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Quarta-feira, Junho 28, 2006

Em Bande à part, Nouvelle Vague repete fórmula do primeiro disco

O Nouvelle Vague está de volta! O grupo francês formado por diversas cantoras como Melanie e Phoebe, causou em 2004 quando lançou seu primeiro disco com releituras inusitadas dos anos 70 e 80.
Mais uma vez, a banda continua apostando nas versões de clássicos, lançando agora Bande à part, título que faz referência ao filme de Godard, ícone é claro, da Nouvelle Vague francesa.
A primeira faixa, Killing Moon do Echo & The Bunnymen ganhou tanta suavidade que ficou quase irreconhecível. Mas é na segunda música, uma versão deliciosa de Ever fallen in love do Buzzcocks,que o disco realmente começa a empolgar, os toques de samba e bossa-nova vão se evidenciando.
Dance with me, a música de número três já não é tão conhecida como a maioria, a original foi gravada pela banda gótica Lords Of New Church. Nos arranjos do Nouvelle Vague, ela é sensual e inspiradora.
O maior clássico do Yazoo também foi revisitado, Don¿t Go ganhou modernidade, vocais sofredores e uma levada um pouco mais rock¿n roll. Na quinta faixa os franceses mostram como se transforma um verdadeiro hit, Dancing with myself de Billy Idol agora conta com vocais suaves e um toque bastante vintage.
Heart of Glass também não escapou. O vocal de Gerald Toto dá a música um clima hawaiano, a gente quase esquece daquela remota e genial versão do Blondie.
A melancólica O Pámela da banda The Wake antecede o ponto mais alto do disco até aqui, o grupo arriscou uma versão bossa-nova de Blue Monday, clássico oitentista do New Order. E não é que ficou muito bom? Se há uma música imperdível neste disco, sem dúvida é essa. Algo que Love will tear us apart também representou para o primeiro álbum da banda.
A música Human Fly do The Cramps repete a constante sensualidade dos vocais de Melanie, a batida do piano a faz ser digna de cabaré. A nova roupagem de Bela Lugosi¿s Dead, marca registrada do Bauhaus ficou um pouco mais sombria, diferente de tudo que foi ouvido até aqui. Chega inclusive a nos remeter à diva Bjork.
Escape myself(The Sound) e Let me go(Heaven 17) marcam momentos mais relaxantes no disco anunciando em chill out que o fim vai se aproximando.
A penúltima faixa, a triste Fade to Grey(Visage) é marcada pelo toque do acordeom e por vocais muito delicados. O disco chega ao fim com Waves(Blancmage), mais uma canção calminha e cheia de sons de água que vão anunciando ¿goodbye, goodbye¿
Sem dúvida, Bande à part, repete a qualidade do primeiro álbum do Nouvelle Vague. É delicioso e agradável do início ao fim, mas resta a dúvida se a forma que vem dando certo suportaria uma terceira experiência.

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Quinta-feira, Junho 22, 2006

X-Men - O Confronto Final(de Brett Ratner, EUA, 2006)

O primeiro filme de X-Men foi ótimo, o segundo tão bacana quanto, mas eu não sabia o que esperar de um terceiro, até porque Bryan Singer, diretor que fez os dois bons filmes da franquia caiu fora para dirigir o retorno do homem de aço. Mas X-Men ¿ O Confronto Final é Ok! Não diria que supera seus antecessores, mas ao menos consegue manter o nível.
É bom quando um gênero que costuma não me agradar me surpreende e quebra o preconceito com que eu costumo entrar na sala de cinema.
Se Hollywood fizer jus ao título do filme esse será realmente o confronto final, três já é um número mais do que suficiente, ainda que se possa esperar por um filme solo de Wolverine muito em breve.
O que mais me chamou a atenção no filme é que ele é bastante apoteótico. É grandioso, e continua narrando os conflitos de um mundo habitado por humanos e mutantes. Desta vez a história introduz ainda mais mutantes, o segundo já havia feito isso mas agora é complementado. E existe uma ¿cura¿ desenvolvida pelo governo para a raça mutante o que desencadeia mais uma eterna batalha entre o bem e o mal.
O Wolverine de Hugh Jackman está de volta, e apesar dos traços rudes, é impossível não simpatizar com o machão, assim como Magneto(Ian McKellen), Tempestade(Halle Berry), Vampira(Ana Paquim) e toda galerinha mutante.
Quando X Men 2 acabou ficou claro que outro estava por vir, e que ainda havia história para ser contada. A personagem Jean, que morreu, renasce das cinzas como a Fênix, só que dessa vez se bandeia para o lado dos malvados.
Não há muito que eu possa comentar sobre o filme. É entretenimento puro, e é divertido, tem grandes momentos, grandes personagens, e a direção de Brett Ratner apesar de deixar um pouco a desejar para a de Singer é estável, e tecnicamente impecável.
Viva Wolverine!

