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Domingo, Outubro 16, 2005

Festival de Cinema Fantástico

A dica pra quem mora em Porto Alegre e arredores é o Primeiro Festival de Cinema Fantástico da cidade, que vai rolar entre 18 e 23 deste mês, são vários filmes legais, incluindo A Bruma Assassina de John Carpenter, o clássico House on Hounted Hill, Repulsa ao Sexo de Polanski, Santa Sangre e o recente Terra dos Mortos do mestre do gênero de zumbis George Romero. Eu já reservei um espaço na agenda para ver Almas Gêmeas de Peter Jackson, O homem de Palha, Depois da Vida, Nosferatu de Wener Herzog, o oriental Depois da Vida, Suspiria de Dario Argento e Vampyros Lesbos, esses escolhi por enquanto mas talvez veja mais, e depois comento no blog.
Mais informações sobre o Festival e a programação completa em http://geocities.yahoo.com.br/festivalfantastico/index.htm.

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TOP 10 - FESTIVAL DO RIO

Ainda sobre o Festival, que foi o que movimentou o blog nas últimas postagens, Demorei um pouco para fazer a lista, mas minha memória ainda está fresca e minha cabeça continua por lá, então vamos a lista.

1 - EL AURA
2 - MANDERLAY
3 - FLORES PARTIDAS
4 - CLUBE DA LUA
5 - DONT COME KNOCKING
6 - CAFÉ DA MANHÃ EM PLUTÃO
7 - A LEGÍTIMA ESPOSA
8 - 20 CENTÍMETROS
9 - 2046
10- WILLEMBROCK COMPROU UMA ARMA

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Sexta-feira, Outubro 07, 2005

FESTIVAL DO RIO - DIA 13(ÚLTIMO)

Luna de Avellaneda(Argentina, 2004)
O mais recente filme de Juan Jose Campanella não decepciona, nenhum pouco. Eu tinha gostado muito de O Filho da Noiva, e mais ou menos de O mesmo amor, a mesma chuva. Mas este consegue ser tão bom quanto o anterior.
Campanella mais uma vez cria um herói incrise, novamente interpretado por Ricardo Darín, ele está com o casamento abalado, e ainda por cima o clube que administra uma de suas maiores paixões está a beira da falência.
É óbvio que o Clube Luna de Avellaneda é um retrato da Argentina abalada, e isso se evidencia durante o filme inteiro. Um dos grandes pontos altos do filme, além da ótima direção claro é o time de atores, que além de Darín, tem ainda Eduardo Blanco e Mercedes Morán. Não é um filme de um único protagonista já que cada um dos personagens tem seus dramas pessoais muito bem abordados.
Momentos hilariantes não faltam no filme, é bastante divertido e arranca muitos risos da platéia, mas também é muito sensível quando tem que ser.

Flores Partidas(EUA, 2005)
Premiado em Cannes esse ano, Flores Partidas, novo de Jim Jarsmuch mostra que o diretor está em plena forma. O protagonista é Don Johnston, interpretado pelo ótimo Bill Murray, é um homem mulherengo e rico que um dia recebe uma carta anônima dizendo que ele tem um filho de 19 anos e que este filho está procurando por ele, quem assina a carta é a suposta mãe.
A partir disso Don começa uma busca pela tal mulher, com a ajuda de um amigo ele pensa em todas as mulheres com quem já se relacionou no passado e vai atrás delas. Apesar de Murray ser o dono absoluto da história, cada momento, com cada mulher é inesquecível, até porque elas são interpretadas por atrizes do porte de Jessica Lange, Tilda Swanton e Sharon Stone.
Um filme divertidíssimo, um dos melhores do festival!

Brokeblack Flowers(EUA, 2005)
O esperadíssimo novo filme de Ang Lee, ganhador em Veneza. Brokeback Flowers conta uma história comum até um pouco clichê eu diria, dois homens se apaixonam um pelo outro, um deles é mais enrustido e não consegue admitir sua paixão, acaba se casando, o outro se casa e eles mantém este caso extraconjugal, seria completamente comum se não fosse ambientado nos anos 60, em uma cenário rural e com dois cowboys como protagonistas.
Jake Gyllenhall e Heath Ledger estão muito bem como os dois protagonistas, e eu, embora esperasse mais do filme, já que Ang Lee é um excelente diretor, não me decepcionei por completo.

