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Sexta-feira, Setembro 30, 2005
Festival do Rio - DIA 6
E o dia do festival ontem, até que pra mim foi bem produtivo, vi mais coisas boas do que ruins.
Roma(Argentina/Espanha, 2004)
Adolfo Aristaraín dirigiu Lugares Comuns, um filme que gosto muito, o que já era uma excelente motivação para que eu visse Roma, acabei gostando muito.
É um filme bonito, e que consegue reunir vários temas mas sem nunca se perder, aborda ainda que um tanto superficialmente o período da ditadura na Argentina, entre outras coisas.
Roma conta a história de um escritor, Joaquín Goñez que depois de escrever vários livros decide narrar suas memórias e escrever uma autobiografia, enquanto ele dita o livro para Manuel quem vai digitando o livro as lembranças do passado começam a aflorar.
O ator Juan Diego Botto é quem interpreta Manuel e também Joaquin jovem, no início eles nem parecem o mesmo, mas ao longo do filme as semelhanças vão ficando evidentes, mas quem rouba mesmo a cena é a atriz Susu Pecoraro que interpreta Roma, a mãe do personagem principal, uma mulher de fibra que sempre fez tudo pelo seu filho, Pecoraro andava meio sumida das telas, mas foi protagonista de um dos maiores clássicos do cinema argentino, Camila.
Roma faz diversas referências, desde o cinema de John Ford ao Jazz de Billie Holliday, em certo momento chega até a parecer uma espécie de "Os Sonhadores" latino, um filme muito bom, que apesar de sua longa duração, passa voando, um dos melhores até agora!
40 Tons de Azul(EUA, 2005)
Este é um filme um pouco estranho, tem um clima raro, mas é bom, gostei. Conta a história de Allan um produtor musical que é casado com uma russa da metade de sua idade, a tal russa acaba se apaixonando pelo filho do marido, e os conflitos do filme são gerados em torno disso.
É lento, em diversos momentos dá a impressão de que deveria acabar, e realmente deveria porque o final é um pouco estranho, se tivesse acabado alguns minutos antes o diretor teria se saido melhor.
As personagens são todas interessantes, principalmente Laura, a russa, que é retratada com bastante complexidade.
Frio Sol de Inverno(Espanha, 2004)
Não quero falar mal de Frio Sol de Inverno, até porque gostei, mas acho que se perde um pouco as vezes, mas tudo bem, tem Marisa Paredes que é sempre diva!
Dirigido por Pablo Malo que recebeu o Goya de diretor estreante por esse mesmo filme, Frio Sol de Inverno conta uma história divida em duas, a de uma mãe e um filho pobres que se viram como pode para sobreviver, e a de um rapaz rico que está saindo de um sanatório, é lógico que as duas histórias não demoram muito para se cruzar.
Marisa Paredes é a mãe pobre, uma prostituta já velha e que não pode fazer muitas exigências, o que sempre acaba trazendo coisas ruins pra ela, aliás esse núcleo das prostitutas do filme é bem legal, por outro lado a vida do seu filho muda quando ele tenta roubar uma casa e dá de cara com Adrián que diz que vai deixá-lo ir se ele lhe arrumar uma arma.
Um filme que fica entre o mediano e o bom, mas que se salva graças as excelentes atuações.
Kim Novak Nunca Nadou Aqui(Suécia, 2005)
Este foi mais um daqueles filmes surpresa, não esperava muita coisa e acabei gostando, o título que faz referência a Kim Novak não tem muito a ver, é só porque os dois meninos protagonistas acham sua professora parecida com a Kim Novak, embora no início até apareça alguns posters de Vertigo.
A história fala sobre dois garotos, um tem problemas com alcool na família enquanto a mãe do outro está morrendo de câncer no hospital, eles acabam indo passar o verão em uma casa de campo, onde começa a existir um envolvimento entre o irmão de um deles e sua professora, a tal Kim Novak do título.
É um filme bonzinho, despretencioso, e que por alguns momentos chega até a me lembrar os filmes de Danny Boyle.
Odete Alucinada(Portugal, 2005)
Odete trabalha como patinadora em um supermercado de Lisboa, a vida dela é normal, tem um namorado, mas sonha em ficar grávida logo. Pedro e Rui são dois namorados que se amam, Pedro morre em um acidente de carro, deixando Rui desconsolado. Odete termina com o namorado porque ele não quer ter um filho. Odete fica louca no enterro de Pedro que era seu vizinho, Odete alucina.
Vamos combinar, bizarrice tem limite, ou não, mas contanto que tenha algum conteúdo por trás, e Odete Alucinada é completamente vazio, tem até algum ou outro momento divertido, mas no geral é vazio e se perde completamente quando Odete resolve assumir a vida e a identidade de Pedro. Não foi dessa vez que vi um bom filme português.
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Quinta-feira, Setembro 29, 2005
FESTIVAL DO RIO - DIA 5
Ontem estava cansado, acabei vendo apenas 2 filmes e nada de muito relevante, estou confiante que a partir de sexta verei filmes melhores.
Para que no me Olvides(Espanha, 2005)
O filme é de Patricia Ferreira, mesma diretora de O Alquimista Impaciente, filme que não gosto, mas aqui ela mostra uma certa evolução. Para que no me olvides conta a história de uma família, a mãe obcecada por seu filho único, o avô, e o filho que sai de casa para morar com a namorada, ele acaba morrendo em um acidente, e deixa assim um vazio na família e na namorada.
