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Quarta-feira, Novembro 23, 2005

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Marcas da Violência(EUA, 2005)

David Cronenberg está de volta e mostra plena aforma, apesar de ter deixado de lado o grotesco e o surreal que tanto o caracterizavam nos primórdios de sua carreira, Marcas da Violência mostra ser um filme extremamente maduro e de conteúdo.
Logo de início uma cena de impacto, sangue, mortos e um tiro na cabeça de uma criança, corta para a vida tranquila e exemplar de Tom Stall, um homem que vive em uma cidade pacata com sua esposa, filhos e o negócio promissor, o que na verdade pode ser uma vida de farsas já que depois de matar dois assaltantes em seu restaurante ele acaba sendo procurado por gangsters que pensam que ele possa ser um grande matador do passado.
Viggo Mortensen vive esse herói que ao mesmo tempo é um anti-herói, o ator consegue se desvincilhar bem rápido da imagem que construi para a trilogia de O Senhor dos Anéis, e mostra que essa é sua melhor atuação, talvez porque por trás de tudo tivesse a direção competentíssima de Cronenberg.
No elenco ainda tem Maria Bello que achei incrivelmente parecida com a Diane Lane nesse filme e Ed Harris que está de colocar medo.
Marcas da Violência é ainda mais profundo quando mostra as frustrações do filho adolescente reprimido pela monotonia de sua família, e que acaba crescendo com o desenrolar da trama, além de duas ótimas cenas de sexo entre Mortensen e Maria Bello que definem muito bem os momentos da história.
Um filme notável, e que certamente merece ser visto, Marcas da Violência é o Cronenberg que queríamos ver!

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Casa Vazia(Coréia do Sul, 2004)

Se existe uma única palavra que defina Casa Vazia, essa palavra é sutileza, o filme é incrivelmente sutil, silencioso do início ao fim, só quem tem diálogos e falas são os outros personagens que não os protagonistas, estes se mantem silenciosos sempre, o que deve ter sido uma tarefa bem difícil para o diretor, mas que obteve excelente resultado, o silêncio é extremamente envolvente apesar de em certos momentos causar um pouco de nervosismo.
Dirigido por Ki-Duk Kim, o mesmo do ótimo Primavera, Verão, Outono, Inverno, Primavera, o filme até tem algumas semelhanças com o anterior, embora tratem de uma temática muito diferente, mas em Casa Vazia vemos o típico herói oriental que treina e se dedica a algo para que no fim saia vitorioso.
A história fala de um jovem que invade casas vazias onde geralmente passa a noite, assim de cara pode até parecer um pouco com Edukators, mas não, ele como forma de agradecimento conserta o que está estragado, lava as roupas e rega as plantas das casas, mas um dia acaba entrando num lugar onde há uma mulher mal tratada por seu marido, os dois acabam fugindo juntos e se envolvendo.
Um belo filme de arte e que ainda funciona muito bem como crítica ao materialismo e a sociedade de consumo, mais um ótimo exemplar do cinema coreano!

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Sábado, Novembro 12, 2005


OBRA PRIMA!!!

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Quinta-feira, Novembro 10, 2005

Da série Diretores : Lukas Moodysson

Conterrâneo de Bergman, e apadrinhado pelo próprio, o diretor sueco Lukas Moodyson e daqueles que consegue e sabe impressionar, de certa maneira seus filmes sempre geram algum tipo de polêmica e/ou controvérsia.
A carreira de Moodysson começou ainda nos anos 90 quando realizou alguns curtas, mas seu primeiro longa de destaque foi Amigas de Colégio(Fucking Amal) de 98, o filme é situada numa pequena cidade da Suécia chamada Amal, e se trata de um romance entre duas adolescentes colegas de escola, foi o primeiro filme do diretor que assisti, gostei muito e sempre cito entre meus filmes preferidos. Em Amigas de Colégio Lukas Moodysson já mostrava seu potencial para lidar com temas como problemas da adolescência.
Em 2000 rodou seu segundo longa, Bem-Vindos uma comédia divertida, sobre uma comunidade hippie, ainda que não tenha o mesmo impacto de Amigas de Colégio é um bom filme e que funciona muito bem como crítica social, o núcleo das crianças e adolescentes é o que mais chama a atenção no filme.
Depois de 2 anos sem rodar, em 2002 o diretor realizou Para Sempre Lilya, lançado este ano no Brasil e para mim um dos melhores filmes de 2005, no filme ele conta a história de Lilya, uma adolescente que é abandonada pela mãe, enganada pelos amigos, tia e namorado, é a típica personagem que se dá mal durante o filme inteiro, é uma obra densa e de bastante impacto.
Seu filme mais recente se chama Um Vazio no Coração, chegou direto nas locadoras do Brasil, é uma obra muito controversa e polêmica, fala de um grupo de pessoas que vive em um apartamento, eles quase não saem de lá e ficam gravando algumas cenas amadoras de filme pornô, neste filme existem cenas realmente grotescas, inclusive uma certa onde os personagens transam com comida junto e quase matam a mulher de tanto enfiar comida em sua boca, é bem desagradável de se ver, entre várias outras, Um Vazio no Coração é um filme que certamente causa efeitos colateiras.
Enfim, Lukas Moodysson é um diretor com uma filmografia breve mas impecável, onde na maioria das vezes além de dirigir ele escreve, produz e toma conta da fotografia, vale a pena procurar pelos 4 filmes do diretor e descobrir que ele é realmente muito bom!