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FESTIVAL DO RIO - DIA 12

2046(China/Hong Kong, 2004)
Continuação de Amor a Flor da Pele, do diretor Kar Wai Wong. 2046 é um filme incrível, assim como Amor a flor da pele ele é cheio de imagens oníricas e metalinguagem, e trilha sonora fantástica, no filme anterior Wai Wong usava Quizás Quizás Quizás, dessa vez ele usa Sibonay para ilustrar as cenas de mais apelo.
Na história Chow Mo Man, depois de ter sofrido por amor na história contada do primeiro filme, começa a escrever contos para um jornal, um deles se chama 2046, fala sobre um lugar imaginário onde todas as pessoas gostariam de viver, aliás as cenas ambientadas nesse lugar são estéticamente incríveis, assim como todo o resto do filme.
O filme é quase que todo baseado no relacionamento de Chow Mo Man com várias mulheres, peca um pouco talvez pelo excesso de imagens que acaba fazendo com que se arraste um pouco no final, mas não prejudica o conteúdo no geral, um excelente filme!

A Dignidade dos Ninguéns(Argentina, 2005)
Em Memórias do Saqueo de 2003, o documentarista Fernando Solanas fazia duras críticas ao governo de seu país, mostrando imagens de impacto de um país arrasado por uma crise econômica causada por governantes corruptos e incompetentes. Em A Dignidade dos Ninguéns, espécie de continuação de seu filme anterior, ele retrata o lado dos "ninguéns" o povo que destruído pela crise tenta se reerguer.
É um filme impressionante, principalmente pelos relatos de quem viveu a crise de perto. Assim como em Memorias do Saqueo, Solanas é quem narra o filme em off, e que as vezes, embora seja um documentário ganhe um tom quase ficcional.
É muito interessante a maneira com que Solanas compôe seus filmes, consegue ter um estilo próprio, que embora atualmente comparado a Michael Moore, ele é muito mais autêntico, tanto que já prepara seus dois próximos filmes, ainda com o tema da crise.

Impusividade(EUA, 2005)
Mike Mills era mais conhecido por dirigir video-clipes pro Moby e pro Air, esse é seu filme de estréia, e ele se sai muito bem. Impulsividade conta a história inusitada de um adolescente que não consegue parar de chupar o dedo, mas que aos poucos vai conseguindo desenvolver sua própria história pessoal.
O elenco tem Lou Taylor Pucci, no papel principal, Tilda Swinton, Benjamin Bratt e Vicent Donofrio.
É um filme bom, embora até o meio eu estivesse gostando muito e depois acabou dando uma caída, mas o resultado é bem satisfatório.

Alma Mater(Uruguai, 2004)
O único filme uruguaio selecionado no Festival. Não vou dizer que é um filme péssimo porque até chegar perto do fim eu estava gostando, embora alguns detalhes estivessem meio equivocados.
Com um elenco praticamente desconhecido do público uruguaio, o filme conta uma história completamente bizarra, de Pamela, uma caixa de supermercado que começa a achar que está recebendo sinais divinos, logo ela vai conhecer Katia, uma amiga travesti.
O final do filme beira o trash e ridículo, mas talvez valha a pena como diversão, no mais Alma Mater até que tem boas atuações e é interessante do início para o meio, prende a atenção, e tenta ser uma mistura bizarra entre Carrie, a estranha, O Bebê de Rosemary e David Lynch.

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Quarta-feira, Outubro 05, 2005

Festival do Rio - DIA 11

Don't come knocking(Alemanha/França, 2005)
O novo filme de Win Wenders é incrível, pelo menos a mim agradou muito. A história é algo completamente clichê, mas as nuances que o diretor deu ao filme garantiram uma quase obra prima.
Sam Shepard que também assina o roteiro do filme vive o personagem principal, um ator de faroeste, com a vida perturbada e que depois de fugir do set de filmagem sem rumo, resolve procurar o filho que nunca conheceu.
Don't come knocking é cheio de planos interessantes, ótimos diálogos, e excelentes atuações de Jessica Lange, Sarah Polley(sempre ótima!), e Tim Roth.

Manderlay(Dinamarca/Inglaterra, 2005)
A aguardada segunda parte da Trilogia sobre America de Lars Von Trier. Não diria que Manderlay supera Dogville, mas é tão bom quanto.
Dessa vez a heroína Grace não é Nicole Kidman, e sim Bryce Dallas Howard(a ceguinha de A Vila) e o pai é Willien Daphoe, depois de irem embora de Dogville eles chegam em uma fazenda, Manderlay, onde ainda há escravos, embora o ano seja 1933.
É um filme muito bom, tem diálogos interessantes e irônicos, por vezes é politizado, mas o tema que é sempre mais enfocado é sobre a estrutura negra na América, embora sempre intercalado com algum ou outro foco diretamente ligado.
O filme só perde por usar de uma extrutura antes já conhecida em Dogville e que aqui deixa de ser inovação, mas é muito bom, e o final assim como Dogville não deixa nada a desejar.