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Quarta-feira, Junho 21, 2006

antes do post quero deixar um aviso, escrevi este texto para a aula de Redação, então caso meu professor acabe procurando pelas palavras que escrevi no google e chegar aqui digo que meu trabalho não foi de ctrl c + ctrl v, foi escrito por minhas mãos. Dado o aviso, o texto:

Paradise Now(França / Alemanha / Israel / Holanda, 2005)

O tema de Paradise Now nunca esteve tão presente em nossa realidade ocidental como hoje. Ao falar sobre homens-bomba a primeira coisa que vem a cabeça é o fanatismo, mas não é disso que o filme fala, e sim do lado humano de homens que são tratados como loucos por uma sociedade que os julga sem conhecer.
Dirigido pelo israelense Hany Abu-Assad, a fita foge de estereótipos. É um soco no estômago para quem está acostumado à visão romantizada de Hollywood.
Na trama Said (Kais Nashef) e Khaled (Ali Suliman) são dois amigos que vivem na cidade de Nablus, levam uma vida que qualquer jovem normal levaria, fumam narguilé e olham a vida passar. São chamados inesperadamente para serem homens-bomba em um atentado, justamente quando menos esperavam eles precisam honrar Alá.
O aviso pega os dois de surpresa, Said questiona-se sem parar, mas os atentados suicidas estão impostos por sua cultura e não restam muitas opções. Já Khaled encara a missão como uma aventura. Morrer como um mártir pode ser a porta para o paraíso, o sacrifício mor em nome de Alá e o encontro com a tão esperada liberdade.
Através de pontos de vistas opostos o filme é construído. Enquanto um quer muito morrer o outro entra numa explosão particular de questionamentos de seus valores e desejos. As reações se evidenciam perfeitamente, quando os personagens gravam seus vídeos de despedida do mundo, sem dúvida uma das melhores cenas de Paradise Now.
No núcleo de Said, duas personagens marcam bastante. A primeira é a mãe, interpretada pela ótima Hiam Abbass(que também atuou em Free Zone, de Amos Gitai) é através de sua expressão triste que entendemos o porque da complexidade do personagem Said. A outra é Suha (Lubna Azabal), a semi-namorada, de quem ele gosta mas seria tarde demais para assumir uma relação.
Não é que Khaled seja insensível, bem pelo contrário, o que ele quer é encher seus ¿superiores¿ de orgulho, tem uma sede imensa de conhecer o novo, o que tem do outro lado e nutre um sentimento de amor por Said. É por isso que se revolta quando o amigo foge e quase coloca tudo a perder.
As representações que o filme faz são muito bem feitas, os abraços de despedida, a última refeição, os olhares, tudo tem um significado muito forte.
Paradise Now chamou a atenção da mídia quando ganhou o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro este ano, mas perdeu o Oscar. Aliás, o filme se difere bastante dos interesses norte-americanos. Mostrar que existem humanos no mundo de Osama Bin Laden pode ser adverso no país liderado por Bush.
A consciência palestina fala de honra, sacrifício e liberação. ¿Não vale a pena viver sem dignidade¿, é uma das frases ditas em determinado momento do filme, reafirmando que antes de qualquer coisa vem o orgulho. Não interessa viver, se a missão não for cumprida.
Apesar do tema delicado, e da enorme sensibilidade dos personagens, o filme não exagera nos dramas. Ele apenas cumpre a sua função, traduz o sentimento de homens que são reais.
Na fotografia do filme, vemos planos muito bem pensados. São belas imagens, a grande maioria delas em tons opacos. Quando Paradise Now se aproxima do final ele ganha cor. De dentro do automóvel que os leva, os dois homens-bomba vêem a cidade de Tel Aviv, lá as pessoas divertem-se com o colorido das praias e das ruas. Difícil é identificar quem é inocente e quem é inimigo, onde todos parecem felizes.
Assim como o restante do filme, o final tem um toque poético. Enquanto a câmera mostra a reação dos outros personagens, Said se joga em sua missão, seus olhos se fecham e o filme acaba de maneira lírica, cumprindo com a função de criar pelo menos um pouco de consciência para quem assiste.
Onde isso tudo vai parar afinal? Para um dos personagens do filme nos braços dos anjos, mas ele fala isso cheio de dúvidas. É um passo a passo do sacrifício que um humano é capaz de fazer, uma demonstração cinematográfica perfeita da realidade de pessoas que apesar de crenças talvez um pouco equivocadas, são tão reais e normais quanto quem está aqui do outro lado da tela.