Acho que se o filme se concentrasse apenas nas questões da morte do filho poderia ser muito melhor, mas ele tenta focar vários outros assuntos o que o prejudica um pouco, ainda assim não é de todo mal, e tem a atuação de Fernando Fernán Gomez, o que é sempre muito bom.
Sabah(Canadá, 2005)
Uma típica comédia romântica, só que canadense. Conta a história de uma mulçumana solteira de 40 anos que acaba conhecendo na natação um ocidental, os dois se apaixonam mas para ela este é um amor proibido. E é isso, o filme é previsível, mas é bonitinho, tem alguns momentos bem divertidos, mas não é nada demais.
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Quarta-feira, Setembro 28, 2005
Festival do Rio - DIA 4
Não consegui atualizar ontem e peço desculpas, mas o post com os filmes de segunda está logo abaixo, os de ontem, sempre por ordem de preferência, foram:
Willenbrock comprou uma arma(Alemanha, 2005)
O filme é dirigido por Andreas Desson, diretor premiado com o Urso de Prata, por Entre Casais. Willembrock narra a vida de um homem bem sucedido, que é casado e tem uma amante fixa, em meio a isso tudo ele é obrigado a conviver com o roubo de 4 carros de seu negócio, e um assalto em sua casa no meio da noite, sua mulher começa a ficar paranóica e ele entra em crise.
Muito mais que um filme sobre assaltos é um drama existencial, onde meio a todas as questões levantadas, um personagem que é bastante rico vai evoluindo até que chega ao final.
É um filme perturbador e instigante, vale muito a pena ser conferido.
Maria Bethânia Música é Perfume(Suíça, 2005)
Nunca fui um grande entendedor de MPB, o que talvez possa ser um erro, mas enfim, tenho outros interesses, logo nunca conheci muito de Bethânia, embora conhecer um pouco sempre tenha sido inevitável, ter assistido a esse documentário foi muito bom por isso, porque descobri algo que até então era um pouco distante.
Dirigido por um suíço, George Gachot, o filme mostra um olhar estrangeiro sobre Bethânia, e a coloca num posto de diva da música brasileira.
Imagina que seria um documentário sobre a vida de Bethânia, não deixa de ser, certamente, mas retrata muito mais a personalidade espontânea da cantora, e seu trabalho, como produz e como é completa.
Depoimentos de grandes nomes da música brasileira não faltam, tem Caetano, Chico, Miúcha, Gil, Nana Caymi, tudo muito bem costurado e com um repertório muito rico e bem escolhido.
Um filme sem dúvida com ótimos momentos, prato cheio para os amantes de MPB.
Amor Idiota(Espanha, 2004)
O nome já diz tudo...
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Festival do Rio - DIA 3
Ontem consegui ver vários filmes, nem todos bons, vou comentá-los por ordem de preferência, hoje vou priorizar a qualidade e não assistirei a tantos.
Nordeste(Argentina, 2005)
Nordeste é um filme bonito, tem um clima bastante melancólico. Começa em Paris quando uma francesa vivida pela atriz Carouline Bouquet procura uma criança na Argentina que possa adotar, ao mesmo tempo em um povoado da Argentina acontece uma história paralela, de uma mãe e um filho que vivem precariamente em uma casinha que deverão abandonar.
O filme tem um ritmo lento que cria uma atmosfera de expectativa, as atuações são sensíveis, e o final muito bem pensado, embora seja aquele tipo de filme que causa a impressão de que nada vai acontecer.
A primeira cena é um tanto impressionante, mostra um boi sendo morto e em seguida animais lambendo o seu sangue, lembra um pouco aquele momento de Amarelo Manga.
Dirigido por Juan Solanas, o mesmo de A Nuvem, o filme ainda trás no elenco Jorge Román de O Outro Lado da Lei, e Mercedes Sampietro que faz uma participação especial.
A Legítima Esposa(França/Israel, 2004)
Um filme que fui ver no escuro sem muita esperança de encontrar algo bom, acabei me deparando com uma surpresa, A Legítima Esposa é excelente.
O filme se passa nos anos 70, narra a vida cotidiana da esposa de um casal em crise, que tem que conviver com as manias do marido, um judeu ortodoxo, alem de ter 5 filhos para criar.
O bacana do filme é justamente a simplicidade que ele passa, não cria grandes alegorias, apenas mostra o dia a dia de uma mulher em crise.
A atriz Ronit Elkabetz que interpreta a protagonista, Vivanne faz um papel incrível, uma mulher nada submissa que está literalmente a beira de um ataque de nervos, e que apesar de toda a crise conjugal ainda precisa conviver com um antigo amante que está de volta.
A primeira cena do filme é excelente, mostra os 7 irmãos de Vivanne fazendo pressão para que ela não se separe, é apenas um dos vários bons momentos de A Legítima Esposa.
20 Centímetros(Espanha, 2005)
Comecei não levando muita fé neste filme, mas logo no começo percebi que poderia ser bem divertido, e realmente é, uma comédia cheia de elementos bizarros e que acabam funcionando muito bem.
Monica Cervera que eu ainda não conhecia, mas que também está no elenco de Crimen ferpecto que vou ver em breve é Marieta a protagonista do filme, uma travesti que tem 20 centímetros de pau e quer operar para arrancar fora, daí então o sugestivo título.
20 centímetros é dirigido por Ramón Salazar, que também fez Piedras, é uma comédia musical, aliás os números musicais aqui funcionam perfeitamente, são divertidos e com um certo glamour, dá muito certo, diferente do que acontece em Do Outro lado da Cama por exemplo.