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MOVIES AND MORE - 2 ANOS
Este é um post não para comemorar, mas só pra registrar que neste mês de novembro o Blog está completando 2 anos de atividade.

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Quarta-feira, Novembro 09, 2005

O JARDINEIRO FIEL(EUA, 2005)

Quando foi agraciado com algumas indicações ao Oscar por Cidade de Deus, era óbvio que Fernando Meirelles acabaria recebendo convites de algum grande estúdio gringo para rodar alguma coisa, mas diferente de Walter Salles que dirigiu o péssimo Água Negra, Meirelles se deu ao luxo de escolher o que filmar, e o roteiro adaptado do romance de John le Carré, O Jardineiro Fiel foi parar em suas mãos, o diretor gostou mas deixou claro que faria exigências, uma delas era alterar algumas coisas do roteiro, e ele conseguiu.
O Jardineiro Fiel mostra uma direção muito competente de Fernando Meirelles, que agradou pelo sei jeito brasileiro de filmar, já que o orçamento do filme ficou bem abaixo do esperado, 25 milhões, ponto para o Brasil.
No roteiro original a personagem Tessa quase nem aparecia, ela morria logo no início e pronto, mas com as modificações feitas, a personagem ganhou mais vida e o filme mais sentimentalismo, passou de algo que poderia ser um filme denúncia para algo do tipo drama com temática social e thriller.
Logo no começo do filme notamos um extremo cuidado com a fotografia e a parte estética, um dos responsáveis por isso é César Charlone, mesmo diretor de fotografia de Cidade de Deus e levado por Meirelles a Hollywood, a foto do filme tem nuances e ângulos que em muitos momentos nos fazem remeter a Cidade de Deus, cores saturadas, grão e negros que são quase azuis, semelhanças que ajudam a compor o lirismo do filme, a primeira cena em que a África é mostrada é linda, de deixar qualquer um empolgado.
A história é a seguinte, em uma palestra da ONU, o diplomata Justin conhece Tessa uma jovem revolucionária que se une a ele em uma missão a África, lá ela acaba descobrindo algumas experiências ilegais com remédios, de tanto investigar Tessa é assassinada e faz com que seu marido, Justin tome seu lugar na investigação.
A temática social é bem explicíta, de certa forma ajuda com que os EUA abra os olhos para a África, um continente imenso, enfestado por morte e doenças e que funciona mais ou menos como o quintal do mundo.
A escolha, por sinal muito acertada, para o protagonista foi rápida, Ralph Fiennes faria Justin e pronto, já a personagem de Tessa foi mais complicado, surgiram nomes como o de Nicole Kidman, Eva Green e até mesmo, pasmem, Luana Piovani, mas Rachel Weiz acaba desempenhando o papel como nunca, e me deixa ainda mais curioso para vê-la em The Fountain, só não cola quando falam que sua idade é 24 anos, o que provavelmente até seja proposital, já que a idéia inicial do diretor era uma adolescente para o papel.
O Jardineiro Fiel tem cheiro de Oscar, e em meio a tanta lixo produzido por Hollywood nos últimos anos, é irônico que um excelente filme venha das mãos de um estrangeiro, e deve sim abocanhar várias estatuetas.
Um dos problemas que Fernando Meirelles teve com o filme foi sua larga duração, várias cenas tiveram que ser excluídas, e nem por isso o filme deixa de ser cansativo em certas partes perto do final, mas encerra com chave de ouro, e qualquer pequeno erro é perdoado.
Fechando os nomes conhecidos na produção do filme está o de Alberto Iglesias, responsável pelas trilhas de Almodóvar desde A Flor do meu Segredo de 1995, e dos filmes de Julio Medem. Iglesias compos uma trilha melancólica que dá todo o tom que o filme precisa ter.