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Terça-feira, Junho 20, 2006

Árido Movie(Brasil, 2006)

Em seu filme de estréia, Baile Perfumado (1997), o diretor pernambucano Lírio Ferreira já havia mostrado seu potencial para retratar o nordeste e o cangaço brasileiro. Agora em Árido Movie, ele se aventura em mostrar o mesmo sertão só que de maneira mais contemporânea e inusitada.
O longa é ambientado em Vale do Rocha, uma cidadezinha do sertão de Pernambuco. Lá, Lázaro, personagem de Paulo César Peréio é assassinado pelas mãos de Jurandir(Luiz Carlos Vasconcelos), irmão da índia com quem estava envolvido. Este é o ponto de partida para a história.
Jonas(Guilherme Berenguer) é o filho de Lázaro Ele sempre teve pouco contato com o pai e o sertão. Vive em um universo paralelo do retratado no filme, trabalha como homem do tempo do noticiário da TV.
Quando Jonas fica sabendo da morte do pai , volta as origens, passando antes por Recife, a metrópole nordestina. Onde reencontra a mãe (Renata Sorrah), e o trio de amigos interpretados por Selton Mello, Gustavo Falcão(de A Máquina) e Mariana Lima, que fazem uma espécie de contraponto com a realidade interiorana.
A aridez que o título do filme propõe é muito bem traduzida em meio a diversas analogias que o roteiro faz, mas há alguns pontos negativos. Tudo bem dos personagens fumarem maconha do início ao fim, a erva está completamente introduzida dentro do contexto do filme, mas o caráter ¿viajante¿ em certos momentos é um pouco exagerado, o que talvez até seja intencional, mas não convence. Por outro lado a história paralela de Soledad, personagem de Giulia Gam é muito bem abordada, o carisma da atriz contribui para que se queira acompanhá-la sem piscar até o desfecho de Árido Movie.
Falta d¿água, vingança, plantações de maconha, chá indígena, tudo isso entra em questão dentro do filme, o roteiro é extremamente bem construído e faz bastante o uso de frases de impacto. Alguns planos também chamam muito a atenção, como quando a personagem de Renata Sorrah conversa com a de Mariana Lima e a câmera só mostra peixes mortos.
O elenco conta ainda com José Dumont, Matheus Nachtergale e o consagrado diretor de teatro Zé Celso Martinez fazendo uma espécie de profeta a lá Antonio Conselheiro;
É bom ver que existe vida cinematográfica fora do eixo Rio - São Paulo, e que esta vida vem se tornando cada vez mais forte. É ainda melhor, porque Árido Movie assim como seu conterrâneo, Amarelo Manga, não é um filme típico de nordeste. Tem uma identidade bastante própria e um excelente desempenho do elenco.

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Quarta-feira, Junho 14, 2006

Se joga na Bola!

Todo mundo já sabe o quão patriotas ficamos em época de copa do mundo, é inevitável. É quando celebramos o que mais dá orgulho e reconhecimento a nação, o melhor futebol do mundo.
Jamais me aventurei a escrever sobre futebol não é muito a minha área de interesse. Mas achei o jogo de estréia do Brasil contra a Croácia um bom desafio.
Creio que sim, temos a melhor seleção do mundo, os jogadores são os melhores e mais bem pagos, mas neste tão falado ¿país do futebol¿ a celebrização destes mesmo jogadores é excessiva e conseqüentemente os egos acabam inflados, o que somado ao nervosismo da estréia acabou resultando em um jogo que não satisfez como prometia.
O primeiro tempo não foi nada fácil, a Croácia se mostrou um adversário perigoso, assustou o Brasil e pegou pesado até aos 43 minutos quando finalmente o galã da seleção, Kaká, marcou o tão esperado gol.
No segundo tempo quase nada aconteceu, o Brasil se defendeu bem, Dida salvou o dia nos agarrando várias bolas, e tudo ficou mesmo no 1 x 0. A torcida da Croácia botou tanta pressão que teve até torcedor chapadão invadindo o campo.
Até que a Seleção Brasileira conclua sua participação, grande parte dos brasileiros irá colocar suas vidas nos pés dos Ronaldos, o Gaúcho que hoje protagoniza todo o tipo de campanhas publicitárias e o Fenômeno que além das publicidades deve estar tendo uma enorme indigestão de gostosas já que mostrou ser a decepção desta copa, saindo no meio de sua primeira partida.
Nos resta torcer para que as cores das ruas e das pessoas continuem exaltadas por pelo menos mais um mês e que Adriano, Cafu, Robinho e companhia honrem os salários que ganham e tenha pés no chão para não envergonhar mais uma vez, como na inexplicável final contra a França em 1998.

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Sábado, Junho 10, 2006


Se você jurar, que me tem amor, eu posso me regenerar
mas se é, para fingir mulher na orgia assim eu vou ficar

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