Peter Berlin - Que Homem(EUA, 2005)
Documentário sobre o ator pornô gay Peter Berlin. Não gostei porque acho que um documentário como esse não precisa ser um filme sério, que é o que ele se propôe o tempo inteiro, diferente do Entrando na Garganta Profunda que tem muitos momentos divertidos.
O filme mostra Peter jovem, um típico gay narcisista, mas que fazia fotos bacanas, alguns depoimentos, e inclusive dele hoje com 60 anos, ainda narcisista e pobre. Não se propôe a contar muita coisa, resumindo, poderia ser bem melhor do que é.

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Festival do Rio - DIA 10

Vestido de Noiva(Brasil, 2005)
Adaptar Nelson Rodrigues para o cinema não é nada fácil, dessa vez quem o fez foi Jofre Rodrigues, filho do dramaturgo que resolveu levar para tela um de seus textos mais complexos.
Vestido de Noiva conta a história de Alaíde interpretada pela excelente Simone Spoladore, que encontra os diários de Madame Clessi(Marília Pera, em uma atuação ótima e divertida), e assim em uma espécie de devaneio a história começa a unir dois focos, o de Alaíde que precisa dividir o marido com a irmã a véspera de seu casamento e o de Clessi que foi assassinada pelo amante de 17 anos.
É um filme que deve ter sido bem difícil, acho que tem seus méritos, vários, mas também tem alguns defeitos, achei a colagem entre cada tempo um pouco vaga, ainda assim é um bom filme, principalmente porque conta com excelentes atuações, e uma direção que poderia ser ainda mais ousada mas que garante ótimos momentos ao filme.

O Milagre do Candeal(Espanha, 2004)
Documentário de Fernando Trueba, sobre a viagem do pianista Bebo Valdéz a Salvador na Bahia. Achei bastante chato, arrastado, cansativo, talvez porque não criei muitas afinidades com todo aquele universo, ainda assim há um ou outro bom momento que podem valer a pena, mas a participação de Carlinhos Brown as vezes é bem irritante.

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Segunda-feira, Outubro 03, 2005

Festival do Rio - DIA 9

Café da Manhã em Plutão(Reino Unido, 2005)
Dirigido por Neil Jordan, Café da Manhã em Plutão foi uma surpresa agradável, mostra um Cillian Murphy completamente diferente do herói de Extermínio ou do vilão de Batman que antes havia interpretado, aqui ele vive "Gata" uma travesti, sua atuação é sem dúvida o grande ponto alto do filme.
Mas não é só pela atuação de Murphy que o filme se sustenta, a atmosfera anos 70, a trilha sonora, e a ótima direção fazem de Café da Manhã em Plutão um filme muito bom.
O filme começa com a travesti desfilando pelas ruas enquanto carrega um carrinho de bebê, logo a história começa a ser contada através de capítulos, o primeiro mostra quando ele foi deixado na porta de uma igreja e acolhido pelo padre Liam Neeson, depois ele adolescente começa uma busca frenética pela mãe, só o que sabe é seu nome, e que também é filho do padre, vai para Londres, onde as coisas começam a acontecer.
Não vale a pena comentar mais, pois é um filme para ter o gosto da surpresa, mas tem várias cenas muito boas, um filme muito bom!

Crimen Ferpecto(Espanha, 2004)
Um crime ferpecto não é perfeito. Rafael Gonzáles é bem sucedido em seu emprego em uma loja de departamentos e está prestes a ser promovido, mas tem um rival, quem em uma briga acaba matando acidentalmente. Lourdes vê tudo, e obriga a Rafael que se case com ela e faça o que ela queira.
Alex de la Iglesia novamente, como em A Comunidade e Perdita Durango usa de um humor negríssimo para fazer seu filme, Crimen Ferpecto é cheio de bons momentos, inclusive pela escolha dos protagonistas Guillermo Toledo e Monica Cervera, a idéia de ser ambientado em uma loja de departamentos é muito boa, e referências ao filme Ensaio de um Crime de Buñuel não faltam.
As vezes Crimen Ferpecto chega a beirar o surreal, mas é isso que faz dele um ótimo filme, ainda que eu continue preferindo A Comunidade.