Bizarrices não faltam no filme, que tem inclusive a participação da sempre caricata Rossy de Palma, bate boca entre travestis entre outras coisas.
O filme é de um humor gay muito inteligente, e mostra não só um lado caricato de uma travesti como também um lado muito humano, e trata muito bem de um tema que é bastante comum, mais do que se imagina.
Souli(França, 2004)
Para fazer tempo entre um filme e outro acabei escolhendo este Souli, filme francês passado em Madagascar e que tem a participação de Eduardo Noriega.
Noriega é um dos atores espanhóis mais requisitados últimamente, é bem comum encontra-lo em uma produção ou outra, o difícil é acha-lo em filmes bons, Souli é chato, não chega a ser péssimo, mas tem um ritmo arrastadíssimo que não colabora muito.
Dias de Campo(Chile, 2004)
Um filme completamente instável, começa muito bem, em uma mesa de bar com uma conversa entre dois velhos, isso me remeteu um pouco a Whisky, e acabei gostando, mas depois começa a se perder, tem muitos altos e baixos o que só serve para que seja um filme ruim.
Um tempo muito Distante(Vietnã, 2005)
Chato, muito chato!!!! Conta a história de um menino de 12 anos que é obrigado a casar com uma mulher, ele a repudia, cresce e vira militar, e o pano de fundo são os conflitos entre Vietnã e França.
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Segunda-feira, Setembro 26, 2005
Festival do Rio - DIA 2
Last Days(EUA, 2005)
Certamente o filme do Gus Van Sant estava entre os mais aguardados do festival, e também era um dos que eu mais esperava ver, enfim, a decepção foi inevitável.
Gus Van Sant usou aqui a mesma linguagem do seu excelente elefante para narrar os dias que antecederam o suicídio de Kurt Cobain, o filme começa bem silencioso, mostrando um protagonista completamente atormentado, demora um pouco até que haja um primeiro diálogo, mas a narrativa não linear usada aqui não faz muito sentido, como fazia em Elefante.
Apesar de ser inspirado em Kurt o personagem tem um nome fictício, se chama Blake, um astro do rock cansado de tudo que passa vagando chapado fazendo coisas um tanto sem sentido. Blake é interpretado pelo novo queridinho do cinema independente, Michael Pitt, uma escolha acertadíssima do diretor, além de Pitt estar a cara de Kurt Cobain ele tem bastante talento e consegue transpor isso na tela.
Mas não vou falar só mal de Last Days, tem planos belíssimas, embora as vezes longos demais, o que acaba prejudicando, entre as cenas que mais me marcaram está um traveling de uma janela onde Blake toca alguns instrumentos e outra cena em que ele toca violão enquanto canta uma canção. Há coisas muito bem pensadas pelas quais o filme merece certos méritos.
Vale mencionar também a participação da Kim Gordon do Sonic Youth no elenco, e da atriz Asia Argento.
Factotum(EUA, 2005)
Este pode ser um filme sem muitas pretensões, é construído todo em cima de um humor ácido que muitas vezes é inteligente, e conta a história de um personagem de nome Henry Chinasky, um típico loser, que leva uma vida onde nada dá certo.
Se não fosse tantas piadinhas talvez Factotum fosse um filme chato, mas não é, tem boas atuações, principalmente de Lili Taylor e de uma Marisa Tomei quase que irreconhecível.
Filmes sobre losers sempre me chamaram bastante a atenção, este inclusive chegou a me lembrar um pouco o ótimo Anti Herói Americano, só achei que a escolha de Matt Dillon como protagonista não foi muito acertada, é um personagem tão rico que merecia um ator menos canastra.
Um jeito de viver(Inglaterra, 2004)
Fazer filmes sobre adolescentes nunca foi tarefa muito fácil, as vezes só consegue atingir mesmo seu público alvo, este Um Jeito de Vida é assim, um filme sobre adolescentes revoltados e pobres que saem quebrando tudo por aí.
Stephanie James é a protagonista Leigh Anne uma adolescente órfã mãe de um bebê e que vive em um casa de subúrbio controlada pela assistente social e sempre criando problema com os vizinhos imigrantes.
Aliás uma das coisas mais bacanas do filme é exatamente esse conflito entre os adolescentes locais e os "pakis", imigrantes que vieram de fora do país, mas isso é tão pouco explorada que acaba ficando raso.
No fim, Um Jeito de Vida acaba sendo apenas mais um filme sobre adolescentes, não é ruim, nem bom, é apenas mediano e vale como entretenimento, enquanto poderia causar muito mais impacto se bem estruturado.
De conhecido no elenco tem a participação de Brenda Blathyn(Segredos e Mentiras) que não é muito grande, mas válida pelo talento da atriz.
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Domingo, Setembro 25, 2005
Festival do Rio - DIA 1
O Festival do Rio começou na sexta, mas cheguei aqui no sábado pela manhã, não deu para acompanhar muitos filmes ontem devido ao cansaso, mas pude assistir dois mexicanos, um inclusive que eu tinha muita vontade de ver, Batalla en el Cielo, vou comentar rapidamente, hoje é dia de Last Days, estou ansioso, e a partir de amanhã o fluxo de filmes por dia irá aumentar.
Batalha no Céu(México, 2005)
Dirigido por Carlos Reygadas, do aclamado Japón, o filme causou frissom absoluto no festival de Cannes esse ano, pelas cenas grotescas de sexo entre obesos, a reação da crítica acabou sendo negativa, na sessão em que assisti também, muitas pessoas sairam no meio, mas eu gostei.
