a todos e precisa enfrentar vilôes terríveis para acabar com a corrupção da cidade e honrar a memória do pai, até aí tudo bem é basicamente a premissa de qualquer outro de seus filmes, mas neste ele é mostrado como um ser mais humano e real do que em qualquer outro Batman. Um dos vilôes que Batman enfrenta é interpretado pelo protagonista de Extermínio que acabo de esquecer o nome.
Em Batman Begins também foi adicionado um novo personagem que não tinha na HQ, Rachel, uma promotora interpretada por Katie Holmes que é bonitinha e tal, mas no filme deixa a desejar, mas como todo o superherói precisa de uma namorada, ela está aí exercendo o seu papel.
É um filme que tem tudo que uma superprodução exige, um bom diretor, Christopher Nolan de Amnésia, muitas explosões, e um elenco com muitos famosos, Michael Caine, Morgan Freeman, Liam Neeson e um Christian Bale bem mais bombado do que na época de Velvet Goldmine.
Deixa muito a desejar até porque filmes como esse não necessitam de tantos moralismos, se não acaba caindo no ridículo, eu esperava por algo bem mais sombrio, mas Batman Begins deve agradar a maioria do público, e eu ainda fico preferindo O Homem Aranha.
Comentários:
Segunda-feira, Junho 20, 2005
TWIN PEAKS - PRIMEIRA TEMPORADA
Quem matou Laura Palmer? Essa era a pergunta que não calava em Twin Peaks, uma pequena cidade nos EUA próximo a fronteira do Canadá. A série surgiu da mente genial de David Lynch que depois inclusive dirigiu o filme Os Últimos Dias de Laura Palmer.
A primeira temporada da série conta com 8 episódios se contarmos o piloto, o primeiro de todos, e talvez o melhor, este foi realmente dirigido por Lynch, começa quando o corpo de Laura Palmer é encontrado nas margens de um rio, a polícia começa a investigar até que o agente Cooper do FBI(Kyle MacLachlan, o muso de Lynch) é mandado para assumir o caso.
Eu tinha vagas lembranças da série, vi o filme há alguns anos e gostei muito, e já está na hora de rever, mas agora que revi a série fiquei um pouco decepcionado, talvez porque eu já soubesse quem era o verdadeiro assassino, mas também porque poucos são os episódios dirigidos por Lynch, ele dirige mais é na segunda temporada e também achei que há um excesso de personagens interessantes, mas pouco explorados.
E deixando de lado as críticas cada um dos episódios deixa uma vontade louca de ver o seguinte, o mistério consegue ser muito bem mantido, alguns episódios são monótonos, mas outros tem momentos geniais como o que a Senhora do Tronco aparece, ou quando o agente Cooper tem um sonho que se passa 25 anos depois em uma sala toda vermelha onde está Laura Palmer e um anão falando uma língua estranha, este é quase perturbador.
E agora vou ficar esperando que a segunda temporada saia em DVD para poder ver o que acontece depois do último episódio e para poder conferir os episódios que David Lynch dirigiu.
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Domingo, Junho 19, 2005
Bom, Dia Noite(Itália, 2003)
Vi o trailer de Bom Dia, Noite e logo aí descobri que se tratava de um bom filme, o trailer usa uma única cena do filme e consegue instigar uma absurda vontade de saber o que acontece, pois bem, foi com o trailer na cabeça e sem saber muito do que o filme se tratava que eu fui ao cinema assistir ao filme.
Bom Dia, Noite do diretor Marco Belocchio, trata de uma história real que chocou a Itália no final dos anos 70, Aldo Moro, representante italiano da Democracia Cristã foi sequestrado por um grupo de revoltosos que o mantiveram no cativeiro por alguns meses, o filme é contato atravésdos olhos de Chiara uma personagem fictícia que integra o grupo de sequestradores.
Existe sempre um clima de grande tensão no ar, desde o início quando Chiara e seu suposto marido procuram o apartamento que usarâo para o sequestro, até o final quando ainda não se sabe exatamente o que vai e o que pode acontecer, embora quem já esteja por dentro do caso conheça os destinos da história.
O filme tem belíssimas interpretações, principalmente de Maya Sansa que interpreta a jovem Chiara, e Roberto Herlitzka que vive Aldo Moro. Bom Dia, Noite é mais um excelente exemplo do atual cinema italiano, esse ano chegou também ao Brasil o excelente Eu não tenho medo.
