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Sexta-feira, Junho 15, 2007

A Vida Secreta das Palavras(de Isabel Coixet, Espanha, 2005)

Em seu filme anterior, Minha vida sem mim, a diretora espanhola Isabel Coixet havia se revelado sublime na arte de fazer cinema, tanto que recebeu o aval da produtora de Almodóvar El Deseo nos créditos de seu longa.

Em A Vida Secreta das Palavras, Coixet também é produzida por Almodóvar e vai ainda mais longe ao explorar a sensibilidade humana. Novamente a diretora teve Sarah Polley como protagonista. A atriz vive Hannah, uma estranha e misteriosa mulher.

Aos poucos a personalidade de Hannah é revelada, sempre cercada de muita melancolia. Após ganhar férias forçadas da indústria têxtil onde trabalha, ela vai parar em uma plataforma petrolífera para cuidar de Josef, um operário acidentado vivido por Tim Robbins.

A relação entre paciente e enfermeira desenvolve uma viagem de auto-conhecimento e trocas, não só entre ambos mas com todos os que trabalham no petroleiro, entre eles o cozinheiro interpretado por Javier Câmara, o Benigno de Fale com Ela.

Apesar de retratar delicadas relações, A Vida Secreta das Palavras é um filme sobre solidão, isolamento e refúgio. Todos esses sentimentos são confirmados com a belíssima trilha que inclui entre outros Tom Waits, David Byrne e Anthony and the Johnsons.

Filmado na Espanha e com uma equipe de espanhóis, A Vida Secreta das Palavras é inteiramente falado em inglês e acumulou diversos prêmios, entre eles os Goya de melhor filme, diretor, roteiro e direção de produção, em 2006.

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Batismo de Sangue(de Helvécio Ratton, Brasil, 2007)

¿Bem-vindo a sucursal do inferno¿, com essa frase Frei Tito, personagem de Caio Blat é levado ao pau de arara. O longa Batismo de Sangue de Helvécio Ratton(Menino Maluquinho) retrata os horrores da Ditadura Militar. Não chega a inovar em nada, já que obras do mesmo tema volta e meia permeiam o cinema nacional, vide os recentes Zuzu Angel, O Ano em que meus pais saíram de férias e Cabra Cega.

O diferencial de Batismo de Sangue é que os protagonistas aqui relatados são um grupo de frades dominicanos que resolvem ajudar clandestinamente contra a ditadura militar. Impulsionados pelos ideais cristãos eles acabaram apoiando o grupo guerrilheiro Aliança Libertadora Nacional, do líder Carlos Marighella.

Daniel de Oliveira que recentemente viveu o filho de Zuzu Angel no filme homônimo, é Frei Betto, o mesmo que escreveu o livro que inspirou filme. Caio Blat é Tito, o mais complexo dos personagens, ainda que seu desfecho tenha ganhado um certo excesso de explicações. O filme começa quando seu personagem se enforca, evidentemente já revelando o final.

Mas a impressão que o longa causa infelizmente acaba sendo a de ¿só mais um¿ apesar de ter lá seus méritos. A fotografia por exemplo, do consagrado Lauro Escorel é um primor. O maior problema acaba sendo o elenco, principalmente em relação à escolha de Cássio Gabus Mendes, que não tem o biotipo para reviver o delegado Fleury, um dos homens mais abomináveis da história do Brasil.

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Fama e destruição em Andy/Edie
Espetáculo da Cia Espaço em Branco leva a Pop Art ao palco do Teatro de Arena

Andy Warhol e Edie Sedgwick são os personagens principais do espetáculo da Cia Espaço em Branco Andy/Edie, em nova temporada no Teatro de Arena(Av. Borges de Medeiros, 835 ) de 1° a 24 de junho. Na Nova York dos anos 60 o ícone da Pop Art mantinha uma conturbada relação com Edie, sua musa cinematográfica e o rock star Bob Dylan. Rica e viciada, a diva foi figurinha fácil em capas da Vogue e Time e inspirou Warhol em produções do cinema underground como Bitch, Vynil e Poor little rich girl.

Premiada com o Açorianos pelo espetáculo anterior da companhia, Extinção: A impossibilidade física da morte na mente de alguém vivo, Sissi Venturin protagoniza a peça ao lado de Rodrigo Scalari como Andy Warhol. Integram ainda o elenco Lisandro Bellotto na pele de Bob Dylan; Michel Capeletti como Gerard Malanga, o braço direito de Warhol; Alexandra Dias no papel de Valerie Solanas, a líder feminista autora do disparo que inspirou o filme Um tiro para Andy Warhol; e Ravena Dutra interpretando Ingrid Superstar.

Dirigido por João Ricardo, responsável também por obras como Extinção, O Livro de Catarina e Pulp: Nelson Rodrigues e Serpente, o espetáculo tem cenário idealizado por Felipe Helfer, que recria dentro do Teatro de Arena, o lendário atelier de Andy Warhol, a Factory. A trilha sonora assinada por Filipe Catto faz releituras de clássicos de Bob Dylan e Velvet Underground. Os figurinos são de Lúcia Panitz e a criação de luz fica a cargo de Jô Fontana.

O espetáculo escrito por Diones Camargo, recebeu o Prêmio Nacional de Dramaturgia da Funarte 2005 e foi indicado ao Prêmio Açorianos na categoria de melhor dramaturgia em 2007. Outro detalhe curioso é que Andy/Edie nunca recebeu do governo a verba de R$15 mil que lhes era de direito para a montagem do espetáculo, sendo assim os recursos foram levantados pelos próprios integrantes da Espaço em Branco.

Edie Sedgwick, a musa da estação

Louca por fama e glamour, envolta a dois grandes astros, Andy Warhol e Bob Dylan, Edie Sedgwick é a personagem principal do filme Factory Girl, dirigido por George Hickenlooper e que tem previsão de estréia no Brasil para julho. No longa Edie é interpretada por Siena Miller. Guy Pearce faz o papel de Andy Warhol. Sedgwick também é personagem de outro filme que em breve deve chegar por aqui, Highway 61 de Todd Haynes o mesmo diretor de Velvet Goldmine. Nesta ousada cinebiografia sobre Bob Dylan Cate Blanchett, Richard Gere e Heath Ledger dão vida a diferentes facetas do astro, Edie é interpretada por Michelle Willians.

Edie Sedgwick também dita a moda do outono/inverno 2007. Seu estilo, bem peculiar aos anos 60 inspirou diversos estilistas em suas criações. Trapézios, cílios postiços, lurex, pernas de fora e estampas em Op Art, tudo é tendência espelhada na musa do cinema underground.

O sonho da fama acabou para Edie em 1971, quando aos 28 anos morreu de overdose, afogada no próprio vômito. Sua última aparição no cinema foi em Cio Manhattan de John Palmer e David Weisman, onde física e mentalmente debilitada fala sobre a carreira e sua experiência com drogas.

Crédito das fotos: Bruno Barreto

O quê? Andy/Edie, espetáculo da Cia Espaço em Branco
Quando? de 1° a 24 de junho, sextas, sábados e domingos às 20h
Onde? Teatro de Arena (Av. Borges de Medeiros, 835 ¿ Centro, Fone: 51.3226.0242)
Quanto? R$15,00, R$12,00 (Clube do Assinante ZH), R$7,50(idosos, estudantes e classe artística)

www.poacultural.com.br/andyedie

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