Batalha no Céu tem um apelo visual fortíssimo, a maioria das cenas tem um teor altamente bizarro, e é um filme que até o final aguçou minha curiosidade, é impossível saber o que vai acontecer.
Carlos Reygadas também usou de um recurso já bem comum, mas que sempre acaba repercurtindo bem, que é o uso de barulhos perturbadores, o filme todo é povoado por esses tipos de barulho e quando não é a trilha é tão forte que acaba dominando a cena.
Os personagens principais também são dignos de qualquer bizarrice absurda, um casal de gordos, e uma menina que tem um caso com esse gordo, o tal casal sequestrou um bebê que morreu, e daí vem seu maior dilema, culminando até em uma crítica do diretor a pátria e a dominação da igreja dentro do México.
Não chamaria de filme perfeito, mas é impressionante e muito interessante, uma obra criativa de um diretor latino que apela para o diferencial e usa de uma linguagem grotesca para se expressar.
Al Otro Lado(México, 2004)
Aí está um filme que certamente parece feito para a Tv a cabo, não empolga, não emociona e não se desenvolve. A história aborda o assunto dos imigrantes ilegais, mas mostra o outro lado, fala dos filhos desses imigrantes que ficam em suas terras de origem querendo seus pais de volta, as terras são México, Cuba e Marrocos, as três histórias de três crianças em momento algum se cruza, mostrando sempre mais do mesmo.
O diretor Gustavo Losa estava presente na sessão e deu umas palavras sobre o que seria o filme, logo aí já deu pra perceber que ia se tratar de uma obra institucional, chatíssima.
Até tem um outro plano bonito, mas que não se salva, o filme é de um cafonice muito grande, e nem a presença no elenco de atrizes conhecidas do público como Vanessa Bauche, Carmen Maura e Suzana Gonzáles garantem um bom resultado.
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Sexta-feira, Setembro 23, 2005
Os Camelos também choram(Mongólia, 2004)
Os Camelos também choram é um filme bem simpático, mas nem por isso deixa de ser chato. É um semi-documentário que fala de uma família em um deserto da Mongólia que cria animais, inclusive e principalmente camelos.
Contando várias histórias e mostrando uma mamãe camela que rejeita o filhote, um camelo albino, o filme ressalta a relação entre a família isolada de tudo com os camelos.
Estéticamente o filme é bonito, explora imagens pouco exploradas pelo Ocidente e abusa da figura do camelo, um dos animais mais estéticos dentro da tela do cinema.
Não posso considerar o filme um documentário já que a manipulação das cenas é evidente quase que 100% das vezes, ainda que não seja um filme totalmente previsível.
Os diretores Byambasuren Davaa e Luigi Falorni, se inspiraram no documentário Nanook o Esquimó de 1922 para criar esse, que embora eu tenha dormido em algumas cenas, admito, é um filme exótico, e que talvez valha a pena assistir.
O Operário(EUA/Espanha, 2004)
É incrível a versatilidade de Cristian Bale, olhando O Operário quase dá pra esquecer que ele fez Batman, aliás, o filme é todo feito em cima do talento do ator, aliás o diretor Brad Anderson explorou ao máximo a magreza do ator, que perdeu quase 30 quilos para o papel ficando completamente desfigurado.
O Operário poderia ser apenas mais um thriller mas tem diversos momentos perturbadores, o que acaba fazendo dele um bom filme, embora como já disse antes construido todo em cima da magreza e do talento de Bale.
Até o fim do filme o espectador não consegue saber exatamente o que acontece, o que é um dos grandes trunfos do filme, fora isso não é lá tão emocionante, mas convence.
A atriz espanhola Aitana Sanchez Gijón, confirmadissima dentro do cinema latino mais comercial também figura no filme, no papel do amor platônico de Bale.
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Imperdível

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Terça-feira, Setembro 20, 2005
O BANDIDO DA LUZ VERMELHA(de Rogério Sganzerla, 1968)
Marco do cinema marginal, dirigido por Rogério Sganzerla, O Bandido da Luz Vermelha é uma obra prima do cinema nacional. O filme é inspirado no marginal João Acácio Pereira da Costa, que assaltava casas com uma lanterna vermelha e antes de matar suas vítimas costumava dialogar muito.
Sem dúvida um filme muito forte, que na época dividiu muitas opiniões. Sganzerla usou nesse seu filme de estréia, e talvez o melhor de todos já feitos pelo diretor uma linguagem extremamente criativa, fazendo inúmeras referências e citações como aos diretores Godard e Orson Welles, esse último ídolo de Sganzerla.
O Bandido é otimamente interpretado por Paulo Vilhaça, que representa o papel do vilão de um faroeste urbano, onde o mais fraco é sempre o perdedor.
No meio de todas as citações cinematográficas entra ainda uma forte apologia ao Cinema B americano, que na época tinha muito mais aceitação por parte do grande público do que o Cinema Novo por exemplo.
O Bandido da Luz Vermelha pode ser chamado de filme cafageste, e com uma proposta estética que se diferenciava de tudo até então. Valorizava sobretudo o subdesenvolvimento e o terceiro mundo.
Apesar de todas as características que fazem de O Bandido um filme marco dentro do cinema nacional, ele é um filme com vida própria, onde cada detalhe mal feito consegue beirar a perfeição, e nada, nem a excelente colagem de trilhas sonoras, consegue ser mais interessante e inteligente do que a narração escrachada estilo Repórter Esso feita em off.