Aliás a história que o filme conta repercurtiu tanto que o fato chegou ao papa, que tentou intervir na decisão dos sequestradores, e é nesse clima de tensão do início ao fim que acompanhamos a história até o desfecho que a princípio pode ser de difícil digestão, mas é belo, aliás tão belo quanto todo o resto do filme, embora trate de um tema brutal.
Deixo a dica para o excelente site brasileiro do filme http://www.estacaovirtual.com/bomdianoite/ é bastante completo
Comentários:
Quinta-feira, Junho 16, 2005
Algo sobre David Cronenberg
Gosto de diretores que tem a capacidade única de criar um universo particular, como Almodóvar, David Lynch ou Tim Burton... David Cronenberg é um desses, um diretor que em seus filmes tem um universo só seu, não só pela estética mas também pela linguagem que costuma usar. E enfim, já era hora de falar um pouco dele aqui no blog.
Cronenberg nasceu em 1943 em Toronto no Canadá, como a maioria dos diretores começou dirigindo curtas nos anos 60, depois fez algumas coisas para a TV, em 1977 fez um filme que chama Enraivecida na Fúria do Sexo, descobri que ele tem na locadora que frequento, mas está inacessível por fazer parte de um tal depósito, depois veio Filhos do Medo, mas seu primeiro longa de grande repercursão veio só em 1980, Scanners que aqui no Brasil ganhou o subtítulo de Sua Mente pode destruir, um filme que está longe de ser sua maior obra prima, mas que é louvável por ser assumidamente trash, tem seus momentos louváveis, mas peca um pouco por tentar explicar tudo demais, enfim, cabeças que explodiam e olhos que se reviravam, era apenas uma amostra do que estava por vir. Seu filme seguinte Videodrome a Síndrome do Vídeo é considerado por mim, uma de suas maiores obras primas, é um filme notável, extremamente perturbador e que conta com a ótima atuação de James Wood em um filme extremamente alucinógeno.
O filme seguinte de Cronenberg, foi uma adaptação de um livro de Stephen King, Na Hora da Zona Morta com Cristopher Walker, um filme igualmente perturbador aos anteriores, contando uma história que embora não fosse de sua autoria trazia elementos tão seus todo o tempo.
Em 1986 o diretor se tornaria realmente conhecido graças a A Mosca, mais uma de suas obras inquietantes, onde Jeff Goldblum vivia um cientista que após uma mutação genética começava a se transformar, pode parecer clichê, mas não para Cronenberg que tem a capacidade de transformar qualquer conto de fadas em história macabra.
Gêmeos, mórbida semelhança de 1988 é o primeiro filme de David Cronenberg que eu lembro de ter assistido, só a palavra "Mórbida" no título já me dava um pouco de arrepios, mas enfim, isso porque eu era criança, hoje considero a obra mais madura que o diretor fez nos anos 80, o filme era protagonizado por Jeremy Irons no papel dos gêmeos do título. É um filme que preciso rever com uma certa urgência por já estar um pouco apagado na minha memória.
Seguido de Gêmeos veio Mistérios e Paixões, filme que não vi, mas tenho uma grande curiosidade, a história é sobre a mulher de um homem que trabalha como exterminador de insetos e que se vicia em inseticida.
M Butterfly de 1993 foi uma incursão do diretor ao que se pode chamar de drama, aqui ele voltou a trabalhar com Jeremy Irons, como o nome sugere é uma adaptação do clássico Madame Butterfly, é um filme de que eu não gosto muito, mas tem lá seus méritos.
Crash Estranhos Prazeres é um dos filmes mais conhecidos de David Cronenberg, e também é uma de suas grandes obras primas, não segue a linha terror psicológico e perturbador dos outros, mas é um drama bizarro onde carros e prazer estão envolvidos o tempo todo, o elenco é ótimo, James Spader, Rosana Arquette e Holly Hunter.
Depois de 3 anos sem filmar o diretor surgiu em 1999 com ExistenZ que tenho muita vontade de ver mas ainda não vi, e em 2002 veio Spider desafie sua mente, um drama sobre um homem perturbado que depois de anos exilado volta as ruas e tudo começa a ficar muito estranho.