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Segunda-feira, Novembro 07, 2005

Tudo acontece em Elizabethtown(EUA, 2005)

Elizabethtown dirigido pelo as vezes amado e as vezes odiado Cameron Crowe, é um filme bem bacana, é fofo, e tem elementos que fazem uma comédia romântica funcionar, é quase um meio termo entre Vanilla Sky e Quase Famosos, os dois trabalhos anteriores do diretor, mas desta vez o pano de fundo é a morte do pai do protagonista Drew(Orlando Bloom).
Drew está em crise porque causou um prejuíso gigantesco a empresta que trabalha e ainda por cima descobre horas depois que o pai morreu, ele precisa ir buscar o corpo do pai em uma cidade chamada Elizabethtown, e no avião acaba conhecendo a estranha comissária, Claire, interpretada por Kirsten Dunst que tem potencial mas erra a maioria de suas escolhas, aqui até que ela se sai bem, Claire é uma personagem imensamente carismática e que por vezes revela muito do seu autor, Cameron Crowe.
No elenco ainda está Susan Sarandon que apesar de não aparecer muito, tem um grande momento em cena.
Se Elizabethtown é um bom filme? Eu diria que sim, embora fique apenas nisso, mas é bem bonitinho e tem momentos de fazer qualquer um sorrir. O filme tem referências muito divertidas e uma trilha sonora escolhida a dedo como em qualquer filme de Crowe, e tem de U2 a Elton John, de Ryan Adams a The Hombres.

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A Noiva Cadáver(EUA, 2005)

Tim Burton cometeu a façanha de lançar dois filmes infantis em menos de um ano, o primeiro sua versão para o clássico A Fantástica Fábrica de Chocolate, e o segundo A Noiva Cadáver, uma animação gótica em stop motion, e quando falamos em stop motion logo vem a cabeça aquela imagens de desenhos com massinha de modelar, mas Burton conseguiu atingir a perfeição e criou uma animação original e extremamente bem feita.
A Noiva Cadáver conta a história de Victor, com a voz do muso do diretor Johnny Depp(mais uma vez), ele está de casamento marcado com a meiga Victoria(voz de Emily Watson) até que é arrastado para dentro do mundo dos mortos por uma noiva cadáver um tanto carente, com a voz da esposa e musa de Burton, Helena Bohan Carter.
Um filme meigo, otimista e bonitinho, ainda que no fim me causou a sensação de que falta alguma coisa, mas tem piadas que crianças enterão, ou seja, é um bom filme para assistir com os filhos, irmãos mais novos ou qualquer criança que estiver ao alcance.

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Domingo, Novembro 06, 2005

Um pouco de Alex de la Iglesia

Alex de la Iglesia pode ser chamado de no mínimo, um diretor curioso, seu primeiro trabalho como diretor foi no curta Mirindas Asesinas de 1991, dois anos depois ele lançaria seu primeiro longa, Acción Mutante produzido pela El Deseo, a produtora de Pedro Almodóvar, o que na época chamou bastante a atenção do público e crítica, o que acabou dando renome ao diretor. Acción Mutante é um filme absurdamente trash, onde o bizarro chega quase a beirar o ridículo, mas o resultado é bastante divertida e tem ainda participações hilárias no elenco.
Em 1995 Alex de la Iglesia dirige El dia de la Bestia, mais uma comédia de humor negro que firmaria a sua parceria com o roteirista Jorge Guerricaechevarría com quem havia trabalhado em Acción Mutante, e continuaram juntos em quase todos seus outros filmes.
Perdita Durango foi o filme que deu ao diretor uma certa visibilidade internacional, é parcialmente falado em inglês e os protagonistas são Rossy Perez e Javier Bardem, dois trambiqueiros, macumbeiros que resolvem sequestrar um casal de adolescentes nos Estados Unidos, é um filme bastante divertido e que mostra que Alex de la Iglesia é realmente um ótimo diretor para o que se chama humor negro.
Em 1999 realizou a comédia Muertos de Risa, filme de que nunca ouvi falar muito e que fez relativo sucesso. Mas um de seus melhores filmes estaria por vir, A Comunidade de 2000 contava com um elenco sensacional encabeça pela diva almodovariana Carmen Maura entre outros ícones do cinema espanhol, um humor negro riquíssimo e muito divertido, que garante risadas e bizarrices do início ao fim.
Depois de A Comunidade, de la Iglesia ainda voltou a trabalhar com Carmen Maura em 800 Balas, um de seus filmes mais arrastados, as vezes chega até a ser um tanto chato, é um falso faroeste sobre um garoto, aqui o humor negro quase fica de lado e sobra apenas para piadinhas infames. Ainda bem que no ano passado o diretor lançou Crimen Ferpecto, um filme que tem muito em comum com A Comunidade, na história um vendedor bem sucedido mata um homem por acidente, uma mulher vê tudo e acaba chantageando-o, e obrigando o homem a casar-se com ela.

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Quarta-feira, Novembro 02, 2005

Estamos Voltando
Já era hora de voltar, alguns acontecimentos recentes não permitiram que eu atualizasse o blog com frequencia, mas estou aqui e prometo por tudo em dia, listas e textos estarão de volta a partir de hoje, pra começar vou fazer textos sobre vários diretores que gosto, como já havia feito um tempo atrás, espero q neste tempo o blog não tenha sido totalmente abandonado.

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