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Domingo, Setembro 18, 2005
Te Doy mis Ojos(Espanha, 2003)
A premissa de Te doy mis ojos é a mais simples e comum possível, uma mulher que sofre mal tratos do marido, vai embora de casa com o filho para a casa de sua irmã, ele arrependido volta a procurá-la e ela acaba cedendo, e é assim que as coisas acontecem, sem grandes inovações até o final previsível. Mas apesar disso tudo o filme não é ruim, graças ao excelente elenco e boa direção, o resultado final é comovento e tem gente que até sai chorando do cinema.
É um filme com uma temática bem feminina, por isso não é difícil de imaginar que tenha sido dirigido por uma mulher, Iciar Bollain, que também assina o roteiro. Te doy mis é protagonizado por Laia Marull e Luis Tosar(Segunda-feira ao sol), ambos bastante premiados por suas atuações, e o pano de fundo é a cidade espanhola de Toledo, lindíssima por sinal.
Para completar o elenco de ótimas atrizes, atuam também a multifacetática Rosa Maria Sardá, no papel de uma mãe, que se fosse melhor explorada poderia render muito mais, ainda assim sua personagem garante alguns momentos divertidos ao filme, e Candela Peña, a Nina de Tudo sobre minha mãe que aqui interpreta a irmã preocupada e posessiva.
Acho que duas cenas foram as que realmente me chamaram a atenção, uma de sexo e outra de absurda violência, que acaba exercendo um certo impacto com o público.
É um filme mediano, poderia ser bem melhor, mas vale a pena, não por abordar o tema "violência doméstica" que pode soar um pouco batido, mas sim porque tem um elenco impecável e locações belíssimas.
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Norma Aleandro em Cena
Ontem tive a oportunidade única de ver a diva argentina Norma Aleandro de pertinho, atuando no espetáculo La Señorita de Tacna, que foi trazido no festival Porto Alegre em Cena, que teve várias peças da América Latina, algumas bastante interessante, outras nem tanto.
La Señorita de Tacna tem o texto de Mario Vargas Llosa, e apesar de ter um elenco bem grande conta com uma única estrela, que é Norma Aleandro, ela não sai do palco nenhuma vez, e rouba a cena sempre.
A peça fala de uma velha solteirona que mora com a família que a irmã formou, e durante todo o tempo de espetáculo ela relembra sua juventude e os fatos que a fizeram estar em suas atuais condições, é interessante porque Aleandro vive quase que ao mesmo tempo dois personagens distintos, primeiro na velhice e também na juventude. Tem ainda uma cena de nudez linda, mas não com a atriz principal, claro.
Um texto muito interessante, uma montagem boa, me cansou em certos momentos, mas eu jamais poderia jogar fora a oportunidade de ver Norma Aleandro nos palcos, no final foi aplaudida de pé, por muitos e muitos minutos.
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Quarta-feira, Setembro 14, 2005
O Estranho Mundo de Michel Gondry
Michel Gondry é daqueles diretores peculiaríssimos, com uma obra genial e deliciosa, embora longas propriamente ele não tenha muitos, é um grande diretor de video-clipes e que quando se arrisca no cinema acaba se saindo muito bem.
O diretor de origem francesa começou sua carreira em meados dos anos 80 dirigindo curtas e video clipes para bandas e cantores da França, como Etienne Daho, seu primeiro trabalho com grande projeção foi o clipe Believe de Lenny Kravtiz, no ano seguinte dirigiria Human Behavior da Bjork, acabou se tornando um dos diretores preferidos da cantora, com ela fez mais vários clipes, a maioria bizarros e fácil de identificar como uma obra de Gondry.
Gondry também foi o responsável pelo já clássico Arount the World do Daft Punk, onde caveiras dançam num cenário preto com bolas brancas, com Chemical Brother dirigiu Let forever Be, um dos melhores clipes da banda, quem viu sabe.
Trabalhou ainda com com Rolling Stones, Massive Attack, The Vines, White Stripes, Kylie Minoge e Radiohead, num clipe interessantíssimo que simula um plano sequencia com várias anomalias.
Como diretor de cinema sua experiência é bem pequena, em 2001 dirigiu A Natureza Quase Humana, roteirizado por seu parceiro Charlie Kauffman, também responsável pelo roteiro do ótimo Quero ser John Malkovitch de Spike Jonze, A Natureza é um filme bizarro, mas não é lá grande coisas, mostra uma Patricia Arquette em crise porque em seu corpo nascem tantos pelos como em um macaco, ainda assim rende ótimos e divertidos momentos.
Em 2003 trabalhou no curta Pecan Pie, protagonizado por Jim Carrey que no ano seguinte atuaria na obra prima Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, sem dúvidas um dos melhores filmes lançados no ano passado, e também roteirizado por Kauffman, é um filme absurdamente criativo e inovador, como o cinema deveria sempre ser. Brilho Eterno conta uma história inusitada onde é possível apagar relacionamentos do passado se pagar uma quantia para a clínica Lacuna Inc., comentar sobre o filme pode ser muito vago, é preciso assistir, aliás é obrigatório, Jim Carrey e Kate Winslet acabam entrando para a galeria dos melhores casais do cinema, e ele inclusive deixa de lado a fama de fazedor de caretas e mostra que sabe atuar.
Brilho Eterno rendeu frutos tão bons que o novo filme de Gondry está em pos-produção, se chama The Science of Sleep e é protagonizado pelo mexicano Gael García Bernal, o nome garante que mais uma vez se tratará de algo inusitado, e o roteiro dessa vez é do próprio Gondry que tem ainda um novo projeto em andamento chamado Master of Space and Time.