O novo filme de Cronenberg, A History of Violence esteve este ano no festival de Cannes, deve chegar no Brasil em breve, este tem me deixado bem curioso.
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A Casa de Cera(EUA, 2005)
De vez em quando preciso ver algum filme do circuitão comercial pra não perder o costume, o escolhido da vez foi Casa de Cera, preciso confessar que um dos principais motivos que me levaram até o cinema para ver o filme foi ver a vaca da Paris Hilton pagando mico, e correndo de calcinha e sutiã, mas enfim, ela está longe de ser a protagonista da história e a sua presença é só mais um dos tantos atrativos trash que o filme possui.
Casa de Cera é refilmagem de Museu de Cera de 1953 considerado uma obra prima do terror B, não vi o filme original embora tenha bastante vontade, essa nova versão pelo que sei é bem adaptada e tropeça no velho clichê de jovens sedentos por sexo acampados na floresta e correndo grave perigo de vida, mulheres bonitas e siliconadas e grandalhôes que ao invés de protegê-las acabam sempre morrendo antes.
Mas eu não vou falar mal de Casa de Cera, não mesmo, porque o filme me divertiu bastante, tá ele tem vários pontos negativos, mas inacreditavelmente também tem pontos positivos, vamos começar falando da loira Paris Hilton, que se sai péssima como atriz, mas como já disse é mais um mero atrativo para lotar platéias, no início do filme inclusive tem várias cenas que fazem referência aqueles filmezinhos pornôs caseiros de Paris que vasaram pela internet, isso é divertido.
O filme é dirigido pelo espanhol Jaume Collet-Serra, começa quando um grupo de jovens vai para um jogo de futebol, mas antes acampam em uma floresta, o carro de um deles estraga, e ele e a namorada vão até uma cidadezinha em busca de uma nova correia enquanto os outros seguem para o jogo, inclusive existe uma certa demora até que comece a matança, o início é envolvido por um suspense, não se sabe bem como eles chegarão até a casa de cera, até que finalmente se descobre.
Semelhanças com O Massacre da Serra Elétrica são bastante comuns aqui, tá certo que essa moda de cultuar o trash já rendeu alguns remakes, mas esse parece ter uma cara própria, as semelhanças vem de várias partes, mas principalmente porque aqui também existe uma família de freaks que adora mutiliar as vítimas, ou no caso transformá-las em bonecos de cera.
Não posso deixar de mencionar também a cena que se passa no cinema de cera, e o filme que está passando é nada mais nada menos do que O que terá acontecido a Baby Jane? com a diva Bette Davis, a homenagem cai como uma luva dentro da cena do filme.
E Paris Hilton nem aparece tanto assim, mas é divertido vê-la em cena, divertido também é ver os jorros de sangue, cenas com fundo psicológico e o final apocalíptico. Bom, não foi dessa vez que o gênero terror ressurgiu com tudo, até porque se trata de uma refilmagem, mas é um filme bastante despretensioso e engraçado, vale a pena ver quando não tiver nada mais interessante passando na sala de cinema ao lado.
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Quarta-feira, Junho 15, 2005
Na Locadora: Crimes em Wonderland(EUA, 2003)
Provavelmente John Holmes tenha sido literalmente o MAIOR astro pornô de todos os tempos, ele transou com mais de 14 mil mulheres, em 2500 filmes de sexo explícito, um número louvável na indústria pornográfica, mas o enfoque de Crimes em Wonderland é outro, aliás o filme começa falando da "lenda John Holmes" e depois dizendo que a história a seguir se passa exatamente quando a lenda acabou, quando Holmes é um viciado em drogas e já não atua mais como ator pornô.
Filmes sobre pornografia e a decadência humana sempre exerceram um certo fascínio sobre mim, por isso eu tinha bastante curiosidade pra ver este, embora ele tenha demorado um tempão para chegar no Brasil e eu ainda esperei só agora que saiu em DVD pra assistir, e tá bom, ele não é nenhum Boogie Nights, mas é bom, tem uma montagem muito bacana o que lhe garante alguns pontos positivos.