Caché(França, 2005)
A maior decepção para mim até agora foi Caché, um filme em que eu depositava grandes expectativas, não que o filme seja horrível, mas Michael Haneke dirigiu pelo menos duas obras primas para mim que são A Professora de Piano e Violência Gratuita, então a decepção aqui foi inevitável.
Tudo acontece muito lentamente, a começar pelos créditos iniciais, uma família vivida por Juliete Binoche, Daniel Auteil, e o filho, começam a receber fitas de vídeo de sua casa, filmada por fora, isso começa a os assombrar e suas vidas vão tomando rumos inesperados.
A premissa é muito interessante, mas falta algo, falta um motivo convincente, uma boa resolução, e um bom desfecho, uma pena de um filme que eu esperava tanto.
Não posso deixar de mencionar a única cena forte que o filme carrega, não vou falar de seu conteúdo para não estragar a surpresa de quem vê, mas é uma cena intensa, que faz você pensar que aquele é o Michael Haneke que gostaria de ver.

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Domingo, Outubro 02, 2005

Festival do Rio - DIA 8
O saldo do Festival ontem foi boníssimo, o melhor dia, até agora!

Entrando na Garganta Profunda(Estados Unidos, 2005)
Documentário sobre Garganta Profunda, obviamente, mas que não fala apenas do filme que causou impacto nos Estados Unidos em 1972, mas analisa tudo o que ele provocou, e causou coisas inacreditáveis para um filme, se tornando não apenas um marco do cinema pornô como também do cinema mundial.
Os diretores Fenton Bailey e Randy Barbato fazem uma colagem de imagens muito boa, em diversos momentos o filme é divertido, mas ele também é bastante irônico e crítico quando o assunto é censura, igreja e puritanismo.
Mostra os realizadores de Garganta Profunda hoje, a maioria já velhos e com personalidades bastante bizarras, um deles inclusive tem uma esposa que rende uma ótima personagem dentro do filme.

O Método(Espanha, 2005)
Um filme diferente de todos os outros que Marcelo Piñeyro diretor de Plata Quemada já fez, El Metodo é adaptção para o cinema de uma peça de teatro, é interessante porque se passa quase que em um ambiente só.
A história é a seguinte, várias pessoas tentam conseguir uma vaga de emprego em uma importante empresa, para isso precisam se submeter a uma série de testes do chamado Método Gronholm, que acaba sempre mexendo com o psicológico das pessoas e as fazendo sair frustradas de dentro da empresa.
Um filme muito interessante, que se for analisado a fundo pode render muito assunto.
O roteiro é de Mateo Gil, o mesmo que trabalhou com Amenábar em Abre los Ojos, Mar Adentro e Tesis. E o elenco tem vários nomes bastante conhecidos, Eduardo Noriega, Ernesto Alterio, Pablo Echarri, Carmelo Gomez, Natalia Verbeke e Najwa Nimri.

Apenas um Beijo(Inglaterra, 2004)
Novo filme de Ken Loach, diretor de Pão e Rosas, Apenas um Beijo é um filme bonitinho mas com vários momentos excelentes, fala um mulçumano de casamento arranjado marcado que se apaixona por uma professora de música, o amor é proibido, e não é ele que apenas enfrente problemas com sua família, ela também sofre por dar aula em uma escola católica.
O filme tem ótimos momentos, diálogos interessantes, e cresce de uma maneira bem sutil, começa bobinho mas quando chega perto do final começa a mostrar seu potencial.

Oliver Twist(Inglaterra, 2005)
Depois de ter dirigido grandes obras primas como Repulsa ao Sexo e O Bebê de Rosemary, Polanski acabou caindo no cinemão, não que isso seja ruim, O Pianista é excelente e Oliver Twist também é um filme bom, mas claro com suas limitações, já que se trata de um filme para crianças.
Polanski resolveu adaptar mais uma vez a história de Oliver Twist que já foi levada diversas vezes para a tela, ele cria um clima intenso, sobre um menino que só se dá mal na vida, se envolve com as piores pessoas possíveis e quando as coisas podem dar certo, elas não dão.
É um filme com ares de super-produção, mas que certamente agradará crianças, ainda que tenha um ou outro conteúdo mais pesado que os filmes anteriores não tinham.
O destaque fica por conta da atuação de Ben Kingsley, em uma atuação excelente e quase irreconhecível.