Já que postei sobre Gondry, logo logo vou preparar uma listinha com os 10 melhores video-clipes na minha opinião, difícil vai ser escolher só 10.
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Segunda-feira, Setembro 12, 2005
Sou Feia mas tô na moda(Brasil, 2005)
Já tem um certo tempo que o funk carioca desceu do morro e invadiu o público de todas as classes. Um documentário sobre o assunto, chega na hora em que o funk vindo do Rio explode no Brasil inteiro e também pela Europa.
Muita gente torce o nariz para o funk, graças as letras apelativas das músicas, tem os que acham divertido como eu, os indiferentes e os adoradores, o filme mostra o lado de quem está por trás dessa música, quem compôe, quem produz e quem vive essa realidade, sobretudo as mulheres.
Não tenho a intenção de expor aqui minha opinião sobre a música e sim sobre o filme que consegue render bons momentos, a maioria das entrevistas é feita com moradores da Cidade de Deus no Rio de Janeiro, a diretora Denise Garcia acompanhou durante um ano personalidades funkeiras como Tati Quebra Barraco, que aparece grávida cantando no palco, Bonde das Fogosas, Gaiola das Popuzudas, Deise da Injeção, só para citar algumas, e com esses nomes tão peculiares é lógico que em vários momentos o filme beira a bizarrice.
Há ainda um questionamento sobre o discurso feminista que as funkeiras cantam e o preconceito que sofrem.
O filme vai mostrando lentamente a ascenssão do funk, que começou com bailes de gangues e hoje ganha repercursão nacional. Gostei também de ver a participação do duo bacaníssima de electro Tetine dando seu depoimento.
Longe de ser um filme perfeito, mas Sou Feia mas tô na moda é divertido, e tem momentos bem interessantes, outro ponto a seu favor é a curta duração, tem 52 minutos, termina antes que possa se tornar chato.
Comentários:
Ida a Locadora
Vi algumas coisas interessantes e outras nem tanto nessa última semana. Um breve comentário sobre cada uma delas.
Ana e os Lobos(de Carlos Saura, 1973)
Já declarei no meu blog antes minha admiração pelo Saura, ainda que hajam muitos filmes de sua filmografia faltando para eu ver, mas assisti a Ana e os Lobos e gostei muito, quase tanto como Cria Cuervos, meu filme preferido do diretor.
Ana é interpretada por Geraldine Chaplin, a musa do diretor, ela é uma babá extrangeira que chega na casa de uma família muito rica para cuidar das crianças, ela acaba despertando a cobiça dos 3 filhos da matriarca da família.
O filme é cheio de metáforas contra o sistema franquista, todos os personagens tem uma representação que fica bem evidente, a própria Ana representa o papel da Espanha daquele período negro.
O elenco é sensacional, e além de Geraldine conta também com Fernando Fernán Gomez. O final é avassalador, e me deixou transtornado.
A Hora do Lobo(de Ingmar Bergman, 1968)
Mais um Bergman, diretor que respeito muito, mas que as vezes consegue me cansar um pouco, o que não foi o caso em A Hora do Lobo, um filme extremamente lindo e sensível, mas daqueles que se caracterizam bem como uma obra de Bergman, fotografia impecável e planos lindos e ousados, além de muito texto e muito diálogo.
A protagonista é Liv Ullman, mais uma musa, e que atua com a alma. De todos os filmes do Bergman, um dos melhores que vi.
Pixote - A Lei dos mais Fraco(de Hector Babenco, 1981)
Sei que Pixote é um clássico do cinema nacional e que eu estava em dívida por ainda não ter assistido, mas finalmente vi, e gostei bastante, o mais impressionante é saber que a realidade da maioria dos garotos que atuaram ali era aquela mesmo, tanto que o protagonista Fernando da Silva depois de ter feito o filme acabou entrando de verdade para o crime e acabou morto, fato que mais tarde resultou no filme Quem matou Pixote?
Eu nem gosto muito de Hector Babenco, mas tenho que admitir que esse seu filme tem cenas memoráveis, principalmente a que Pixote mama no peito de Sueli, prostituta interpretada pela ótima Marília Pera.
Um filme que bem antes de Cidade de Deus retratava os duros conflitos sociais de nosso país, e com atores não profissionais, o mesmo que Fernando Meirelles acabou fazendo em seu filme.
O Dia dos Mortos(de George Romero, 1985)
Ter visto Terra dos Mortos do mesmo Romero, me inspirou a procurar por outras coisas dele na locadora, acabei vendo esse O Dia dos Mortos e me decepcionei muito, o resultado é fraquíssimo, fica claro o baixo orçamento que o diretor teve pra filmar, parece que ele abandona quase que 100% o grotesco pra ficar fazendo diálogos estúpidos entre os personagens do filme.
Pesquisei sobre O Dia dos Mortos na internet e descobri que realmente se tratava de um filme dos mais fracos do diretor, uma pena, eu estava esperando bem mais, já que pra mim Terra dos Mortos foi bastante divertido.
Terror na Ópera(de Dario Argento, 1988)
Ainda motivado pelos mestres do horror, resolvi tentar mais um, o famoso Dario Argento... mas Terror na Ópera não é nada demais, tem até alguns planos e sequencias legais, mas a história é de sempre, a mocinha burra que corre para o lado errado.
Melhor deixar os filmes de terror de lado por um tempo...
A Salvo(de Todd Haynes, 1995)
Este sem dúvida é um grande diretor, já havia visto dele os excelentes Velvet Goldmine e Longe do Paraíso, aí acabei encontrando meio que se querer por este A Salvo de que eu já tinha ouvido falar muito bem.