Nos créditos iniciais do filme são mostradas imagens do verdadeiro John Holmes, depois entra Val Kilmer no papel do astro, em alguns momentos ele consegue lembrar bastante Holmes, deve ter assistido boa parte da filmografia pornô para poder ganhar alguns trejeitos, Kilmer já tinha interpretado personagens da vida real antes, como Jim Morrisson no fraquinho The Doors.
O filme é dirigido por James Cox, o mesmo de Rock Star um filme meia boca, esse fica um pouco acima da média. Wonderland conta a história de um massacre brutal ocorrido na rua de mesmo nome e que aconteceu devido a uma briga por drogas, aliás em Boogie Nights do gênio P.T. Anderson existe uma cena que é inspirada nesse fato, pra que não sabe o Dirk Digler, Mark Whalberg é inspirado nesse mesmo John Holmes mostrado aqui.
Eu acho que o filme poderia ter enfocado um pouquinho mais essa coisa da dependência causada por drogas, ele até mostra, mas não é muito explícito, deveria ousar um pouco mais nessa parte mas é interessante, até porque a história do roubo é contada em flashbacks e em várias versões.
A história do filme se passa em 1981 e tem uma trilha sonora excitante, me empolguei quando logo no começo do filme começou a tocar 20th century boy do T Rex, e tem ainda Patt Smith, Stooges, Roxy Music e Duran Duran.
E é isso, o filme tem belas atuações de Kilmer, Lisa Kudrow que interpreta sua mulher e Kate Bosworth a atual namorada, Christina Applegate também está no elenco, mas ela quase nem abre a boca.
John Holmes morreu em 1988 vítima de AIDS, o que já era de se esperar para alguém que transa com mais de 14.000 pessoas diferentes.
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Terça-feira, Junho 14, 2005
Old Boy(Coréia do Sul, 2003)
Old Boy é incrível! Fui ao cinema sabendo pouco sobre o que se tratava, tinha visto o trailer que me chamou a atenção pela estética até aí tudo bem, mas quando entrei no cinema me deparei com uma história extremamente criativa, algo raro hoje em dia.
O filme começa quando Oh Dae-Su está em uma delegacia, com asas de anjo que pretende entregar a sua filha pequena, depois disso ele vai até uma cabine telefônica com um amigo e desaparece, em seguida vemos o homem preso em um quarto, por onde passa 15 anos, sem saber o porque ou quanto tempo ficará por ali.
O filme tem momentos memoráveis, e uma estética impressionante, em vários momentos ele me fez lembrar David Lynch, graças ao clima tão particular que consegue criar, é um filme não só de belas imagens, mas também de atuações perfeitas e uma história absurdamente envolvente.
Old Boy do diretor coreano Park Chanwook é surpreendente do início ao final, as vezes é claustrofóbico, outras é extremamente perturbador. Heróis solitários são um tema bastante comum no cinema oriental, mas ainda não tinha visto algo como Old Boy onde tudo consegue ser incrivelmente perfeito.
O filme tem planos muito bem bolados, algumas cenas de ação são feitas em plano sequencia, enquanto outras são extremamente bem cuidadas, aqui a trilha e a fotografia contribuem e muito para a perfeição do filme.
Na segunda metade o intenso clima lynchiano pode até ser um pouco deixado de lado, mas porque aí o filme ganha as suas próprias formas, e elas são ótimas, quando eu pensei que tudo iria se desgrengolar por ser explicativo demais, a história surprende outra vez, e como, tanto que Old Boy já é ítem obrigatório na minha lista de melhores do ano.
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Quinta-feira, Junho 09, 2005
OS ÚLTIMOS VISTOS NO CINEMA
Vou comentar rapidamente os últimos filmes que assisti no cinema, casualmente são todos brasileiros, também vi o argentino O Cachorro de Carlos Sorín, diretor de Histórias Mínimas, mas esse será comentado na coluna do e-filmes amanhã, e vi Sahara porque ganhei ingressos, mas desse não vale a pena escrever nenhuma linha. Ah e amanhã é sexta, dia de novas estréias nas salas de cinema.
Cabra-Cega(Brasil, 2005)
Filmes sobre a época da ditadura no Brasil já não são nenhuma novidade, esse ano mesmo teve Quase dois irmãos, e Cabra Cega que é bem superior, um filme com interpretações excelentes e com um ponto de vista mais inovador que os outros filmes sobre ditadura já feitos.