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Sábado, Outubro 01, 2005

FESTIVAL DO RIO - DIA 7

Ontem foi dia de poucos filmes, mas foi o dia que vi a primeira obra prima no Festival, e ainda Marisa Paredes de pertinho apresentando Rainha, e ela tem sim um porte incrível de diva, e vi também Alex de la Iglesia na sessão do filme de Ivan Cardoso, estou confiante no dia de hoje também.

El Aura(Argentina, 2005)
Quando Fabio Bielinski dirigiu Nove Rainhas ele foi aclamado por ter um grande filme, e realmente é, mas nem se compara perto de El Aura onde o diretor conseguiu se superar absurdamente.
Ricardo Darín é Esteban, um taxidermista epiléptico que vai com um amigo caçar em um vale, os dois se hospedam nas cabanas que tem por perto, Darín tem um ataque de epilepsia e quando acorda mata sem querer um homem, justamente o dono das cabanas, depois do assassinato Esteban começa a investigar e descobre que o homem que matou estava envolvido em um grande golpe, ele acaba então assumindo o golpe.
Assim como Nove Rainhas El Aura também tem um golpe como tema principal, mas é totalmente oposto do filme anterior do diretor, aqui ele construiu uma atmosfera completamente sombria, o filme tem tons bem mais sérios e acaba resultando em uma grande obra prima.
A grande maioria das cenas são notáveis, planos muito bem planejados, principalmente na cena do assassinato, ou então os que precedem os ataques epilépticos de Esteban, um filme incrível!
El Aura do título significa os segundos que antecedem o ataque epiléptico, quando se pode sentir completamente livre por se esquecer da morte.
Não estou poupando elogios, mas porque o filme realmente merece, o melhor do festival até agora!

Rainhas(Espanha, 2005)
Quando um elenco está encabeçado pelas chicas almodóvar, Marisa Paredes, Carmen Maura e Verónica Forqué, e ainda tem Mercedes Sampietro, Daniel Hendler e Luis Homar, a história a ser contada nem acaba interessando muito.
Do diretor de Entre as Pernas, Manuel Gómez Pereira o filme é mais um com temática gay, mas dessa vez mostrando o ponto de vista de suas mães que acabam se reunindo para celebrar o primeiro casamento gay da Espanha, onde justamente seus filhos vão casar.
O filme pode não ser lá grande coisa, mas é bem divertido, tem momentos ótimos, por exemplo Marisa Paredes é a mãe de um dos gays, ela interpreta uma atriz e em um jantar com seu consogro, Luis Homar, ele pergunta se ela não se importa que ele fume um beck, e ela responde "Claro que não, já trabalhei com Almodóvar", momento hilário.
Verónica Forqué é uma ninfomaníaca que um dia não resiste e transa com o namorado do filho, Mercedes Sampietro é uma juíza linha dura que não cede que o filho case com outro homem, e Carmen Maura é a dona de um hotel que enfrenta problemas com os seus funcionários, essa última é que achei um pouco apagada perto das outras, Carmen Maura tem um grande potencial, que não foi completamente explorado aqui, em compensação a atriz argentina Betiana Blum rouba a cena em vários momentos, e garante ao filme seus momentos mais divertidos.
Rainhas é um filme para ver sem pretensões, sem esperar grande coisa, e aí ele acaba sendo divertido.

Um Lobisomem na Amazônia(Brasil, 2005)
O diretor Ivan Cardoso já dirigiu um grande clássico do cinema brasileiro, O Segredo da Múmia, considerado um mestre do gênero "terrir" pode se dizer que ele exagerou um pouco na dose com seu novo filme, Um Lobisomem na Amazônia.
O filme tem tudo propositalmente muito ruim, começando pelas atrizes peitudíssimas Karina Bacci e Daniele Winits, passando por uma florestinha de estúdio com uma luz azulada, e pela roupa do lobisomem que não é de botar medo em ninguém, não precisava tanto.
O roteiro é de Rubens Luchetti, o mesmo dos filmes do Zé do Caixão, fala de um grupo de jovens que decide ir para a Amazônia tomar o Santo Daime, lá, em meio as alucinações se deparam com o lobisomem e com o Dr. Moreau, um cientista louco que pretende criar vários monstros, além de encontrar a mulher ideal.
Bizarrices não faltam, tipo umas amazonas toscas, muito peito de fora, e um elenco trash, mas o filme é over, e as únicas risadas que dei foram um tanto forçadas.

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