Na verdade o filme é a Juliane Moore, ela parece atuar como nunca, é incrível, e isso junto a ótima direção e planos inovadores de Haynes tem um resultado muito interessante e alguns momentos intensos.
O final também é muito bom!
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Terça-feira, Setembro 06, 2005
Cinema Impresso Parte 2
Há algum tempo atrás postei aqui no Blog uma lista com alguns livros interessantes sobre cinema, chegou a hora da segunda parte!
Cineastas e Imagens do Povo(de Jean Claude Bernardet)
O múltiplo Jean-Claude Bernardet - crítico, professor, escritor, roteirista, ator e cineasta - analisa os conflitos ideológicos e estéticos dos cineastas na sua relação com a imagem do povo. O autor estuda filmes como 'Viramundo', de Geraldo Sarno, 'ABC da greve', de Leon Hirzman, 'Opinião pública', de Arnaldo Jabor, 'Aruanda', de Linduarte Noronha, 'Porto de Santos', de Aloysio Raulino e 'Subterrâneos do futebol', de Maurice Capovilla, entre outros. Bernardet também comenta filmes como 'Terra em transe', de Glauber Rocha, e 'Memórias do cárcere', de Nelson Pereira dos Santos. 'Cineastas e imagens do povo' ultrapassa seu objetivo inicial e propõe uma formulação teórica sobre o cinema brasileiro como um todo.
O Cinema do Real(de Maria Dora Mourão e Amir Labaki)
O 'É Tudo Verdade - Festival Internacional de Documentários' já faz parte do circuito cultural de São Paulo e do Rio de Janeiro. O evento realiza um importante balanço das mais recentes discussões na área, algumas delas agora publicadas neste volume. A primeira parte do livro aborda a produção em câmera digital e agrupa conferências que partem de questões decorrentes do impacto desta nova tecnologia em confronto com a longa história do documentário. A segunda parte distingue-se da primeira pelo acento marcadamente ensaístico. De um lado, Bill Nichols investiga as narrativas históricas criadas em torno do atentado terrorista de 11 de Setembro e Ana Amado analisa a obra documental de Michael Moore; ambos rondam o espectro da manipulação televisiva e ideológica da era Bush. De outro, Eduardo Escorel e Esther Hamburguer, cada um a seu modo, traçam um panorama desde o cinema novo até os documentários atuais.
Kubrick - de Olhos bem Abertos(de Frederic Raphael)
Orgias e obsessões sexuais, ciúme, drogas, necrofilia, tentativas de assassinato, mistério. Tom Cruise e Nicole Kidman surpreendidos em sua mais crua nudez. Neste livro tão revelador quanto as imagens de 'Eyes Wide Shut' (De Olhos Bem Fechados), o último filme de Stanley Kubrick, o escritor e roteirista Frederic Raphael, premiado com o Oscar, revela o mistério em torno do filme e, ao relembrar como trabalhou com o escritor, acaba traçando um inesquecível perfil daquele que foi um dos maiores cineastas do mundo.
50 Anos, Luz, Câmera, Ação(de Edgar Moura)
Edgar Moura foi fotógrafo do jornal 'Última Hora', do Rio de Janeiro, em 1968, e da Agência Gamma, de Paris, de 1973 a 1983, além de cartunista, colunista e fotógrafo do semanário 'O Pasquim', do Rio de Janeiro, de 1973 a 1986. Em sua área de atividade principal, o cinema, já tem 34 filmes de longa metragem em seu currículo como diretor de fotografia, além de sete trabalhos na televisão e vasta atuação em publicidade.
Maldito - A vida e o cinema de José Mojica Marins(de Andre Barcinski e Ivan Finotti)
Biografia de um dos maiores e mais polêmicos cineastas brasileiros - José Mojica Marins, o Zé do Caixão -, este livro conta a vida de Mojica, de sua infância humilde em Vila Anastácio, subúrbio de São Paulo, até sua consagração no exterior nos anos 90. 'Maldito' é repleto de casos extraordinários: as primeiras experiências cinematográficas de Mojica, são relatadas pela primeira vez por amigos, parentes e colaboradores. A produção de seus popularíssimos filmes de terror com Zé do caixão, nos anos 60, também é detalhada, incluindo histórias impressionantes e inéditas sobre a perseguição da ditadura militar, que cortou e censurou vários de seus filmes.
A Outra Face de Hollywood: Filme B(de A.C Gomes de Mattos)
Em 'A outra face de Hollywood - filme B', o leitor encontra um bem resumido histórico do crescimento da indústria cinematográfica norte-americana, da formação de suas grandes produtoras e do surgimento, nas brechas desse sistema, do filme B, com suas produções baratas voltadas para o consumo imediato. Ao catalogar o gênero, A. C. Gomes de Mattos dá destaque aos seriados, séries, westerns, ficções científicas e filmes de cunho explicitamente sensacionalista (os chamados filmes de exploração).
Cinema: Arte & Industria(de Anatol Rosenfield)
O cinema é arte ou meio de comunicação? Arte a serviço da estética ou indústria de entretenimento? Esse dúplice aspecto tem levado os estudiosos, ao longo dos mais de cem anos que nos separam do advento do cinema, a pesquisar ora a sua visão estética, ora o impacto dos filmes no mercado consumidor. 'Cinema - Arte & Indústria', de Anatol Rosenfeld, disseca esses aspectos, repassando a história do cinema, examinada por alguém que, fundamentado em sólida formação cultural e também em outras áreas, domina a linguagem cinematográfica e esmiúça detalhes por vezes técnicos, lastreado numa curiosidade permanente e no embasamento vivencial que impregnam o seu trabalho. Trata-se de um livro que introduzirá o leitor, pelas agudas abordagens e análises filosóficas e artísticas do ensaísta, na tessitura do pensamento estético-cinematográfico, que decorre não menos de suas vivências e experiências num momento histórico relevante na Alemanha pré-hitlerista, o qual foi na verdade uma fase áurea da configuração e sedimentação da linguagem fílmica.