O filme fala de um militante político, Tiago, que por estar ferido se refugia em um apartamento em São Paulo, é nesse apartamento que a maior parte da história acontece, embora tenha alguns flash backs e outros momentos fora. É um filme quase perfeito, o ponto alto é realmente as atuações, a maioria dos atores não são muito conhecidos o que acho que contribui bastante, estou um pouco cansado de ver filmes protagonizados por atores de novelas da Globo.
Dirigido por Toni Venturi, de Latitude Zero, que também é com a atriz Débora Duboc acho que Cabra Cega se destaca por inovar e por ter uma grande trilha sonora, as músicas são de Chico Buarque interpretadas por Fernanda Porto.
Vale também falar sobre a reconstrução da época que é muito bem feita. Ponto para o cinema nacional!
A Pessoa é para o que nasce(Brasil, 2005)
A idéia do filme nasceu de um curta-metragem homônimo, ele começou a ser produzido em 1998, e fala sobre a vida de 3 irmãs, nordestinas, cantoras e cegas, realmente é uma boa idéia e tem momentos sensacionais, mas rir da desgraça alheia em certo momento te deixa com um pouco de peso na consciência.
O filme fala sobre as 3 irmãs que são pobres e cegas, realmente o destino não poderia ser mais cruel com elas, mesmo assim elas carregam a alegria de viver, e são personagens divertidas, e como o diretor Roberto Berliner explorou bem isso, o filme rende ótimos momentos, ainda que no resultado final tenha me causado uma sensação estranha.
A pessoa é para o que nasce é dividido em dois momentos, o primeiro quando elas só se fodem lá em Campina Grande e levam uma vida desgraçada e o segundo quando se tornam aspirantes a celebridades e são agraciadas por Gilberto Gil, aliás o ministro me causou uma irritação tremenda em todas as cenas que aparece.
Jogo Subterrâneo(Brasil, 2005)
Meu maior medo antes de ver Jogo Subterrâneo era o seu elenco, Felipe Camargo, Daniel Escobar e Maria Luiza Mendonça, é realmente de causar medo, mas o diretor fez com que todos eles trabalhassem direitinho, e o filme acabou rendendo um bom resultado.
Jogo Subterrâneo é inspirado em um conto de Julio Cortázar, fala de Martin, um homem que procura pela mulher perfeita no metrô, ele busca insensantemente, até que conhece Ana, personagem de Maria Luiza Mendonça, uma mulher um tanto misteriosa e estranha. Eu só achei que a forma como a paixão entre Ana e Martin surgiu foi um pouco rápida, mas se parar pra pensar essas coisas acontecem rápido também na vida real, então resumindo Jogo Subterrâneo é visualmente muito bonito e tem uma história envolvente e gostosa de ver.
Comentários:
Quarta-feira, Junho 08, 2005
Anne Bancroft (1931-2005)
Comentários:
Segunda-feira, Junho 06, 2005
Um novo Playlist
aí vai mais uma daquelas listinhas das músicas mais ouvidas do momento pela minha pessoa sem muita ordem de preferência. Últimamente ando considerando a hipótese de criar um blog pra falar exclusivamente de música, mas enquanto isso não acontece eu vou continuando com esses posts musicais de vez em quando, espero que seja do agrado de todos.
The White Stripes - Blue Orchid
Futureheads - Decent Days and Nights
Nouvelle Vague - This is not a love song
Cat Power - Troubled Waters
Sonic Youth - Society is a Hole
Lady & Bird - Blue Sky
Bright Eyes - Train under water
Radiohead - Idioteque
Queens of Stone Age - Everybody knows that you're insane
Weezer - Beverly Hills
Juliette and the licks - American boy vol.II
Aimee Mann - One
Kasabian - Club Foot
Janette - Porque te vas?
Vive la Fetê - Assez
Nora Ney - Se eu morresse amanhã de manhã
Maysa - Bom dia Tristeza
Beck - Guero
Kings of Convenience - Gold in the air of summer
Le Tigre - Punker Plus
Louis XIV - Paper Doll
The Magic Number - Forever Lost
Comentários:
Domingo, Junho 05, 2005
MARATONA DE CINEMA ARGENTINO/ESPANHOL
Já devia ter feito esse post antes, mas enfim ainda não é tão tarde...
Cria Cuervos(de Carlos Saura, Espanha, 1975)
Cria Cuervos foi o melhor filme do Saura que já assisti, tinha visto vários dele, inclusive os últimos, mas parecia que faltava algo sempre, com Cria Cuervos foi diferente, uma obra perfeita, um filme sensível e com um clima tão peculiar.
Ana Torrent de Tesis, que na época era uma menina, interpreta Ana, uma criança que sofre com a morte prematura dos pais, a mãe dela é interpretada por Geraldine Chaplin, casada com o diretor Carlos Saura. É um filme sobre o mundo através dos olhos de uma criança, as vezes perverso, as vezes ingênuo. Bons são os momentos em que toca a musica Porque te vás, praticamente um clássico da música latina e que me fez lembrar algumas cenas desse seu último filme, O Sétimo Dia.
Camila(de Maria Luisa Bemberg, Argentina, 1984)
Dos filmes argentinos que assisti recentemente, este sem dúvida é o que mais se destacou, um filme bastante interessante e emotivo. Conta a história de Camila(Susú Pecoraro) obviamente, uma jovem que se apaixona pelo padre Ladislao, interpretado por Imanol Arias, ator que trabalhou junto de Almodóvar nos primeiros filmes do diretor. Camila tem cenas intensas, ainda mais porque se trata de uma história real e trágica que realmente ocorreu em meados do século XIX.
La puta y la ballena(Espanha/Argentina, 2004)
Tá, esse filme é realmente bem estranho, alterna em duas épocas, começa na Barcelona dos tempos atuais e uma mulher descobrindo que tem câncer de mama, ao invés de ficar e se tratar ela ruma até a Patagônia onde faz a pesquisa para um livro de fotos. A tal pesquisa mexe com fatos do passado, em uma época de guerra quando um homem leva a namorada para trabalhar como prostituta de um bordel. É estranho sim, talvez valha conferir por pura curiosidade ou pra ver Leonardo Sbaraglia e Aitana Sanchez Gijón que como vivem em duas épocas diferentes não chegam a fazer o q se chama exatamente de contracenar.
No debes estar aquí(Espanha, 2002)
O Pablo Echarri pode ser muito bonitinho e tal, mas de bom ator ele não tem nada, logo só atua em bombas como esse filme, com um tema já um tanto manjado, o dos internautas psicopatas, o filme tenta ser algo do tipo um novo Tesis, mas é tão ruim, tão ruim, ainda se tivesse alguma cena de sexo que valesse a pena poderia ter algo que se salvasse.
Un Oso Rojo(Argentina, 2002)
De todos os argentinos que vi nestes últimos dias, esse certamente foi o melhor, não tem uma grande trama ou enredo, mas é um filme seco, silencioso, o que o torna interessante, fala sobre um ladrão que foi preciso no dia do aniversário da filha, anos depois ele volta pra tentar reconquistar a família.
O Mesmo Amor, A Mesma Chuva(Argentina, 1999)
Gostei tanto de o filho da noiva, que esperava que esse O mesmo amor a mesma chuva, filme anterior do diretor Juan José Campanella, fosse tão bom quanto, não é, ainda que tenha algumas coisas interessantes como retratar alguns períodos bem difíceis para Argentina, ele começa na atualidade volta para os anos 80 e vem chegando até os dias de hoje. Não é ruim, mas também não é nenhuma obra prima como O Filho da noiva. Ainda bem que tem os ótimos Ricardo Darín e Eduardo Blanco no elenco.
El Alquimista Impaciente(Espanha, 2001)
Parece que existe uma certa necessidade do cinema dos outros lugares do mundo copiar o que se faz nos Estados Unidos, neste caso o filme é uma cópia daqueles suspense policias americanos onde tudo pode acontecer. Não é muito bom, na verdade é bem fraco, e tem até o astro pornô Nacho Vidal no elenco, o que é bem estranho.
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Sexta-feira, Junho 03, 2005
Coluna Semanal
esse post é pra avisar que a partir de hoje estarei assinando toda a sexta-feira a coluna SÉTIMA ARTE, no site http://www.e-filmes.com , para a primeira eu escolhi falar sobre Ondas do Destino de Lars Von Trier, quem quiser ver é só dar uma entrada lá no site.
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