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Domingo, Setembro 04, 2005
Grão de Areia
Já era hora de escrever algo sobre Grão de Areia aqui no blog, curta de 7 minutos e meio dirigido por mim e roteirizado junto de um grande amigo, João Ricado, dono de um talento incrível que eu já havia comentado meses atrás aqui no blog quando falei da peça dirigida por ele, Extinção.
O filme tem uma estética ácida de snuff movie, que aliás é o ponto inicial de quando a câmera é ligada, o espectador se depara com um cenário pronto para muita violência tanto psicológica quanto física.
A proposta grotesca acabou chocando certas pessoas, no Festival de Gramado por exemplo, o filme causou, muita gente parava de assistir quando começava o já clássico plano sequência de fist fucking.
Existe uma relação grande do filme também com a bela música Estrela do Mar de Dalva de Oliveira, que conta a história de um amor impossível entre um grão de areia e uma estrela do mar, a música embala a cena de sexo do filme que mostra apenas uma vitrola e os gemidos ao fundo, além obvio do título ser uma referência claríssima.
Acho que o resultado final de Grão de Areia poderia ter sido bem melhor, a montagem não ficou como eu gostaria e por isso vamos remontar em breve, mas as pessoas que tem visto elogiam bastante, o que me deixa bastante feliz.
Não posso deixar de comentar também o excelente desempenho dos dois atores, responsáveis pelos méritos do filme, Michel Capeletti e o próprio João Ricardo, os dois protagonizam uma história recheada de fetichismo e sadomasoquismo, mas que na verdade não passa de um conto sobre um amor impossível.
Este foi o primeiro filme que fiz em parceria com João Ricardo que também foi responsável pela direção de arte, ainda que ele tenha surgido como um trabalho de aula, temos novos projetos com uma proposta grotesca em mente, e que logo logo irão se concretizar.

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Sexta-feira, Setembro 02, 2005
Memórias do Saqueo(Argentina, 2004)
Memórias do Saqueo do diretor argentino Fernando Solanas dá uma bela remexida na crise política que assombra a Argentina, e mostra as origens da maioria desses problemas, além de funcionar como um excelente filme denúncia.
O documentário começa no fatídico dia 20 de dezembro de 2001, dia em que as traições políticas e econômicos explodiram no país, ele começa explorando muito bem as imagens, na maioria das vezes bastante violentas e de impacto, até que a narração de Solanas entra em cena e ele começa a revelar os fatos que geraram a crise, muitos deles já conhecidos de todos mas pela primeira vez muito bem reunidos dentro de um documentário.
É um filme político e sobre uma situação de caos que apesar de ter sido muito mais grave do que a crise que o Brasil enfrenta atualmente é de fácil indentificação, já que a indignação cresce ao vermos que nossas vidas ficam a mercê de governantes que nada mais fazem do que pensar em seu próprio bem e aumento da conta.
Ressalvo apenas que Memorias do Saqueo acaba se tornando um tanto arrastado em determinados momentos, certas coisas Solanas poderia ter deixado de fora ou reduzido, mas ainda assim o resultado é bem satisfatório, e bastante diferente de um filme de Michael Moore por exemplo, o diretor aqui até que esculacha mas em um tom muito mais sério.
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Terra dos Mortos(EUA, 2005)
20 anos foi o tempo que separou o último filme de terror do mestre do gênero George Romero, O dia dos Mortos, e esse Terra dos Mortos, uma obra prima perto das coisas e remakes que tem surgido por aí.
Romero sempre foi considerado o grande gênio dos filmes de zumbis, em 1968 lançou A noite dos Mortos Vivos, filme em preto e branco, considerado um ícone do cinema trash e refilmado no ano passado como o divertido Madrugada dos Mortos, aliás os filmes de zumbis deram uma boa alavancada depois que Danny Boyle diretor de Trainspotting resolveu fazer uma bela homenagem a Romero em Extermínio.
Hollywood resolveu apostar novamente suas fichas em Romero, ele contou com um orçamento bem razoável, o que acabou resultando em um filme muito bem produzido deixando um pouco a estética trash de lado, embora a linguagem seja completamente grotesca e repleta de deliciosos sustos que vão se acumulando do início ao fim do filme.
No filme é comum ver os zumbis arrancando corações pela boca e comendo, ou então mastigando braços como se fossem pedaços de frango e arrancando tripas e comendo como linguiça, é bizarice sem limites do início ao fim.
Apesar de ser regado intensamente por um clima de terror, Romero usou várias metáforas para representar a sociedade, esse é o primeiro filme que mostra uma evolução clara dos morto-vivos que acabam formando um dos núcleos do filme, o outro é divido por classes, sendo que a mais alta é representada por um aristocrata que comanda um hotel que funciona como cidade para os mais ricos que conseguiram sobreviver.
O elenco conta com os nomes de John Leguizano, e Asia Argento, filha de outro mestre do terror, Dario Argento. É um prato cheio para quem é fã do verdadeiro e autêntico cinema de terror que parecia ter ficado esquecido em algum lugar lá pelos anos 70 e 80.
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